(…) Agradeço-vos por tudo e peço licença para dizer-vos algo que contrasta com as minhas emoções e com as minhas lágrimas…
Tendo recebido, para os nossos companheiros de São Paulo, determinado preito de amor que pertencia e pertence a eles e não a mim, determinada comissão de companheiros nossos, de outras bandas de Minas Gerais, me procurou, numa das nossas reuniões da Comunhão Espírita Cristã, a cuja bondade e a cuja protecção tanto devo. Essa comissão me procurou para dizer que a recepção do título honorífico em São Paulo era muito envaidecimento da minha parte. Eu respondi que não tinha ido a São Paulo para receber determinada homenagem para mim, que eu me fizera intérprete assim qual se eu fosse o menor expoente de uma grande “firma” de interesses espirituais para receber os certificados que pertenciam e pertencem aos amigos e aos companheiros de São Paulo. Por mais que eu dissesse que eu não havia recebido título para mim, alguns dos nossos irmãos insistiam que o meu orgulho de vidas passadas estava voltando, que a vaidade me tomara de novo o coração, que o egoísmo, que a paixão pelo personalismo deprimente estava tisnando a tarefa de Emmanuel…
Eu pedi a eles que considerassem que eu havia cumprido um dever, que eu não havia feito outra coisa senão ir a São Paulo, com a modéstia de minha vida de pequenino servidor da nossa Causa, simplesmente na condição de instrumento para receber uma documentação que pertencia aos nossos irmãos de lá e não a mim.
Os companheiros insistiam que eu devia orar muito. Eu disse que estava orando, pedindo a Deus para que as minhas imperfeições não viessem a ferir o nosso movimento espírita. Um deles me falou com bastante severidade, sobre a queda em que eu havia incorrido e que devia considerar tudo isso para poder continuar com fidelidade à Doutrina, porque eu estava sendo um instrumento de vaidade e de personalismo dentro de nossos muros. (…) Sem nenhuma ideia de ofender os nossos irmãos, eu respondi: quanto a isso, quanto à queda, eu rogo a vocês que fiquem tranquilos, porque Deus há de me ajudar, Emmanuel há de me amparar e eu não vou cair… Quando eu disse assim, alguns dos nossos companheiros me disseram:
- Basta essa sua afirmativa para mostrar a que grau sobe a sua vaidade… Se você diz que confia em Deus, que confia em Emmanuel e que não vai cair, esse «não vou cair» que você disse, isso denuncia a hipertrofia dos seus sentimentos, de personalidade dilapidada pela vaidade e pelo orgulho… Por que é que você não vai cair?
Eu então respondi:
- Eu não posso cair, porque nunca me levantei!"

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