Spiga

Cada Coisa Tem Seu Nome


Em posts anteriores focámos, de forma sucinta, a gratuitidade de todos os serviços espíritas. O Espiritismo pode ser muito mal conhecido, pode ser muito mal interpretado, mas existe, ainda assim, a noção de que Espiritismo é coisa séria e honesta. Falo por exemplo por mim, que antes de conhecer esta filosofia formava dela a ideia de ser algo de "estranho e complexo", mas sério.

Não obstante, ainda acontece haver quem diga que foi a um "centro espírita" e que pagou. Se não se tratar de má-fé (e contra a má-fé, nada a fazer), o que acontece é uma confusão de conceitos.

Vejamos em que circunstâncias acontecem tais confusões:

- Há associações espiritualistas, religiosas, e esotéricas, que, por razões comerciais ou por desconhecimento, se afirmam "centros espíritas". É um erro.

- Há pessoas que possuem mediunidade (ou fingem que a possuem), e, igualmente por estratégia comercial ou por desconhecimento, se apresentam como "médiuns-espíritas".

- Sobretudo no caso do Brasil, para contornar uma proibição antiga, houve templos religiosos afro-brasileiros que tiveram que incluir na sua designação a palavra "espírita", para poderem ser legalizados. Essa designação ultrapassou as fronteiras do Brasil e chegou, por exemplo, a Portugal.


Ao desconhecimento dos jornalistas deve-se também muita da confusão. Um dos casos que ficou famoso foi no Brasil o ataque a uma tenda de Umbanda, no Rio de Janeiro, em 2 de junho de 2008 (a imagem que ilustra este post é desse triste acontecimento). Os meios de comunicação referiram-se a esse ataque como tendo sido a um "centro espírita". É claro que é igualmente condenável, mas os erros na designação contribuem para a confusão.

Em Portugal também não é inédito haver jornalistas que fazem esse tipo de erros, sejam eles involuntários ou devidos a caciquismo religioso. A RTP, por exemplo, noticiou um caso de uma estranha seita religiosa angolana apelidando-a de "espírita"...


As coisas devem ser chamadas pelos nomes. Não seria correcto falar-se, por exemplo, de uma "igreja católica protestante", ou chamar-se padre a um "pai-de-santo".

Da parte do Espiritismo, existe total respeito por todas as religiões, façam elas cobranças ou não, admitam elas pagamentos de dízimos ou não. cada um sabe de si. Só não pretendemos ser tomados pelo que não somos ou apontados como fazendo o que não fazemos.

Relativamente aos médiuns comerciantes, há-os bem intencionados, e há-os francamente criminosos. Esses casos, são, evidentemente, para a Polícia.


O que não existe é nenhuma palavra composta "médium-espírita". Médium é uma pessoa dotada de percepção extra-sensorial. Espírita é uma pessoa que simpatiza com a Doutrina Espírita. Há espíritas que são médiuns, como há os que não o são. A esmagadora maioria dos médiuns do mundo não são espíritas.

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