"Todas as grandes verdades começam por ser blasfémias" - Bernard Shaw
"E no entanto, ela (a Terra) Move-se" - Galileu Galilei
Se recuarmos a Moisés, à Primeira Revelação, verificamos que a envolveram uma série de dificuldades e sacrifícios verdadeiramente épicos. O Povo Hebreu encontrava-se cativo no Egipto. A reconquista da liberdade, a fuga, o Êxodo, a travessia do deserto em demanda da Terra Santa, que durou 40 anos, coincidiram com a Revelação do Deus Único, dos Dez Mandamentos, com a fundação da primeira religião claramente monoteísta da História.
À época, para povos como os Egípcios, donos de uma cultura portentosa, de um império poderoso, o Povo Judeu, atravessando o deserto guiado pelo seu Deus sem nome, "Aquele Que É", terá parecido um bando de pobres fanáticos patetas. Ao complexo panteão de divindades egípcias, aos seus altivos templos de pedra, os Hebreus contrapunham as suas humildes tendas e um Deus apenas - ainda por cima sem nome...
--------------------------------
Quando Jesus de Nazaré, o portador da Segunda Revelação (a do Deus de Amor e Perdão, a da vida futura e da imortalidade da alma), apareceu na Terra, não podia ter escolhido origens mais humildes. Não veio como rei, como potentado, como sacerdote, como fundador de religiões ou como político.
Nasceu pobre, num estábulo. Filho de carpinteiro, aprendeu e exerceu a profissão de canteiro ou carpinteiro, segundo se pensa. Viveu discretamente até aos 30 anos. Por essa idade, o rapaz humilde e discreto começou a pregar. É relatado nos Evangelhos que as pessoas conhecidas da família iam chamar a Mãe e os irmãos de Jesus, quando este estava a pregar, porque achavam que ele estava louco. Não o entendiam, não penetravam na sua mensagem, e só viam um rapaz - que não era sacerdote! - a falar de Deus e da Vida Eterna.
O "atrevimento" de Jesus custou-lhe a hostilidade dos sacerdotes Hebreus - que se consideravam detentores de procuração divina para terem a exclusividade de falar de Deus e O representar na Terra.
Ainda hoje a religião Judaica não aceita que o Messias prometido pelos profetas do Antigo Testamento tenha sido Jesus o Cristo.
-------------------------------------------------
Os Profetas do Antigo Testamento falaram do Messias que viria um dia. Veio Jesus, o Messias prometido, e falou do Consolador, quer viria, tal como Jesus veio, dar mais um impulso à evolução moral dos habitantes deste pequenino planeta, a Terra.
Veio o Consolador. Não foi uma pessoa, como Moisés ou Jesus. Foi toda uma falange de Espíritos, de homens evoluídos que já viveram na Terra e que se fizeram portadores da mensagem luminosa da Terceira revelação:
- A morte não existe.
- Deus é infinitamente justo e bom.
- O Céu e o Inferno não existem como os pintaram artistas e religiosos.
- A paz e a felicidade são conquistas graduais dos Espíritos.
- A reencarnação dá-nos oportunidade de galgar a escada da evolução.
- Não estamos sozinhos no Universo. Pelos céus rolam mundos como a Terra, uns mais evoluídos, outros ainda a dar os primeiros passos.
- São os Espíritos que se comunicam, não supostos demónios ou "anjos caídos" e votados perpétuamente à prática (impune) do Mal.
------------------------------------
Convencidos de que Deus os escolheu - a eles e só a eles - como seus representantes na Terra, ministros das diversas religiões, príncipes das Igrejas, apressaram-se a proscrever as manifestações espíritas que anunciavam a vinda do Consolador.
"É o Demónio!" - bradavam uns. "É fraude!", acusavam outros.
Alguns padres e pastores protestantes reconheceram que uma nova Era se estava a iniciar. O citado padre Lacordaire, na Europa, foi um deles. Nos Estados Unidos, entre as religiões de raiz Protestante, muitas foram as que reconheceram o conteúdo das comunicações e as suas implicações filosóficas e morais. Um dos pastores protestantes norte-americanos afirmou que se inaugurava uma nova era, de "telegrafia entre dois mundos"...
Infelizmente, outros religiosos não tiveram esse discernimento. A "telegrafia entre dois mundos", em seu entender, era propriedade muito sua. Ainda hoje, a Igreja Católica, por exemplo, reconhece que pode haver comunicação com os chamados "mortos", mas que ela só deve estabelecer-se se do lado de cá do "telégrafo" estiver um padre católico.
Curiosamente, ateus e religiosos estão muitas vezes unidos na tese de que as comunicações dos Espíritos são "fraude", ou que são "superstição". Os ateus negam por sistema ou por desdém. Os religiosos que negam, por sistema ou com intuito de exclusividade. Em ambos os partidos há os que negam por ignorância.
O Consolador, tal como Moisés e Jesus, não escapou nem escapará à perseguição, à troça, e aos ataques.
(continua)


0 comentários:
Enviar um comentário