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Monoteísmo - 2


Na Wikipédia (que nem sempre é fonte segura, mas aqui está correcta), podemos ler, sobre Moisés:

«Moisés (1592 a.C. - 1472 a.C.[1] em hebraico, Moshe, משה), profeta israelita da Bíblia Hebraica (conhecida entre os cristãos como Antigo Testamento), da Tribo de Levi. De acordo com a tradição judaico-cristã, Moisés foi o autor dos 5 primeiros livros do Antigo Testamento (veja também Pentateuco). É encarado pelos judeus como o principal legislador e um dos principais líderes religiosos. Para os muçulmanos, Moisés (em ár. Musa, موسى) foi um grande profeta. (...)».

Moisés liderou o Povo Hebreu, então cativo no Egipto, para a Terra Prometida, numa Diáspora de 40 anos, pelos desertos do Norte de África e Médio Oriente. Terá sido encontrado, ainda bebé, nas águas de um rio, à deriva, num pequeno berço flutuante, como tantos heróis míticos da Antiguidade.
A fuga dos Hebreus teve na origem a fuga de Moisés à Justiça egípcia. Irritado com os maus tratos a um escravo hebreu, Moisés matou um cidadão egípcio, o que lhe valia a pena de morte, caso tivesse permanecido no Egipto.

Essa fuga de um homem a contas com a Lei, liderando um povo de pastores-escravos, esteve na origem da primeira religião solidamente monoteísta da História. Moisés afirmava receber comunicações "de Deus", que o orientavam na luta contra a autoridade do faraó, na fuga do cativeiro, e na travessia do deserto.

Na interpretação espírita, Moisés, tal como tantas pessoas desde sempre, possuía a faculdade mediúnica. Não provinham de Deus, com toda a certeza, todas as comunicações recebidas por Moisés. Se é certo que pela árvore se conhece o fruto, o Decálogo (os Dez Mandamentos) têm uma origem seguramente elevada, e, se não provêm directamente de Deus, foram transmitidos por Espíritos elevados, detentores da mais pura moral.

Em Moisés, contudo, sobrepõem-se o líder espiritual, fundador da religião Judaica, e o líder político, que ao Decálogo acrescentou cerca de 600 leis que compõem a Lei Moisaica. Esse Código Penal primitivo admitia a escravatura e prescrevia a pena de morte em inúmeras situações. Não pode ter sido Deus, de modo algum, a recomendar, por exemplo, que se apedrejassem até à morte filhos desobedientes.

Noutras passagens do Antigo Testamento, encontramos "Deus" a ordenar que os Hebreus liquidem todos os habitantes das cidades que iam encontrando. E a puni-los por terem poupado as mulheres e as crianças. É de admitir que tivessem sido Espíritos familiares, com afinidade com o povo hebreu, a aconselhar tal barbárie, mas não cabe na cabeça de ninguém que Deus assim ordenasse!

Sem este conhecimento básico, a Bíblia seria mesmo o tal "manual de maus costumes" que o escritor Saramago tanto abomina. Ou que o filósofo Nietzsche aconselhava a que fosse manuseado com luvas, por motivos "higiénicos".

A fé raciocinada ainda não era para aqueles tempos e para aqueles povos. A imagem de Deus transmitida por Moisés era mais a de um chefe autoritário e implacável do que a de um Deus de Amor e de Justiça. De outra forma, não teria sido possível implantar aquela que consideramos a Primeira Revelação. O culto material, as oferendas, o sacerdócio, as prescrições minuciosas na construção de templos e rituais, a Arca da Aliança, foram absolutamente necessárias para uma religião monoteísta ter ganho a adesão do povo e a consolidação de uma identidade Hebraica.

Daí também a ruptura com todos os costumes politeístas assimilados no período de cativeiro. A proibição expressa de sacrifícios e dádivas aos deuses, ou da consulta dos mortos, prendem-se justamente com essa necessidade de edificação de uma identidade cultural, o mais distinta possível da egípcia, e da dos povos politeístas em geral.

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