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Precursores do Advento do Consolador


"Quando uma raça, uma arte, uma ciência, um credo, preparam o seu advento, o homem extraordinário aparece, personificando novas orientações dos povos ou das ideias. Anuncia-se como artista ou profeta, desentranha-as como inventor ou filósofo, empreende-as como conquistador ou estadista".

Este pensamento é do argentino José Ingenieros e retrata uma realidade indesmentível. Em todas as áreas do conhecimento humano há pioneiros que desbravam o caminho.

Aos Homens é dado ampliar os seus conhecimentos pelo raciocínio, pela pesquisa e pela revelação. No campo da Espiritualidade, o Espiritismo admite três grandes revelações principais:

- Moisés, que foi mensageiro da ideia do Deus Único.

- Jesus de Nazaré, que anunciou o Deus de Amor e a vida futura.

- O Consolador, que veio tornar mais precisos os contornos da vida futura, das leis Divinas e das relações do mundo espiritual com o mundo corporal.

Cada uma desta revelações veio a seu tempo, quando a Humanidade se encontrou suficientemente madura para as receber.

Noutras terras e noutros tempos, sem prejuízo do valor destas revelações, outros mensageiros do Alto cumpriram a sua missão de fazer a Humanidade avançar espiritualmente. No Extremo Oriente, em África, nas Américas, na Oceania, Deus não deixou os seus filhos deserdados.

Jesus teve precursores como João Baptista, que pressentiram a chegada do Mestre. O Consolador também teve quem, pelo raciocínio, anunciasse a alvorada de uma nova Era.

Entre os precursores das ideias espíritas destacam-se nomes como o do francês Jean Reynaud (1808-1063), cuja obra "Terre et Ciel" consagrou como um dos maiores filósofos espiritualistas de sempre.

O mesmo se poderia dizer de Charles Fourier, Pierre Leroux ou Louis Jordan. Allan Kardec referia que entre os precursores do Espiritismo haveria que colocar uma multidão de escritores contemporâneos, que em suas obras discorreram sobre a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos Espíritos, a pluralidade dos mundos habitados e a reencarnação - temas que, a par com a crença em Deus, constituem os pilares da Doutrina Espirita.

Diz Kardec, na Revue Spirite, em 1863:

"A única diferença entre eles e nós é que eles encontraram a coisa por si mesmos, ao passo que a nós foi revelada pelos Espíritos"

Já na Revue Spirite, em 1858, Allan Kardec escrevia:

"Parece ter sido reservada à nossa época a tarefa de coordenar esses fragmentos esparsos em todos os povos, a fim de chegar à unidade de princípios, mediante uma harmonia mais completa, e, sobretudo, mais geral das manifestações".

Um dos homens que mais se destacaram, entretanto, na aceitação da vinda do Consolador, foi o Padre Lacordaire (na imagem), que testemunhou pela realidade dos fenómenos que nesses meados do século XIX percorriam o mundo de lés a lés, chamando a atenção dos estudiosos para uma realidade que se opunha frontalmente ao fim da ideia de Deus, decretada pelos filósofos positivistas e ateus.

Recordemos o que escrevemos acima:

«Aos Homens é dado ampliar os seus conhecimentos pelo raciocínio, pela pesquisa e pela revelação.»

No campo da Espiritualidade (ou da religiosidade, como se queira nomear), a Primeira Revelação, a de Moisés, foi apenas revelação, e foi imposta pela força, como convinha a um povo ainda rude.

Com Jesus de Nazaré, à revelação veio juntar-se o apelo ao raciocínio - "quem tiver ouvidos que oiça"...

O Consolador foi revelação, veio numa época de raciocínio e livre exame, mas também de Ciência. A realidade da imortalidade da alma, com todas as consequências filosóficas que dela derivam tem estado desde então ao alcance de todos os investigadores sérios, corajosos, imunes às perseguições dos radicais ateus e dos radicais religiosos. Allan Kardec foi dentre eles o pioneiro.


(continua)

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