Spiga

Ganda Bronca! O Toni Frosquinou-se!


Aqui há tempos cruzei-me com ele nos Restauradores, à noite, ali perto do Hard Rock Cafe. Vinha num pequeno grupo, dava ideia de que vinha de um ensaio pois parecia cansadito, todo ele simplicidade, uma anti-vedeta, um operário do Teatro, um pintas de Lisboa que se confundia com o seu Toni, espelho implacável da nossa portuguesíssima raça de espertos que sabem tudo, mas ao fim e ao cabo, não sabem nada. Ele sabia. Sabia pelo menos que não sabia. Como o Sócrates, o da Grécia.

Foi como ver alguém da minha paisagem diária. Um gajo como outro qualquer, mas que aparece na Televisão. E ele nunca se esqueceu de que era isso mesmo, apesar do seu talento e da sua invulgar capacidade de trabalho e de se saber no coração dos portugueses e de saber o Toni no património das figuras imortais da ficção nacional, um Zé Povinho século XXI.

Enfrentou a doença como um espírita. Talvez até melhor que muitos espíritas - eu incluído - o fariam. Com naturalidade. Com resignação activa. Aceitando o que não pudesse mudar, trabalhando serenamente até ao fim desta jornada terrena. Estou-lhe grato por tudo e desejo-lhe tudo de bom.

Nunca ouvi o Zezé e o Toni debaterem Deus e a imortalidade da alma. Estou certo de que teria sido brilhante, inteligente e delirante como tudo o que eles faziam. Agora mesmo imagino o Zezé pior que estragado por o Toni ter dado de frosques, a mandar vir que isto não se faz a um gajo, e mais não sei quê!...

O Toni acabou o contrato e meteu férias, Zezé! Aguenta-te à bronca, meu!

E tu, amigo que nos lês, faz a tua homenagem: trabalha como o António, diverte-te como o Toni, e vive como ambos: de bem com todos e com a vida!

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2 comentários:

Paulo

30.7.10

Eu acho que esta ultima frase do texto está excelente, de certa forma resume o modo de estar de António Feio: " trabalha como o António, diverte-te como o Zezé, e vive como ambos: de bem com todos e com a vida!"

Nas rábulas que ambos protagonizavam, havia a autêncidade de pessoas que estavam de bem com a vida. Havia ali algo deles próprios, mesmo enquanto seres humanos para além dos rascunhos das personagens. Talvez tenha sido essa mesma autêncidade a razão do sucesso desta dupla irrepetível.

André

30.7.10

"Olhai os lírios do campo, olhai as aves dos céus"...

Tanto stress e a Eternidade :)

AA

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