Spiga

Intuições Artísticas


Como é do conhecimento geral, o líder espiritual dos católicos está presentemente de visita a Portugal. Hoje de manhã proferiu uma conferência no Centro Cultural de Belém. Em notícia do jornal Público, edição digital, podemos ler:

«Manoel de Oliveira, aplaudido de pé pela assistência, identificou-se como “pertencente à família cristã”, referiu os anjos que colocou em dois filmes como “prefigurações dos espíritos”.»

Que eu saiba, Manoel de Oliveira não tem conhecimentos de Espiritismo. Nem é católico. Pelas suas entrevistas, depreendo que possa ser classificado como um "cristão independente". Achei curioso, por isso, que a sua intuição o tenha levado a interpretar a figura dos anjos da mesma forma que o Espiritismo. Na verdade, a figura dos anjos, com auréola, asas, espadas ou instrumentos musicais, não aparece nas Escrituras, tendo sido uma criação dos artistas de antigamente.

Os anjos, na óptica espírita, são Espíritos, que, tal como nós, passaram já pelo mundo material, em muitas vidas de aperfeiçoamento, e que quando se manifestam junto dos encarnados (nós, os que estamos temporariamente num corpo material), produzem uma forte impressão de paz, de amor, de Luz...

Curioso é também que no Cinema e na Televisão, os anjos, a dada altura, passaram a ser representados sem esses atributos da Arte Antiga, apresentando-se com aparência idêntica à o comum dos mortais. Era o caso da série de tv "Um Anjo na Terra" (na imagem), em que dois "anjos" se materializavam no nosso planeta para auxiliarem pessoas em dificuldades. Com uma boa dose de humor, essa era uma série de muito bom gosto, e sobretudo de grande conteúdo espiritual.

Suponho que se enquadraria no apelo hoje feito por Joseph Ratzinger, de que a Arte se reconcilie com Deus.

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