Não sendo um caso à parte, Chico também conheceu as calúnias que provinham dos próprios espíritas.
O facto que transcrevemos a seguir fora narrado, por ele, a Carlos Baccelli, no dia 16 de Janeiro de 1982, numa das reuniões “à sombra do Abacateiro”. Sábado à tarde, a partilha girava em torno do Evangelho Segundo o Espiritismo, recaindo sobre a virtude da paciência.
“Creio que não teria apontamento nenhum a adiar às lições todas que foram lançadas no comentário dos nossos irmãos… Mas, relendo o texto, o meu pensamento caiu sobre esta frase: …alfinetes que acabam por ferir… Picadas de alfinetes! Todos experimentamos pequeninas contrariedades que criam desequilíbrios… Lembrei-me, então, de algumas picadas de alfinetes; lembro-me de duas – a doença dos olhos… Minha irmã Carmosina Xavier Pena morava em Belo Horizonte naquela ocasião…
Mãe de quatro filhos, se prontificou a me levar ao gabinete de um médico, Dr. Lineu Silva.
E ele me disse:
- A sua enfermidade demora bastante tempo, precisamos fazer umas pequenas injecções na córnea; durante dois meses, me proponho a atender você duas vezes ao mês, aos domingos, pois não quero cobrar nada.
Aquilo demorou uns quatro anos; correu boato de que eu estava me envolvendo com uma senhora para encontros ilícitos em grande prédio de apartamentos! ... Uma senhora que andava comigo com muitas liberdades… No consultório do Dr. Lima Silva, uma comissão de seis companheiros nossos de Doutrina, em Belo Horizonte, me abordou:
- Chico, você é visto aqui… Sabemos que é para encontros ilícitos… Estamos orando por você, para que não se torne um médium capaz de destruir lar algum… Queremos dizer na vista dela, para ajudá-la também…
Eu me surpreendi e disse-lhes:
- Vocês estão enganados! Esta é minha irmã, que me faz a caridade de me acompanhar, porque eu não estou enxergando quase nada… Se vocês puderem tomar o lugar dela, ela vai achar muito bom…”

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