Spiga

O Trigo e o Joio - 3


O indivíduo a que temos vindo a fazer referência nesta série de posts, aos "serviços" que se propunha prestar, acrescentava o de... "espírita". Segundo a explicação do próprio, conseguindo ele, alegadamente, falar com os Espíritos, intitulava-se "espírita".

É precisamente nestes casos que nos sentimos no dever de informar que o Espiritismo é uma filosofia, um movimento humanista e de voluntariado, uma doutrina moral filosófica cristã, que se inspira na pureza de ideais dos Primeiros Cristãos, e que pugna pela fé raciocinada. Por fé raciocinada entendemos a conciliação entre Razão e Ciência, por um lado, e crença em Deus, por outro. A nosso ver, é possível crer em Deus racionalmente, sem ser na base da fé cega e dogmática ou da experiência mística subjectiva.

Não atacamos, nunca, qualquer crença alheia, pois a todas respeitamos. Exprimimos frequentemente a nossa discordância em relação às teses materialistas, mas sempre no campo das ideias e na premissa básica de que os materialistas têm tanto direito a sê-lo como nós temos o de sermos espiritualistas, ou seja, crentes em Deus e na imortalidade da alma.

Um médium é alguém que tem a capacidade orgânica de percepcionar algo do mundo espiritual. Alguém que alegadamente vê, ou ouve, ou sente os Espíritos, que fala, escreve, desenha, compõe, sob a influência dos Espíritos, é um médium.

Consequentemente, se alguém deseja apresentar-se como médium, nada temos a ver com isso. Se alguém que alegadamente é médium, deseja comercializar a sua mediunidade, ainda que discordemos, não nos cabe julgar ou obstar a tal actividade.

Se alguém que alegadamente é médium se apresenta como "espírita", aí sim, temos todo o direito de protestar, denunciar o caso se for caso disso, ou de alertar o público para que saiba separar o trigo do joio! O Espiritismo é completamente avesso ao comércio da mediunidade, à adivinhação, ou à utilização da mediunidade para finalidades menos dignas.

O Espiritismo é cultura. Esse tipo de tratantes ou de ignorantes que se apoderam indevidamente do qualificativo de "espírita" contribuem para a má interpretação pública. E quando tal qualificativo se acha misturado com casos de polícia como o que relatamos, numa mixórdia de conceitos sem ponta de lógica, aí é ainda mais grave.

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