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Descobrindo Chico Xavier (17)

Com motivo do 40º aniversário da mediunidade de Chico, em 1967, o jornal O Espírita Mineiro, órgão da União Espírita Mineira, realizou uma entrevista com Carmem Pena Perácio que passamos a transcrever:

O Espírita Mineiro (OEM) – Poderia dizer-nos alguma coisa quanto aos motivos da aproximação de Chico da Doutrina dos Espíritos?
Carmem Pena Perácio (CPP) – Pois não! Em Maio de 1927, adoeceu em Pedro Leopoldo uma irmã de Chico, atingida por violenta obsessão que, à época, foi considerada loucura. Meu companheiro, José Hermínio Perácio, atendendo o pedido de João Cândido Xavier, pai de Chico, que desejava ver sua filha curada, foi a Pedro Leopoldo ver a enferma.

OEM – Onde residia a senhora na época?
CPP – Morávamos na Fazenda Maquiné, município de Curvelo, para onde a doente foi levada por meu marido, que era médium curador. Na Fazenda Maquiné, com o auxílio de nossos protectores espirituais, sob a misericórdia do Infinito, ela obteve grandes melhoras, restabelecendo-se muito depressa.

OEM – Estava presente à reunião em que Chico recebeu a primeira mensagem do Plano Espiritual? Como se iniciou Chico na mediunidade, no desdobrar dos acontecimentos a que a senhora se refere?
CPP – Na segunda quinzena de Junho de 1927, meu marido e eu acompanhamos a irmã de Chico a Pedro Leopoldo, com a alegria de restitui-la ao lar, curada da obsessão da qual fora acometida. Ali demoramo-nos por alguns dias. Compreendemos, então, que os nossos irmãos em Pedro Leopoldo necessitavam de um grupo espírita evangélico. Meu esposo e eu, com alguns companheiros, fundamos o Centro Espírita Luiz Gonzaga, que funciona até hoje. Lembro-me de que na sessão pública de 8 de Julho de 1927, o Centro funcionava numa residência particular, ouvi um amigo espiritual aconselhando que Chico tomasse o lápis, a fim de experimentar a psicografia. Transmiti a recomendação e Chico obedeceu imediatamente, recebendo de maneira muito rápida várias mensagens, que foram assinadas por um benfeitor do Alto. Ficamos todos muito contentes com o facto, sendo que, daí a dois dias, voltámos para casa de Maquiné. Chico acompanhou-nos para ficar em nossa companhia durante alguns dias na fazenda e, aí, na primeira reunião mediúnica que efectuamos, após a chegada, no momento das orações, com aquela humildade que sempre o acompanhou, perguntou-nos se podia fazer parte em nossas preces, o que, naturalmente, foi permitido, com muita alegria para mim e para meu companheiro.

OEM – Que aconteceu de novo, então?
CPP – Durante a reunião, enquanto estávamos pedindo, em oração ao Senhor, pela conservação da melhora de nossa irmã, ouvi uma voz suave, doce, tão cativante, que logo reconheci não pertencer a qualquer criatura encarnada. A voz declarava ser Emmanuel, amigo espiritual de Chico. Depois de ouvi-lo, surgiu em minha visão mediúnica uma bela entidade, com vestes sacerdotais e apresentando uma aura tão brilhante que, através da luz que irradiava, eu podia ver seu rosto calmo, tranquilo e sorridente. Depois de identificar-se como sendo amigo espiritual do jovem ali presente connosco, recomendou-me:-Irmã, fale com Chico para tomar do lápis e papel.
Imediatamente, providenciamos a busca deste material, sob forte emoção. Alguns instantes depois, Chico passou a receber uma mensagem. Terminada a psicografia, vimos que a mensagem orientava a continuação do tratamento de nossa irmã e era assinada por sua mãe, Maria João de Deus, que tantas vezes lhe aparecia através de sua vidência mediúnica.

OEM – Como receberam este acontecimento?
CPP – Com muita alegria, porque em seus dizeres maravilhosos, tais páginas traziam sábios conselhos para todos nós, os necessitados de amparo espiritual, com instruções muito importantes para a doente, que fora recuperada, para mim que também me achava no início do desenvolvimento mediúnico, para meu marido e para Chico, a quem a mensagem incentivava as tarefas curativas, na aplicação dos fluidos magnéticos que possuía em beneficio dos sofredores.

(continua)

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