Spiga

Descobrindo Chico Xavier (38)

“Muitas vezes me senti num labirinto, ignorando como sair dele. Eram visões e vozes que se confundiam, comigo no centro de semelhantes distonias… Muitas vezes me admiro de ter papel, tinta e lápis ao meu dispor. Em muitas ocasiões, antes do progresso que desfrutamos agora, depois de longa mensagem que eu escrevia à mão, para enviar à FEB, no Rio, surgiam ventos súbitos que penetravam, em redemoinho, sobre o tinteiro de que me servia, espalhando a tinta sobre o trabalho que me custara enorme esforço, anulando-me o serviço, por vezes, efectuado com os minutos possíveis de noites seguidas.

Em momentos outros, eram crianças de minha própria família que se valiam da minha ausência de instantes, para rasgarem os papéis escritos. Sempre me vi defrontado por forças adversas que me testam em tudo que recebo, em mensagens de nossos Amigos da Vida Superior.

Na escola, no curso primário – o único que me foi possível adquirir – não podia sair da sala de aulas para o chamado recreio. Nas raras tentativas que fiz, voltava para dentro do recinto de lições, espancado por crianças mais fortes do que eu e ameaçado por novas investidas que não desejo lembrar; para não criar imagens negativas (…)

Minhas provações foram tantas, que hoje, muito me admiro de ter água encanada dentro de casa; a luz eléctrica me deslumbra, quando me lembro da psicografía com a luz de velas acesas que, frequentemente, tombavam sobre as mensagens escritas, inutilizando-as. Espanto-me com a facilidade das canetas-tinteiro e habitualmente páro em serviço para agradecer a Jesus o material de escrita à minha disposição. Em tempo algum, porém, me senti abandonado. Meus amigos foram sempre poucos, mas uma força vigorosa os mantinha juntos de mim para que eu não desanimasse.

Do primeiro escalão de companheiros, de cujo auxilio não posso esquecer, todos já partiram. Eram todos carecedores de amparo, qual eu mesmo, no entanto os vi partir, um a um, prometendo-me que, onde estivessem, pediriam a Jesus para me abençoar e me auxiliar. Pouco a pouco, fui compreendendo que eu estava numa guerra – a guerra do bem contra o mal – da qual não me cabia desertar.”

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