obrigado pelo contato e pela leitura. É muito importante para nós na Super receber o retorno dos leitores sobre nosso trabalho. Críticas e elogios são importantes para avaliarmos a revista e refletirmos sobre o que publicamos. As mensagens que recebemos sobre Chico Xavier estão sendo lidas por mim, pela editora e pela repórter da matéria e servirão de tema para nossa reflexão.
Tenho tentado responder individualmente a todas as mensagens. Mas como elas são muitas, e tem teor semelhante, redigi um texto explicando a proposta da reportagem e respondendo aos principais questionamentos que temos recebido. É uma mensagem longa, mas acho que merece ser lida. Sabemos que Chico Xavier foi uma figura importantíssima no cenário religioso do Brasil e que é muito querido por diversas pessoas. Como escrevi na minha carta ao leitor, preparamos essa matéria com muito respeito. Procuramos deixá-la equilibrada, apresentando uma visão plural sobre a trajetória de Chico Xavier e trazendo também os requisitos necessários a qualquer trabalho jornalístico - distanciamento, parcimônia e rigor na apuração. Todo o texto foi baseado em profundo trabalho de reportagem e depoimentos de várias fontes, inclusive espíritas, muitas delas citadas na reportagem.
A reportagem deu a Chico Xavier o mesmo tratamento que já demos à Igreja Católica, ao papa, aos evangélicos, a Charles Darwin ou a qualquer outro assunto que publicamos. Afinal, todas as matérias da Super têm a mesma características: sempre buscamos a pluralidade. Fazemos questão de ouvir todos os lados de uma questão. Entrevistamos pessoas que pensem diferente. E deixamos as conclusões para o leitor. Não sobram mensagens nas entrelinhas. E o fato de a Super trazer a versão de fulano ou de beltrano não significa que aquela seja a opinião da revista. Aliás, a Super não tem opinião sobre os temas que reporta.
Sei o quanto é frustrante ler ideias que consideramos errôneas. Mas lembre-se que aquilo que você tem como verdadeiro, outra pessoa pode ter como falso. Não cabe à revista decidir quem tem razão. Cabe a nós respeitar pontos de vista. O verdadeiro respeito à livre expressão não está em falar tudo o que queremos, mas em admitir que os outros falem aquilo que não gostamos. Melhor assim: é a única maneira de garantir que sua opinião sempre terá espaço para ser apresentada. E é por isso que acreditamos tanto que ao escrever sobre qualquer assunto, devemos apresentar ao leitor um leque de opiniões distintas.
Muitas das críticas que recebemos são baseadas em um texto publicado por Richard Simonetti. Sei que ele é uma pessoa respeitada, autor de diversos livros. Mas acho que cometeu uma injustiça com a Super: o da descontextualização. Apresentados como estão os fatos na mensagem dele, não é impossível alguém concluir que a matéria tinha como objetivo atacar Chico Xavier. O que o texto de Richard Simonetti não diz é que a reportagem tinha larga biografia de espíritas e defensores de Chico Xavier. Que a Super apresentou os resultados de estudos positivos sobre a obra de Chico Xavier, como os da Associação Médico-Espírita e a Federação Espírita Brasileira. Que citamos a frase de Monteiro Lobato impressionado com os livros de Chico Xavier ("se produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras".) Que dedicamos amplo espaço às cartas psicografadas e entrevistas de pessoas que diziam ser impossível Chico Xavier conhecer as informações que psicografou. Que contamos que Chico Xavier morreu da maneira como previra: num dia feliz para o Brasil, o da conquista da Copa do Mundo. Que entrevistamos e citamos a opinião de pessoas muito próximas a Chico Xavier, como seu filho, seu médico, a administradora do centro espírita que ele fundou. Está tudo lá na reportagem.
Até o momento, recebemos críticas e elogios ao texto. É normal: as pessoas têm opiniões diferentes. E o debate entre essas opiniões enriquece a todos - é a raiz da construção do conhecimento. Richard apontou uma série de erros que ele viu na reportagem. Muitos, na verdade são trechos que ele gostaria de ver escritos de outra maneira. Nesses casos, só me resta respeitar a opinião dele: como disse, as pessoas têm opiniões distintas. Nós decidimos sempre pensando no equilíbrio do texto. Abaixo, respondo aos casos em que ele aponta uma informação errada, pois temos compromisso com a correção de cada informação que é publicada na Super. O texto dele vai em itálico, minha resposta logo em seguida, em vermelho.
Obrigado e um grande abraço,
Sérgio Gwercman
Diretor de Redação da Super»
Caro Sérgio,
Grato pela sua resposta, que publico no Blog de Espiritismo em simultâneo com esta.
A reportagem de Gisela Blanco, não é, como diz, «uma visão plural sobre a trajetória de Chico Xavier». Se o fosse, os espíritas não teriam reagido da forma indignada como reagiram.
A referida peça é decalcada dos textos do conhecido Vitor Moura, um perseguidor costumeiro de Chico Xavier, de há muitos anos.
Somos os primeiros a pugnar pela liberdade de opinião. Mas também pelo rigor dos factos.
A peça jornalística apresenta "opiniões" sectárias como factos, e é, no geral, de uma fraqueza confrangedora.
Lembro que a minha reacção não se "baseou" no texto de Simonetti (que abordarei, no Blog de Espiritismo, a seu tempo, juntamente com as suas observações).
Resta-me desejar para a vossa publicação e para os seus trabalhadores, tudo de bom, muita paz e harmonia.
Com os melhores cumprimentos,
Mário Correia/ Portugal

5 comentários:
9.4.10
Que desculpas mais esfarrapadas, hein? "Fazemos questão de ouvir todos os lados de uma questão. Entrevistamos pessoas que pensem diferente. E deixamos as conclusões para o leitor". Impossível levar essa afirmação a sério sabendo que os incompetentes divulgam a tal "dieta do Chico Xavier", ou quando escrevem que o livro de Richard Simonetti é "de piadas". E o pior é quando dizem ter recebido críticas e elogios. Sabe quantos elogios foram recebidos? Cerca de 0,5% de reclamações, de acordo com o fórum estabelecido pelo próprio site da revista para opinar (não é um número oficial, mas até agora são 1800 comentários, e vi pouqíssimos defendendo a revista). Cheque aqui: http://super.abril.com.br/forum/225906_assunto.shtml
9.4.10
Olá R.F. Riesemberg,
Não sabia que a percentagem era essa! Tem o seu quê de cómico afirmar-se que "as opiniões se dividem", de facto...
O artigo da Super brasileira, como já aconteceu com a Super portuguesa, é jocoso, superficial, e decididamente parcial.
Grato pela sua informação.
Abraço,
Mário
9.4.10
Lendo agora o que escrevi, não sei se ficou muito claro. Eu disse que cerca de 0,5% dos comentários são elogiosos, e todo o resto é de repúdio à revista. Mexer com a idoneidade de Chico resulta em uma reação dessas.
Grande abraço!
10.4.10
Ficou claríssimo.
E essa estatística resulta muito do facto de Chico Xavier ter sido alguém que ultrapassou as fronteiras do movimento espírita. Foi um exemplificador de como se pode viver cumprindo os ensinamentos cristãos, na prática, no dia a dia, onde eles realmente contam, que é na relação com os outros e com o mundo, e não no mero cumprimento de obrigações rituais desta ou daquela religião.
Abraço,
Mário
31.8.11
Diretor da SuperInteressante é que é um manipulador safado...
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