Spiga

"A Prece" - 8


Se não entendo o que significam as palavras, eu serei bárbaro para aquele com quem falo, e aquele que me fala será para mim bárbaro. Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas minha inteligência está sem fruto. - Se não louvais a Deus senão de coração, como um homem, entre aqueles que não entendem senão sua própria língua, responderá amém, ao final da vossa acção de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? Não é que vossa acção não seja boa, mas os outros dela não estão edificados.

(Paulo, 1a. Epístola aos Coríntios, cap. XIV, v.11,14,16 e 17)

Um nosso leitor ou leitora, chamou-nos a atenção para o suposto poder do verbo, nomeadamente das palavras sacramentais. Supomos que se refere ao efeito da sonoridade sobre a psique humana, ou mesmo sobre a matéria. Segundo algumas filosofias orientais, há sons que convidam à introspecção e à meditação, facilitando o acesso a determinados estados de consciência. A Ciência mostra-nos também que há sons capazes de actuar sobre a matéria, e todos nós sabemos, empiricamente, que certas frequências sonoras fazem vibrar de modo ostensivo vidros ou estruturas metálicas.


Não é esse, contudo, o cerne da questão, no que à prece diz respeito. Orando, em voz alta ou em pensamento, não é a forma que conta, mas sim o conteúdo. A prece singela e sentida, bem intencionada, com objectivo digno, torna-nos mais sensíveis à ajuda divina, que nunca nos falta.


Se o proferir de palavras sacramentais, ou a mera repetição automática, constituírem o fulcro da nossa prece, esta carecerá do que realmente conta: a intenção do Bem exteriorizada pelo pensamento, colocando o conteúdo antes da forma.



(continua)

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5 comentários:

Anónimo

26.7.10

Obrigada pelo post, André.
Concordo com o que escreveu. Sobre o poder do verbo, encontrei isto:
http://www.institutoseraluz.com/o-poder-vibracional-das-palavras.html
Também é interessante, numa outra perspectiva.
Saudações fraternas
Cristina

Anónimo

28.2.12

Encontei por acaso este bolg. Goatei muito dos artigos publicados sobre o poder da prece. Concordo com eles no ecencial, para comunicarmos com Deus não é necessária nenhuma fórmula, escrita ou ditada por outrem, temos tão só de Lhe mostrar que sentimos a falta desta ou daquela necesiidade. antes de pedirmos Ele já sabe o que nos falta só temos de mostrar que percebemos essa falta, e nunca esquecer de agradecer. Orar ou rezar é uma intenção não uma repetição de palavras de outem. sem ( como diz o autor dos post)querer melindrar ningúem não adiantará de muito a meu ver repetir mts vezes o mesmo bla bla, Deus não é surdo às nossas suplicas. Oremos e vigiemos.

Mário

29.2.12

O Blog de Espiritismo agradece as vossas palavras e sugestões.

M.

Unknown

22.4.12

Tenho certo tempo de estudo acerca das filosofias e práticas orientais. Se por fórmulas repetitivas o site se refere a mantras. Acho que a visão aqui é superficial. Os mantras, mesmo em certas situações se assumindo que o seu poder venha da vibração inerente ao som, as tradições indianas insistem que na verdade devem ser entoados com intenções próprias, visando desenvolver virtudes normalmente associadas ao mesmo. Ou seja, é uma disciplina para auto-aperfeiçoamento, e não mágica. Nas tradições devocionais hindus, o nome de deus é repetido com o sentimento de entrega, devoção, amor incondicional. Ao focar nas qualidades divinas pela repetição, o homem sai do estado do estado mental grosseiro. E se feito com sinceridade e fé, leva o homem a deus. Não vejo o porque do espiritismo repudiar tanto uma prática tão louvável, utilizada por séculos, que transformou a vida de tantos, por uma má interpretação de uma passagem do evangelho de cristo!

André

22.4.12

Olá UNKNOWN,

Muito obrigado por ter tido a amabilidade de nos escrever e a frontalidade de apresentar a sua opinião.

Não há qualquer tipo de repúdio do Espiritismo pela "repetição automática" de preces ou por qualquer outra prática relgiosa, cultural, mística, mágica, ou seja o que for. De forema alguma! O Espiritismo não tem listas de "proibidos" e "permitidos" nem listas de "amo" e "odeio", ou "aprovo" e "repudio".

Essa é a forma de pensar das religiões tradicionais, que estipulam um código de crença e de conduta rígido. No Espiritismo há liberdade de pensamento. Veja, a propósito, o post do Francisco chamado "O que nós dizemos não é lei!".

Passando agora á questão: a repetição automática é a repetição sem outro propósito que não o de cumprir uma tarefa, sem sentimento nem intenção elevada.

Chamamos a atenção para que essa prece não é uma verdadeira prece, mas um papaguear automático, por hábito. Esse reparo não significa que "repudiemos", de forma alguma. Significa, co contexto desta série de posts, modesta reflexão sobre a prece, que as críticas do sector céptico/ anti-religioso, não t~em razão de ser, porque tomama parte pelo todo.

Agora não julgue que nos arvoramos em juízes das preces, ou das fés, alheias! Esqueçamos a palavra 'que mata' e retenhamos o espírito 'que vivifica'.

Como bem lembra o Francisco, o que nós dizemos não é lei. E no meu caso, menos lei é, porque tenho certas limitações de expressão das minhas acanhadas ideias que pedem benevolência a quem tem a bondade de me ler.

Abraço,

AA

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