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Divulgar o Espiritismo é Dever de Consciência


Não foi Allan Kardec o único a reparar que por detrás do passatempo das "mesas girantes e falantes" teria que haver algo ou alguém dotado de inteligência, como já referimos neste pequeno estudo. Allan Kardec teve o mérito de investigar os fenómenos e compilar uma filosofia transmitida pelos seres do mundo espiritual. Havia grupos mediúnicos em diversos países, antes de Kardec, que tinham chegado às mesmas conclusões essenciais:

Quem se comunicava eram os Espíritos, os que haviam vivido na Terra, e estes eram tão diversos em sabedoria e bondade como os habitantes do mundo material.

O Espiritismo enquanto Doutrina constituída teve um primeiro grande impulso com o regresso a Portugal, à cidade de Braga, de três amigos, vindos do Brasil e conhecidos como os Irmãos Cunha. Manuela Vasconcelos, na sua obra "Movimento Espírita Português" (que recomendamos vivamente), pesquisou também a existência de grupos espíritas pioneiros em Leiria e no Algarve.

Portugal esteve já representado no Congresso Espírita Internacional, em Paris, no ano de 1900. No relatório do Congresso, o Dr. Sousa Couto, escrevia assim:

"Tenho provas abundantes para vos afirmar a imortalidade da alma e os inexplicáveis benefícios que derivam dessa verdade. Eu não devo calar a voz da minha consciência nem os gritos da minha razão em prol mde uma verdade que eu considero como adquirida."

"Julgar-me-ia indigno de viver no meio dos homens se guardasse só para mim os frutos das minhas investigações; achar-me-ia desprezível aos olhos meus próprios olhos se quisesse conservar o monopólio dos seus resultados. Em suma, seria uma preguiça moral imperdoável, não merecendo nenhuma desculpa, mas sim o estigma da infâmia, se se não afirmasse bem alto, a persistência do EU, em face das provas que obtive.

Que importa a crítica, o desdém, o sarcasmo, desde que a consciência, a probidade, a verdade, fiquem de pé?...".

A crítica, o desdém e o sarcasmo, com efeito, acompanharam o movimento espírita, não só em Portugal, como no Estrangeiro. Nuns casos com mais, noutros com menos ferocidade. O Espiritismo, por ter sido trazido pelos Espíritos, colide com algumas concepções e interesses instalados.
Os Primeiros Cristãos também eram perseguidos e sacrificados, e o martírio de Jesus de Nazaré é o testemunho mais eloquente de como as jogadas políticas de bastidores não hesitam em esmagar os mais belos ideiais...

Tivesse esta Doutrina sido produto da intuição de um homem, e decerto não teria encontrado tão acirrados opositores. O facto de ter sido trazido pelos Espíritos, faz com que caiam pela base os postulados materialistas. O Materialismo, aliás (não os materialistas!) é justamente eleito pelo Espiritismo como o adversário a combater. Incansavelmente!

Do Espiritismo, as religiões só podem esperar a confirmação dos seus dogmas essencias, comuns a todas: a existência de Deus e a imortalidade da alma.

Nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, entre os espíritas presentes, sentavam-se judeus, bramanistas, adeptos de várias religiões. Foi dentre as fileiras das religiões cristãs, com destaque, no início, para a religião católica, que o Espiritismo sofreu as maiores perseguições. E, curiosamente, o Espiritismo assumiu-se como cristão desde o seu nascimento, afirmando não ter vindo para "destruir a lei" - antes pelo contrário - tal como Jesus.

Para as hierarquias religiosas da nossa era, como para os sacerdotes das antigas religiões, o vulgo nunca está pronto para ampliar os seus horizontes, e saber, baseado em factos indesmentíveis, que a morte não existe!

A aposta do Espiritismo foi desde sempre a oposta: divulgar, divulgar, divulgar.

Decerto que não batendo à porta das pessoas e "impingindo-lhes" o Evangelho, ou a nossa concepção sobre o Evangelho, como fazem algumas religiões. Mas colocando a candeia sobre o alqueire, como Jesus aconselhou. Assim, quem quiser aproxima-se da sua luz...

Em finais do século XIX e início do século XX, as revistas espíritas já circulavam em Portugal, e os jornais nacionais relatavam as actividades da Doutrina nascente. Hoje, com as novas tecnologias de informação e comunicação, associações como a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, procuram ser dignas continuadoras da obra dos que trouxeram esta Boa-Nova para o nosso País.


(continua)

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