O que é uma sessão de Espiritismo?
Andava há que tempos para falar desta questão das "sessões de Espiritismo".
Valendo-me do fiel Priberam, o melhor dicionário online do mundo e arredores, tenho aqui a definição da palavra:
sessão
(latim sessio, -onis, acção de sentar-se, assento, cadeira)
s. f.
1. Tempo durante o qual um corpo deliberativo está reunido em assembleia.
2. Reunião ou assembleia.
3. Tempo de funcionamento de junta, congresso, espectáculo, espectáculo, consulta, etc.
4. Beira Minho Frescura ou humidade da terra.
(latim sessio, -onis, acção de sentar-se, assento, cadeira)
s. f.
1. Tempo durante o qual um corpo deliberativo está reunido em assembleia.
2. Reunião ou assembleia.
3. Tempo de funcionamento de junta, congresso, espectáculo, espectáculo, consulta, etc.
4. Beira Minho Frescura ou humidade da terra.
Excluindo o curioso regionalismo do ponto 4., temos então que uma sessão é uma reunião ou a duração de uma actividade organizada.
Sessão de massagem, sessão de ginástica, sessão de poesia, sessão de Câmara, sessão de teatro ou de cinema - são tudo expressões correntemente empregues. Nessa ordem de ideias, o termo "sessão de Espiritismo" pode muito bem referir qualquer reunião ou actividade em que se trate da filosofia espírita.
Uma palestra espírita é uma sessão de Espiritismo. Um congresso espírita é uma sessão de Espiritismo. Um curso de Espiritismo é composto de sessões. Uma reunião mediúnica é uma sessão de Espiritismo.
Uma sessão é uma "sceance"?
E aqui é que as imagens associadas às "sceances" dos países de Língua Inglesa entram em campo para baralhar as coisas. Uma "sceance", no sentido que o termo possui nos países anglófonos, é mais do que uma sessão de qualquer coisa. No âmbito do Modern Spiritualism (o Espiritismo dos povos anglófonos, por assim dizer), "sceance" designa especificamente o contacto com o Além.
Por extensão, acabou por designar todo o tipo de sessões em que se procura contactar os Espíritos. Por muito canhestras que sejam, por muito folclóricas que sejam, por muito vulgares que sejam os seus objectivos. O cinema, sobretudo, na sua variante de horror, tem explorado e popularizado esta concepção um tanto sinistra do contacto com o Além.
Imagens com a que reproduzimos abaixo não têm cabimento num centro espírita. Podem ter lugar entre experimentadores "recreativos" da mediunidade; podem ter lugar em certas correntes do Modern Spiritualism; podem ter lugar no âmbito da mediunidade comercial; mas no Espiritismo, definitivamente, não.
Distinguindo as coisas
Não podem meter-se no mesmo saco, por um lado:
- As correntes do Modern Spiritualism cuja actividade consiste meramente no contacto com o Além, e que não poucas vezes envolvem cobranças e funcionam como espectáculo.
- As imprudentes "brincadeiras" do contacto com o Além.
- A mediunidade comercial, regra geral também cercada de superstições, atavios materiais e práticas burlescas.
E, por outro lado:
- A prática mediúnica séria e esclarecida, que ocorre no Espiritismo ou no Racionalismo Cristão, bem como formalmente em algumas religiões (caso por exemplo da Umbanda) e menos formalmente noutras (o movimento da Renovação Carismática dos católicos é um dos que apresentam alguns traços de mediunidade).
Mesmo sem nos determos, para já, em juízos de valor sobre a seriedade de propósitos de umas e de outras, as diferenças são de tal forma acentuadas que só por teimosia ou superficialidade se podem confundir. Chamem-lhes, por isso, "sessões mediúnicas", mas nunca "sessões de Espiritismo"...


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