Spiga

A Teologia do Polvo - 3



Voltamos ao início, e lembramos que aquilo a que chamámos a "teologia do polvo" é um sistema filosófico-propagandístico que tem como máxima "quem não acredita em Deus, acaba por acreditar em tudo" (até no polvo).

Uma teologia profundamente falaciosa. Nesse "acreditar em tudo" podem os defensores desta falácia enfiar tudo o que lhes apeteça. E estabelecer assim regras para o "acreditar em Deus". As suas regras.

Segundo as regras da Aura Miguel, por exemplo, quem não acredita em Deus, acredita em "horóscopos, amuletos, superstições de vária ordem, búzios, ferraduras, deitar as cartas, pêndulo, tarot, espiritismo, magia". E também "reiki e feng-shui".

Do "espiritismo" falarei depois. O que é curioso nesta selecção é a mistura de alhos e bugalhos. Por exemplo:

Se não estou em erro, o reiki será uma terapia oriental, como a acupunctura.

O feng-shui fará parte da cultura oriental, também, partindo do princípio de que as formas actuam sobre as energias subtis (seja lá isso o que for; não sou entendido no assunto).

Por búzios suponho que se fará referência ao "jogo de búzios", uma tradição cultural de algumas religiões africanas, que se crê terem origem no Antigo Egipto. Não me cabe questionar tradições religiosas. Se respeitamos as religiões e seus rituais não me parece de bom tom menosprezar nenhuma.

Para não ser demasiado exaustivo passo já para as ferraduras. Segundo vários autores, o uso da ferradura como amuleto terá tido origem com o Arcebispo S. Dunstan de Canterbury (924-988), que teria alegadamente colocado ferraduras no Demónio, só as retirando após a mítica criatura ter jurado não mais se aproximar de tais objectos. Daí então ter-se tornado tradição entre os cristãos europeus pendurarem a ferradura atrás da porta, de preferência de modo a formar um "C" de Cristo...

E aqui temos como o Paganismo dos Gregos (que acreditavam que o ferro era uma garantia de protecção contra qualquer mal) se cruza com o Cristianismo medieval... Estas coisas não são lineares. Da mentalidade pagã (politeísta, crente em vários deuses que personificavam as forças da Natureza) encontramos ainda muitos traços nas religiões monoteístas, mesmo nas três mais conhecidas (judaicas, islâmicas e cristãs).


Sendo espíritas, não somos obviamente supersticiosos. O Espiritismo pugna pela fé raciocinada, e, como tal, não valoriza qualquer tipo de formalidades, sejam elas vestes, rituais, sacramentos, altares, velas, sacerdotes, objectos especiais, etc.. Respeitamo-los pelo valor antropológico e histórico que possam ter. Ou como expressão de fé de grupos religiosos, que nos merecem todos igual tratamento: de profundo respeito.

Partilhe este artigo:

0 comentários:

Enviar um comentário