Spiga

Descobrindo Chico Xavier (4)

“Eu tinha quatro anos de idade, quando voltei da cidade de Matozinhos, perto de Pedro Leopoldo, onde nasci, em companhia de meus pais e de meus irmãos.

Meus pais haviam assistido às cerimónias religiosas que naquele tempo eram consideradas de praxe para todas as famílias católicas.

Havíamos caminhado onze quilómetros. Chegamos a casa, numa noite bastante fria, com chuva.

Meus irmãos se dirigiram logo para o descanso do sono.

Minha mãe, naturalmente preocupada com problemas de saúde, trocou-me a roupa e, como eu estava fatigado, levou-me à cozinha, onde fora fazer um café para o meu pai.

Enquanto esperava o café que se fazia, meu pai começou a falar a respeito de um problema de aborto que havia ocorrido com uma de nossas vizinhas.

Uma criança havia nascido fora de tempo e meu pai, que não havia atingido a verdade sobre o assunto, discutia com minha mãe a respeito.

Nesse instante, eu ouvi uma voz e, então, transmiti para meu pai:

-O senhor naturalmente não está informado com respeito ao caso. O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição ectópica.

Meu pai arregalou os olhos e disse a minha mãe:

-O que é isso, Maria? Este menino não é nosso. Trocaram esta criança na igreja, enquanto nós estávamos na confissão…

E me perguntou o que vinha a ser nidação, o que vinha a ser ectópico, o que vinha a ser implantação. Eu não sabia explicar coisa nenhuma porque falei o que uma vos dissera. Ele me olhou com muita desconfiança, e minha mãe comentou:

-Não, João! Este menino é o nosso mesmo!

-Este menino não é o nosso! Até a roupa mudou!

Então, minha mãe explicou:

-Eu mudei a roupa da criança agora, por causa do frio.

Meu pai naquela dúvida e as vozes começaram a trabalhar.

Eu tinha quatro anos de idade e me recordo perfeitamente.”

Partilhe este artigo:

0 comentários:

Enviar um comentário