Portugal, o país dos famosos "brandos costumes", onde todas "essas coisas más lá do Estrangeiro" deixavam os nativos confusos e ao mesmo tempo agradecidos pela paz do seu cantinho.
Já não é só nos Estados Unidos, no Estrangeiro, no mundo exterior que dantes não entendíamos. Uma criança de 12 anos, segundo se diz farta de ser agredida na Escola, atirou-se de uma ponte. E deixou esta vida.
Dantes a violência tinha um nome. Chamava-se violência. Agora a violência entre crianças e adolescentes chama-se eufemisticamente "bullying". Dantes os adultos marginais e criminosos chamavam-se marginais e criminosos. Agora chamam-se eufemisticamente "cidadãos com problemas de integração".
E assim, de eufemismo em eufemismo, Portugal igualou-se ao "Estrangeiro" e passou a ser um país onde já é perigoso sair à noite nas cidades maiores, onde já há guetos onde nem a Polícia entra, onde palavras como "Polícia", "Lei", "autoridade", "segurança", "ordem", "disciplina", passaram a ser mal vistas e muito mal amadas por certa elite bem pensante que segura as rédeas do Poder.
No meio escolar, que é o que motivou este pequeno desabafo, um leitor do blogue A Educação do Meu Umbigo, fala assim da sua experiência de professor reformado que um dia decidiu voltar á escola como voluntário:
«Eu tive uma experiência recente como voluntário numa escola da Amadora e fiquei aterrado. Miúdos a serem agredidos no corredor com o auxiliar a fingir que não vê… a Professora ao meu lado a olhar em frente. Pior do que isso, o ambiente de medo na própria sala de aula. Pareceu-me que o objectivo central da Professora era chegar viva ao fim do dia.
A experiência de estar em pé em frente a uma turma e de não ser ouvido, ser olimpicamente ignorado, marcou-me. Se isto foi a escola inclusiva que criámos, pois então que venha a escola exclusiva… e depressa. Eu troco já.
Que se devolva a autoridade à escola, a capacidade de excluir quem tem de ser excluído, a capacidade de distinguir entre um caso de disciplina e um de polícia. Na turma à minha frente havia talvez 4/5 miúdos verdadeiramente interessados, completamente engolidos pelos restantes 20… Humilhados quando faziam uma pergunta interessante, enxovalhados quando mostravam vontade de ir ao quadro escrever sobre as “pessoas que eu admiro no meu bairro”. Naquele momento, com o poder na minha mão, eu excluiria de boa vontade. Sem hesitação nem remorso.
Para salvar aqueles 5 eu excluiria os outros. Se isso choca alguém lamento… Mas lamento ainda mais que não seja dado esse poder a quem está em frente a uma turma. Porque não me esqueço do medo que senti nos olhos da Professora ao meu lado.
(...)
“No princípio está a disciplina”… e sem isso não pode haver mais nada. Nem na escola nem na vida.»
Este depoimento foi deixado na caixa de comentários do referido blogue, no post intitulado "Todos Temos Culpa Quando Fingimos Para (Sobre)Viver…, que merece também uma leitura atenta.
Na nossa Sociedade, os agressores são desculpabilizados, escapam as mais das vezes impunes, mercê de leis que demonstram chocante permissividade para quem agride, e... total desprezo por quem é agredido.
Desta forma, os agressores crescem na impunidade, não se emendam, e enveredam por uma vida de crime e possivelmente de estadas periódicas na cadeia. Os agredidos... que se amanhem.
No Profblog, outro professor lamenta a impunidade dos agressores e a impotência de quem os quer socorrer:
«Reina o medo. Quem denuncia a violência (...) fica exposto a represálias profissionais, e a represálias físicas, da parte dos marginais. E NINGUÉM vem em socorro do professor que ousa intervir. Nem as vítimas, por medo de levar mais, nem os pais das vítimas, que, bem à Portuguesa, "não querem é problemas".»
Resumindo: alunos, professores, funcionários, pais, estão de mãos atadas para pôr cobro à violência, quer nas escolas quer no exterior das escolas.
Alguns, não aguentam. Os que são o elo mais fraco, como este menino de 12 anos que se atirou da ponte.


1 comentários:
7.3.10
Ser inclusivo munido apenas de boa vontade e desejo de não ficar para trás nas novas tendências resulta nisso.
Acho que a revisão do modelo pedagógico tradicional, em voga há séculos no Brasil e em Portugal, é urgente!
Mas se é para levá-la a cabo de improviso, que se mantenha por mais um século o atual...
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