Spiga

Vendedores de Milagres


Noticia o jornal Público de hoje em edição digital, que "o estado do Rio de Janeiro entrou em 2010 com chuvas fortes e deslizes de terras. O mau tempo fez, desde quarta-feira, 36 mortos naquela região do Brasil."

Pergunto-me se os vendedores de milagres que foram contratados para manter as chuvas longe da cidade irão devolver os pagamentos (caso os tenham recebido), ou se irão pedir desculpas públicas. Mas quem garante que afasta chuvas, também não terá sentido de responsabilidade para tal...

Mais uma vez fica patente que a Natureza segue o seu curso segundo leis imutáveis, que, para nós, crentes, são as fixadas por Deus. Não conhecemos Deus, não temos a pretensão de saber mais de Deus que os outros, mas deduzimos da organização, complexidade e perfeição do Universo, que este tem uma origem inteligente.

Como cristãos que somos, aceitamos e confiamos nas palavras de Jesus de Nazaré, que nos veio falar de um Deus único, infinitamente justo, bom e perfeito. Por isso não cremos que Deus modifique as leis da natureza a troco de "subornos", sejam eles flores, velas, ou promessas. Tão pouco damos crédito aos que se anunciam dotados de capacidades sobrenaturais, que se apresentam como escolhidos, como especiais, capazes de milagres e prodígios. A humildade é que diferencia os verdadeiros dos falsos cristos e falsos profetas. O espalhafato, o orgulho e a inconsistência moral e intelectual é que os denunciam.

Para as 36 pessoas que desencarnaram (morreram), chegou a hora do regresso à Pátria Espiritual. Para os nosso irmãos que se debatem com os prejuízos das cheias, é mais uma prova a passar, oportunidade de cultivar qualidades como a resignação activa. Aos que partiram todos podemos valer com as nossas preces. Aos que ficaram, podemos valer com preces, com ajuda braçal na reconstrução, e com donativos de dinheiro ou materiais de construção. As organizações de solidariedade não deixarão de estar na vanguarda desse tipo de ajuda.

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