Spiga

Candidatos-Palhaços ou Palhaços-Candidatos?


Branquinho da Fonseca
é autor de uma peça de Teatro chamada "O Barão", a qual aconselho vivamente. O ponto alto da obra, a meu ver, é a cena em que o protagonista descreve como, nos seus tempos de estudante na Universidade de Coimbra, doutorou o seu cavalo, o "Melro", em Direito. Com as minhas desculpas aos equídeos, que tenho em grande estima, concordo que a prestação profissional e humana de muitos advogados e juízes é pouco menos que cavalar...

No campo da Política, e na total impossibilidade constitucional de candidatar um cavalo a cargos públicos, a veia satírica dos portugueses e dos brasileiros tem optado por fazer candidatos alguns dignos palhaços, como é agora o caso de Tiririca, de seu verdadeiro nome Francisco Everardo Oliveira Silva, que, confessando a sua total incompetência para o cargo, promete pelo menos fazer rir os eleitores.
Em plena campanha eleitoral, Francisco Everardo deu assim corpo ao protesto amargo de todos os desiludidos, que, mal por mal, preferem votar num palhaço assumido.... e honesto!

Por cá por Portugal os exemplos também não têm faltado. Lello Minsk, de seu verdadeiro nome Manuel João Vieira, vocalista-clown das bandas satíricas Ena Pá 200 e Irmãos Catita, artista plástico e boémio, é candidato crónico à Presidência da República. Ao contrário de Tiririca, que só promete contar como é ser político, Lello Minsk promete alcatifar Portugal, oferecer Ferrais e amantes platinadas aos eleitores, e, finalmente, demitir-se assim que for eleito.

Já os Romanos diziam que pelo riso se castigam os costumes. O apoio popular que estes candidatos recolhem dos eleitores amargurados é fulgurante, e o Sistema vê-se em sérios embaraços para os travar. Tiririca pelos vistos não sabe ler. Lello Minsk tem sido excluído das corridas presidenciais devido a pormenores burocráticos que escapam ao torpor ébrio em que vive.

Entre candidatos-palhaços e palhaços-candidatos, os eleitores, na certeza de que nada muda, escolhem os que lhes asseguram boas gargalhadas. Devia ser um aviso sério para os políticos sérios - se é que os há.

Por agora, fico-me por aqui. Conto explicar, mais tarde, porque é que gostava de ver mais espíritas na Política.

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