Solicitámos autorização ao nosso estimado João Xavier de Almeida para publicar a sua resposta ao artigo acima reproduzido, do jornal Público (clique para ampliar, sff).
Agradecemos-lhe a oportunidade da partilha das suas palavras, e o oportuno lembrete de que "nem uma ovelha se perderá". Tempos difíceis pedem solidariedade, e não costas voltadas.
“REQUIEM POR SARAMAGO”
Um eclesiástico adornado de títulos académicos e sociais subscreve no PÚBLICO de 27/6/10 um REQUIEM POR SARAMAGO. A polidez duma compaixão convencional não dissimula a antipatia, muito católica-apostólica-romana e nada cristã, do articulista pelo escritor. Da condição “pastoral” do primeiro, seria de esperar um requiem mais edificante, onde não pairassem nuvens ameaçadoras de ira divina, à espera de “impenitentes” do tipo do mau ladrão do Evangelho ou do “diabólico” professo da “coerência no mal”, como Saramago é ali piamente catalogado.
O Evangelho foi-nos legado para nos guiarmos e confortarmos a nós próprios e aos outros, pensem eles como pensarem: não para os apedrejarmos com anátemas. Jesus de Nazaré, que nunca excomungou nem seguramente excomunga ninguém, prognosticou que não se perderia uma só ovelha do aprisco do seu e nosso Pai.
Como cristão espírita, antes de me preocupar com a “conversão” de Saramago preocupa-me a minha própria, sem esquecer a advertência do Bom Pastor, de que muitos publicanos e meretrizes nos precedem no céu (Mateus 21.31): claro que por terem aos olhos de Deus mais merecimento do que antifraternamente lhes reconhecem as nossas facçõezinhas. Se Saramago foi inimigo da “Igreja”, acho que nunca o foi de Cristo nem, estou bem certo, este o toma por tal.
João Xavier de Almeida
Vila Nova de Gaia
Um eclesiástico adornado de títulos académicos e sociais subscreve no PÚBLICO de 27/6/10 um REQUIEM POR SARAMAGO. A polidez duma compaixão convencional não dissimula a antipatia, muito católica-apostólica-romana e nada cristã, do articulista pelo escritor. Da condição “pastoral” do primeiro, seria de esperar um requiem mais edificante, onde não pairassem nuvens ameaçadoras de ira divina, à espera de “impenitentes” do tipo do mau ladrão do Evangelho ou do “diabólico” professo da “coerência no mal”, como Saramago é ali piamente catalogado.
O Evangelho foi-nos legado para nos guiarmos e confortarmos a nós próprios e aos outros, pensem eles como pensarem: não para os apedrejarmos com anátemas. Jesus de Nazaré, que nunca excomungou nem seguramente excomunga ninguém, prognosticou que não se perderia uma só ovelha do aprisco do seu e nosso Pai.
Como cristão espírita, antes de me preocupar com a “conversão” de Saramago preocupa-me a minha própria, sem esquecer a advertência do Bom Pastor, de que muitos publicanos e meretrizes nos precedem no céu (Mateus 21.31): claro que por terem aos olhos de Deus mais merecimento do que antifraternamente lhes reconhecem as nossas facçõezinhas. Se Saramago foi inimigo da “Igreja”, acho que nunca o foi de Cristo nem, estou bem certo, este o toma por tal.
João Xavier de Almeida
Vila Nova de Gaia


3 comentários:
26.7.10
"Se Saramago foi inimigo da “Igreja”, acho que nunca o foi de Cristo nem, estou bem certo, este o toma por tal."
Permita-se-me afirmar: Saramago foi inimigo da “Igreja”,nunca o foi de Cristo nem este o toma por tal.
26.7.10
Olá
Concordo, amigo. Eu acredito que Jesus, o nosso mais elevado modelo e exemplo, não se ofende com a nossa ignorância. Pelo contrário, esteve cá para nos iluminar e para nos ajudar a vencer a ignorância.
Segundo acreditamos, as últimas palavras que ele proferiu antes do último suspiro do corpo de carne que ele vestiu aqui, foram:
- "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem".
Contudo, segundo creio, para Deus, Saramago não é especial, como nenhuma das suas criaturas o é. As leis universais que Deus criou, são iguais para todas. As honras que possamos receber dos homens da terra, de nada valem no "céu". É tão e só mais um espírito ignorante, como todos nós.
O que ele contestou foi a imagem de Deus que outros homens lhe apresentaram, que correspondiam à imagem desses mesmos homens e não a Deus.
Segundo ele mesmo dizia, conhecia as palavras dos evangelhos, pois escreveu uma obra sobre esse assunto. Poderia ter percebido que as palavras de Jesus nada têm a haver com aquilo que ele papagueava nos meios de comunicação social, para fazer auto-propaganda. Mas como aprendemos algo novo se não deitamos primeiro fora as ideias pré-concebidas sobre o assunto?
Quanto à pessoa Saramago, nada tenho a dizer, porque não o conhecia. Mas simpatia pelas ideias dele, isso eu não tenho nem nunca tive. E não é agora que ele desencarnou, que eu ía ser hipócrita e dizer o contrário.
Contudo tudo se encadeia numa harmonia universal que transcende os nossos horizontes. Sem o saber e mesmo sem o desejar, o Saramago foi, talvez, um instrumento da Providência. Ao contestar Deus publicamente, ele fez muita gente pensar sobre o assunto.
Mas ele ainda está a tempo de se informar, porque a morte não existe. Que a luz divina o ilumine e o esclareça agora a ele, e a todos nós.
26.7.10
É isto que é-me estranho. Há muitas passagens na bíblia que são dúbias e como amante da verdade clara, parece-me manipulação barata. Essa história dos ladrões é uma delas. 300 interpretações diferentes podem ser tiradas dai. Não se desresponsabiliza-se o mal só por meras palavras. Contudo sabemos que quem arrepende-se de coração tem o direito de construir a sua nova vida deste lado ou do outro (informação extra que não vem na bíblia claramente). Por isso, de uma certa forma o impacto que a bíblia tem na minha vida é muito pequeno. E neste ponto, Saramago tinha bons motivos para se queixar.
Acreditar na Bíblia é um exercício de Fé, não é ciência.
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