Francisco Cândido Xavier, filho de João Cândido Xavier e Maria João de Deus, nasceu na cidade de Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais, a 2 de Abril de 1910.
Fazia parte de uma família numerosa constituída por nove irmãos, frutos do primeiro casamento de seu pai, humilde vendedor de bilhetes de lotaria, que, não raro, se via obrigado a percorrer cidades vizinhas em busca do pão quotidiano.
Sua mãe, Maria João de Deus, desencarnou em 29 de Setembro de 1915, quando Chico contava com apenas cinco anos. Do casamento de seus pais nasceram seus irmãos Maria Cândida, Luísa, Carmosina, José, Raimundo, Maria da Conceição, Geralda e Maria de Lourdes.
Em 1917, dois anos após o desenlace da sua primeira esposa, João Cândido se casaria com Cidália Batista, com a qual teria mais seis filhos: André Luiz, Lucília, Neusa, Cidália, Doralice e João Filho.
Francisco Cândido Xavier foi quem mais sofreu com a desencarnação de sua mãe, da qual, diga-se de passagem, jamais se esqueceu na sua longa existência de 92 anos, em virtude de que deixou o seu corpo em 30 de Junho de 2002.
“Minha mãe, de que me recordo haver perdido a presença física desde os meus 5 anos, cultivava a oração com assiduidade e nos educou no espírito da prece. Era muito católica e reunia-nos todas as noites para criarmos o hábito da confiança em Deus.
Quando nossa mãe partiu para a vida espiritual, entregou-nos a determinados amigos; éramos nove crianças.
Perguntei-lhe, nessa ocasião, se ela estava mesmo dispondo de mim, se estava entregando-me a alguém porque não nos amasse (…) Não compreendia que ela estava morrendo.
Minha mãe respondeu que não, que me queria muito, mas que estava para sair de casa a fim de fazer um tratamento; naturalmente, que não me falou a verdade, compadecida que se achava de mim, evitando que eu tivesse um contacto muito violento com a morte.
Ela disse-me que ia sair de casa e que voltaria, para nos retomar em seus cuidados, e que eu ficasse com essa pessoa nossa amiga – uma senhora de muita intimidade dela – e acrescentou que voltaria.
Se ela dissesse que não voltaria mais, eu não acreditaria; para mim, minha mãe tinha sempre a última palavra; era sempre a pessoa da verdade.
No outro dia, faleceu. E, no meu espírito de criança, acreditei que ela ia fazer um tratamento e que eu deveria ficar com essa senhora a que me referi.
Era ela uma dama de grande bondade, mas um pouco nervosa, às vezes difícil. Todos os dias tinha uma crise e, nessas crises, devia eu receber uma surra e, às vezes, três; mas eu creio que tudo isso foi bom para mim.
Começava a ficar desesperado, quando ela passou a sair de casa para passear… Então, a sós, eu corria para debaixo da bananeira a fim de rezar, como minha mãe nos havia ensinado; eu dizia: Meu Deus, ela é doente assim porque não reza…”

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