Spiga

A Teologia do Polvo - 2



Esta novel "teologia do polvo" é poderosamente simples, e dirige-se a pessoas que gostam de ideias simples e que fazem delas o centro da sua filosofia de vida.

Alguém escrevia, aqui há tempos, que apanhou um taxista para quem a filosofia de vida se resumia à ideia peregrina de que "O mal disto foi a gente tê-las deixado sair da cozinha!".

A partir daí, todas as combinações eram possíveis. Drogas? Roubos? Violência? Falta de educação? Desemprego? Pobreza? Caspa? Cárie dentária? Alcoolismo? Acidentes rodoviários?

Mas é claro: "O mal disto foi a gente tê-las deixado sair da cozinha!". Se "elas" tivessem continuado "na cozinha", teríamos o Paraíso na Terra!

Se pudermos arranjar uma máxima que condense a espessura intelectual deste tipo de teorias, a coisa faz ainda mais efeito. Num programa de Televisão sobre Espiritismo, telefonou um espectador, que para além de uma carrada de enormidades, apresentou como corolário a seguinte e definitiva argumentação:

"Tudo o que acaba em "ismo" é obra do Diabo!"

E quem convencerá esse homem de que o Catolicismo, o Protestantismo, o Budismo, o Marxismo, o campismo, o caravanismo, o hipismo, o naturismo, o autoclismo e o ciclismo não são "obra do Diabo"?

Com a "teologia do polvo" a coisa ainda pode ser mais convincente, porque envolve um silogismo (Mais um "ismo"! Ai que... cataclismo!)

E funciona assim:

"Quem não acredita em Deus, acredita em tudo; portanto acredita em _______".

Inversamente:

"Quem acredita em __________ não acredita em Deus!"

E vá lá a gente contrariar quem tem ideias tão assentes...

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