Chico trabalhou por mais de três anos na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande. No entanto, devido à inalação do pó que se desprendia do algodão, adoeceu dos pulmões. Por aconselhamento médico teve de mudar de emprego, indo a trabalhar como auxiliar de balcão e cozinha no Bar Elite, dum amigo do seu pai.
Se porém, na Cachoeira Grande ele desgastava-se fisicamente, nos serviços do bar o seu desgaste passou a ser emocional, tendo que lidar com alcoólatras inveterados que lá faziam ponto. Por este motivo, aos 16 anos de idade, foi trabalhar com José Felizardo Sobrinho, como caixeiro num armazém da sua propriedade.
Todavia, no armazém, quando tinha que regar uma plantação de alhos existente nos fundos da casa, é que ele ouvia os espíritos, principalmente os poetas desencarnados – dentre os quais o célebre Augusto dos Anjos, que, por seu intermédio, escreveria Parnaso de Além-Túmulo.
“ …quando eu ia fazer 21 anos, o espírito de Augusto dos Anjos sentia muita dificuldade de escrever por meu intermédio. Nesse tempo, eu trabalhava num armazém e este me dava também serviços para cuidar de uma horta muito grande, com plantações de alho, porque o alho na região em que eu nasci era um factor económico de muita importância. Então, depois das 6 horas da tarde, para mim era um prazer regar os canteiros de alho, e os espíritos começavam a conversar comigo. Eu sentia muito prazer naquelas horas, porque me isolava de todo o serviço do armazém para ficar completamente à disposição dos espíritos amigos. Então, ele começou a ditar uma poesia que está no Parnaso de Além-Túmulo, o primeiro livro de minha mediunidade. A poesia chamava-se Vozes de uma Sombra. Ele começou a falar com aquelas palavras maravilhosas, muito técnicas. Eu, com o regador na mão, custava a compreender. E ele falava e falava que gostava de escrever no campo, e que aquela era uma hora em que ele queria ditar, para que eu ouvisse e pudesse compreender à hora de escrever, porque muitas vezes escrevo também como médium ouvinte. Eu sentia aquela dificuldade e ele falou assim comigo:
-Olhe, você quer saber de uma coisa? Vou escrever o que puder, pois a sua cabeça não aguenta mesmo!
E a poesia está no livro só com o que ele pôde, mas era muito, muito mais, era uma beleza! Ele falava de fótons, cores, de mundos, galáxias. Quem era eu para entender aquilo, eu que estava regando canteiros de alhos!?”

2 comentários:
15.5.10
Irmãos,
Que Deus nos abençoe!
Gostaria de parabenizar a todos vocês por manterem este excelente blog na internet. Estou achando maravilhoso!
E muito boas estas informações sobre o nosso saudoso Chico Xavier, irmão que muito ajudou no progresso da doutrina espírita, com sua mediunidade cristã.
Sou do Rio Grande do Sul, Brasil, e fico feliz em ver que o Espiritismo está bem vivo em Portugal e em outros países. Não deixemos esta chama apagar!
Gostaria de convidar a todos para contribuírem no nosso humilde blog destinado ao estudo dos Evangelhos à luz do Espiritismo. Eis o endereço:
http://caminhemoscomjesuscristo.blogspot.com
Agradeçemos se os Irmãos divulgarem nosso blog aos irmãos espíritas e também se participarem, enviando seus comentários.
Que Jesus os ilumine e abençoe sempre!
Um fratenal abraço a todos!
Irmão em Cristo
15.5.10
Oh!! Saudades do Sul, do chimarrão e do churrasco gaúcho!
Morei naquelas terras brasileiras por alguns anos; tenho família e muitos grandes amigos por lá.
Obrigado pelo comentário.
Um Grande Abraço.
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