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Alamar - "Desencarnações colectivas e argumentos espíritas"

Desencarnações coletivas e argumentos espíritas

A tragédia do Haiti

Já que este e-mail vai para o meu segmento de amigos espíritas, tenho certeza, quase absoluta, de que a grande maioria dos leitores vai imaginar:

- “Lá vem o Alamar, como mais um, a escrever que os mortos do terremoto do Haiti, todos, eram aquelas pessoas que estavam na arena romana, promovendo a matança dos cristãos”.


E não é para menos. É o que se espera pensar mesmo, e é exactamente por isto que eu estou aqui a escrever este artigo, para a reflexão de todos.

Se acharem que eu estou exagerando, que o que estou dizendo não é bem assim ou que a minha abordagem vai de encontro à Doutrina Espírita, por favor, podem falar. Mas me venham com argumentos lógicos e sensatos, que estejam verdadeiramente ao encontro da Doutrina e não com opiniões que não estejam solidamente formadas. Discordar por discordar, para mim, não tem relevância nenhuma.

Vamos lá:

Você já percebeu que toda vez que acontece uma tragédia qualquer, quando morrem muitas pessoas, sempre aparece algum espírita para escrever ou dar declarações para algum órgão de imprensa, com aquela mesma argumentação de que os mortos foram todos carrascos dos cristãos que foram massacrados na arena romana?

Quando o Boeing da VARIG caiu no aeroporto de Orli, em Paris, em julho de 1973, matando a Leila Diniz, o cantor Agostinho dos Santos e vários brasileiros, fizeram um programa de debate na televisão, em rede nacional, para falar do assunto, e lá estava um convidado espírita, explicando, “à luz da doutrina espírita”, que, com certeza, todos os mortos eram aquelas mesmas pessoas que estavam na arena romana, queimando cristãos. Ainda dizia o tal do "COM CERTEZA".


Lembro-me quando do terremoto do México, apareceram espíritas dizendo que todos os mortos eram as mesmas pessoas que estavam na arena romana, queimando cristãos.

A mesma argumentação, exactamente a mesma, usada por espíritas, surgiu também quando caiu o boeing da Vasp, em Fortaleza, matando o amigo Edson Queiroz; também quando do desastre do Focker 100 da TAM, em 1996, em São Paulo; o Boeing da Gol, na Amazónia; novamente o outro avião da TAM que explodiu em 2007 em São Paulo... enfim, todos eram as mesmas pessoas que estavam na arena romana, queimando cristãos?

Gente! será que existe sensatez nisto?


Conforme todo mundo sabe, no início da década de sessenta, quando houve aquele pavoroso incêndio no circo de Niterói, no Rio de Janeiro, ao ser questionado sobre as razões pelas quais tanta gente havia morrido queimada, daquele jeito, inclusive crianças e pessoas “inocentes”, o Chico Xavier deu uma explicação, tendo identificado aquelas vítimas, como um grupo que, em encarnação passada, estava num circo romano, incentivando a queima de cristãos. Então, a administração espiritual resolveu reuni-las novamente e fazerem passá-las pela mesma experiência que haviam submetido os outros. Lei de Causa e Efeito.


Mas algo precisa ficar bem claro para os espíritas: O Chico se referia àquelas vítimas do incêndio do circo e não a todas as pessoas que desencarnam em todas as outras tragédias do mundo, onde morre muita gente ao mesmo tempo.


Eu recebi um e-mail, esta semana, informando que parentes de uma das vítimas do desastre do avião da TAM, de 2007, entrou com acção judicial contra um espírita que, recentemente, escreveu que todas as vítimas... todas, incluindo os seus parentes... eram carrascos, pessoas más e assassinas, que queimaram cristãos em Roma.

Não é fácil, para o cidadão comum, ainda envolvido no sofrimento pela “perda” de um ente querido, escutar alguém dizer que esse ente era bandido, carrasco, assassino ou coisa parecida, posto que, na convivência com ele, sempre o identificou como uma pessoa honesta, digna, bom pai de família ou bom filho e em conduta de vida que nada teve a ver com pessoa bandida e muito menos assassina.

Não importa, para ela, se nós, espíritas, argumentemos que ela pode ter sido uma pessoa boa na última encarnação, mas em encarnação passada ela fora bandida!


Quem é que nos dá essa certeza tão absoluta assim, a ponto da gente sair afirmando?

Embora saibamos que o processo reencarnatório é sempre evolutivo, que o espírito não regride e que, em encarnações passadas, éramos inferiores ao que somos hoje, quem de nós é possuidor de algum instrumento de medida que possa determinar em qual época e em qual encarnação fomos monstros e assassinos? Será que fomos mesmo?

Há dois mil anos, por exemplo, nem todo mundo era monstro, nem pessoa má e muito menos assassina. Teria sentido, por exemplo, uma daquelas pessoas que viveram naquele tempo e que esteja encarnada hoje, ter que dizer que fora assassina e que queimou gente, quando estava encarnada naquela época?

Há muita bobagem sendo dita por espíritas, tanto nos centros quanto nos escritos que publicam.
Você já reparou que espírita adora dizer “Eu não fui nada que presta em encarnação passada”, “Eu não fui flor que se cheire” e essas coisas?


Eu, como divulgador da doutrina, com toda a disposição que sempre tive em procurar fazer pela divulgação aquilo que, durante décadas, o movimento espírita nunca teve coragem, disposição, garra, determinação e boa vontade de fazer, sempre ouvi muitos espíritas dizerem que COM CERTEZA eu fui um inquisidor, em encarnação passada, que eu queimei muitos espíritas na fogueira e levei outros à guilhotina. O pior é que sempre colocam a praga do "com certeza".

Pelo que eu já apurei, embora não veja relevância em procurar ficar sabendo quem fui em encarnação passada, obtive a informação de que eu, de fato, fui um membro da igreja católica, padre e depois bispo, na Áustria, mas que nunca me vi envolvido com perseguição religiosa nenhuma, porque a minha paixão era pela música, apaixonado pelas músicas de Johann Strauss e as grandes valsas vienenses.

Foi uma informação que, para mim, se confirmou, porque, de fato, quando eu era criança, nesta encarnação, vivia celebrando missa o tempo todo, dentro de casa, em Vitória da Conquista, na Bahia e até roubava hóstias na sacristia da igreja matriz de Nossa Senhora das Vitórias, toda vez que o sacristão Sterlino dava moleza. Eu adorava dar comunhão para as crianças da vizinhança. Ao mesmo tempo, também desde criança, sempre me emocionei, chegando até as lágrimas, toda vez que tocava uma valsa de Strauss, sem que soubesse os motivos, escondendo a cara, para ninguém perceber. Até hoje faço um certo esforço para conter a emoção.

A médium, que me passou a informação, em Salvador, nunca soube disto e ninguém também sabia destas coisas, a não ser alguns parentes mais próximos.
Agora fica a dúvida: Por que espíritas gostam tanto de dizer que foram bandidos e que não foram nada que presta? Será que, necessariamente, todo espírita, tem que ter sido bandido? O que eu sei é que muitos são, hoje!!!

Será que no século 18, por exemplo, todas as pessoas eram bandidas e queimavam gente viva, posto que, se estão reencarnadas hoje, afirmando que na encarnação passada não era nada que presta, certamente estão querendo fazer crer isto?
É por isto que digo sempre: Há muita bobagem, no meio espírita, há muita gente abrindo a boca, achando que está falando maravilhas, como o tal melhor do que mereço”, “Eu não valho coisa nenhuma, qualquer outra pessoa aqui no centro é melhor do que eu”, “Que nada, eu não estou bonita não, são seus olhos” e toda essa palhaçada.

Você já percebeu o tal do "são seus olhos", que virou moda? hoje é a última moda, para ostentar a "tar da humirdade". Não se pode dizer que um espírita tá bonito, ou tá bonita, que já vem logo a evolução do: "Que nada, são seus olhos".


A TRAGÉDIA DO HAITI

Consta que morreram mais de 200 mil pessoas no terremoto do Haiti. Será que esta quantidade enorme de gente estava mesmo na arena romana, queimando cristãos?
Será que a Administração da Espiritualidade Superior, não pode, também, colocar algumas centenas e alguns milhares, que assaltaram e mataram pessoas na rua, outras milhares que destruíram outras pessoas pela calúnia e o mau caratismo; outras milhares que estiveram na política, roubaram o dinheiro público e, por consequência disto, fizeram muitos pobres morrerem; outros que já estavam com a programação de desencarnação prevista para agora, por DIVERSOS motivos... juntou tudo e fez que a desencarnação ocorresse no mesmo lugar?
Será que não vale a pena a espiritada pensar melhor sobre certos conceitos que formaram e sai todo mundo repetindo, repetindo, repetindo... sem raciocinar?



A concepção do NOSSO LAR e do UMBRAL, para alguns

Deixe eu contar outro caso aqui, para você perceber a que ponto chega a falta de concepção do que realmente é o Espiritismo:


Há uma pessoa, que faz parte da direcção de um centro espírita em Nova York, nos Estados Unidos, daquelas que sempre se apresentam como defensoras da “pureza doutrinária” e que, inclusive, se acha qualificada a vetar palestrantes para falar no “seu” centro, sob o argumento do cuidado com a doutrina. Essa pessoa, certo dia, estava fazendo uma palestra no centro, em Nova York, e em determinado momento, começou a dizer que as pessoas, quando desencarnam, devem ir para Nosso Lar, mas muitas delas, a maioria, deverá passar primeiro pelo Umbral
...


Obviamente ela queria dizer que todas as pessoas que vivem lá, em Nova York, ao desencarnarem vão, em algum momento, conhecer o Laerte, Clara e Priscila, no Umbral, mais tarde o Clarêncio, o Lísias, o Ministro Célio, dona Laura e toda aquela turma, exactamente aquela turma que o André Luiz, conviveu. Na sua cabeça, deve existir um aerobus, no mesmo modelo relatado por André Luiz, há quase um século atrás.


Gente! isto é fé cega! Tão cega quanto o religioso que se encerra na Bíblia, como palavra de Deus, como infalível e verdade única e absoluta.

Muitos espíritas vêem o Umbral, relatado por André Luiz, como sendo o Inferno, para toda a humanidade e o Nosso Lar como o Céu, também para toda a humanidade, para o mundo inteiro.
Tudo indica que supõem que a tecnologia lá, nos dias de hoje, seja exactamente aquela relatada no Nosso Lar, coisa de um século atrás, esquecendo que, assim como aqui na Terra a tecnologia evoluiu, lá também, onde tudo começa antes, certamente aperfeiçoou também. Imagine se em nossas cidades, hoje, os meios de transportes fossem os mesmos do início do século passado.

Aqui entre nós, há 50 anos, nem se pensava em falar em telefone celular (desculpem, amigos de Portugal, porque aí se chama telemóvel), Internet, MSN, forno micro ondas, computador em casa etc... Hoje tá tudo diferente. Imagine no mundo espiritual.

É preciso que todos os espíritas entendam que a Colónia Nosso Lar não e céu espírita nenhum e resume-se, apenas, a uma pequena região, acima do Rio de Janeiro e não pode ser vista como de âmbito universal.

Assim como “Nosso Lar”, certamente deve existir inúmeros milhares de colônias, não apenas acima do Rio, mas também acima de Fortaleza, de Manaus, de Recife, de Itapipoca no Ceará, de Paris, das cidades do interior do Irão, do Iraque, da Nigéria, da Rússia e de toda parte deste planeta.

Fazer palestra em Nova York e ficar dizendo que as pessoas, de lá, ao desencarnarem, vão encontrar dona Laura, Lísias, Célio e outros é desconhecer totalmente a essência do que André Luiz quis ensinar para nós. É visão estreita demais.

Quem morre lá, certamente, em lugar de Clarêncio, deve encontrar Mr. Smith, Mr. Stanley, Mrs. Margareth etc... tudo indica em contextos bem diferentes.

E ainda é espírita que fala em pureza doutrinária, se achando em condições de avaliar quem é e quem não é bom palestrante espírita. Deve ser, mais ou menos, com essa figuraça, de Nova Friburgo, que respondeu o email ao meu amigo.

O Futuro do Espiritismo será aquilo que os espíritas fizerem dele

Tem muito espírita maravilhoso, fazendo trabalhos belíssimos, por este mundo afora. Cada obra espírita, fantástica, que a gente tem oportunidade de ver, andando por este Brasil, gente estudando e debatendo com inteligência e bom senso, com racionalidade, com respeito a liberdade de pensamento e expressão dos outros. Tem outras pessoas desenvolvendo trabalhos magníficos, mais especificamente no lado da assistência, como é o caso das inúmeras creches, lares de idosos, lares de adolescentes, como um maravilhoso que eu tive o prazer de ver e fazer palestra, ano passado, em Colatina. Enfim, a acção de espíritas maravilhosos é algo que ninguém pode querer dizer que não existe.

Mas também, em compensação, gente, o que tem de espírita aí que, em vez de tomar água fluidificada, parece que toma limonada purgativa ou um outro laxante qualquer, pelo efeito que acontece pelo que dizem e que fazem, é algo impressionante.

Conheçamos Kardec melhor, gente, para entendermos um pouco melhor a nossa doutrina.

Abração,

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

http://www.redevisao.net/

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6 comentários:

Catsone

19.1.10

Este Alamar põem o dedo na ferida. Eu, no entanto, nunca tinha ouvido a história dos presentes na arena romana a queimarem cristãos. Parece-me que não foram apenas cristãos que sofreram no passado, certo.
Mas ri-me um bocado...

Saudações a todos.

Anónimo

21.1.10

Olá

Este texto do Sr. Alamar, está um espectáculo. Com excepção dos julgamentos morais (quando dizemos que há espiritas que fazem tudo mal, que compreendem tudo mal, sem identificar casos concretos, quando generalizamos, estamos a dar uma imagem errada dos espiritas, na minha modesta compreensão).

Aqueles que são conhecidos são uma minoria. E esses contam muito pouco.

São aqueles que semana a semana conduzem e realizam os trabalhos nos Centros Espíritas, no silêncio, sem alaridos, que fazem realmente a diferença. E devemos respeitá-los e incentiva-los. Ajudando-os, se possível a fazer mais e melhor.

Mesmo com imperfeições e dificuldades há muitos espiritas que conheço, que não são contados entre dirigentes nem entre gente mediática (mediática no restrito universo que são as pessoas que conhecem o espiritismo minimamente, que infelizmente ainda não é significativo a nível mundial - Deus queira que eu esteja enganado).

As pessoas não são burras, e o que lêem em nós, não é o que dizemos, mas o exemplo de nós mesmos que lhes apresentamos.

Sem julgamentos morais, que não são o meu objectivo, o que e estou a tentar é suavizar a agressividade do texto, a negatividade da generalização sem fundamento, que diz que há muitos que dizem assim, há muitos que fazem assim, há muitos que dizem "assado", sem concretizar de quem se fala ( e isso só é útil dizer se for para proteger terceiros).

Pergunto-me sempre porque é que o estilo do Sr. Alamar, que por um lado é muito positivo, corajoso, ele não tem papas na lingua, me choca quase sempre.

O que me deixa apreensivo é a generalização sem fundamento:

- há espiritas que fazem isto errado;

- há espiritas que fazem aquilo errado;

Para arrefecer dizemos: mas também há alguns espiritas que são fantásticos (não sei é se serão deste mundo...)

Amigo Alamar

O Sr. tem muito talento e parece-me uma pessoa muito corajosa e muito bem intencionada. Faz a diferença no movimento espirita.

Mas uma ligeira mudança de estilo, sem generalizações que possam desanimar quem luta diariamente, no anonimato, a bem da causa espirita (exemplos vivos da caridade Cristã, por muitos defeitos que possam até ter)

O espirita que presta aquele serviço que vive da preserverança, da paciência, da abnegação, no dia a dia, no anonimato, é muito mais importante do que as figuras mediáticas. Mas cada qual no seu papel.

um amigo da causa espirita

André

21.1.10

Olá amigo Anónimo,

Onde o amigo vê um estilo agressivo, eu vejo simplicidade e transparência. São opiniões, que têm lugar num movimento livre como o nosso. Aliás, o Alamar é a afabilidade e simplicidade em pessoa.

Abraço

Anónimo

21.1.10

Olá André

É verdade amigo. Se todos gostássemos do amarelo, que monótona seria a vida...

Ainda bem que há diversidade de opiniões, senão como aprendíamos amigo?

Não fiz uma critica ao Alamar, mas um apelo. Fui sincero e acho que isso é ser amigo. Aqueles que só nos dão palmadinhas nas costas não são os nossos amigos. São aqueles que são sinceros.

se eu achasse que o sr. Alamar não merecia o meu tempo, não tinha escrito o que escrevi, compreende amigo, por favor...

Um adepto da causa espirita

daniely

21.4.10

Para cada acontecimento que nos vier na vida. Pare e olhe com outros olhos com certeza vc vai encontrar a resposta e a aceitação para tudo.

Daniely

Anónimo

16.10.10

Devemos entender que o ser humano é cheio de defeito,e por isso não há como as coisas serem perfeitas.Devemos nos aprimorarmos para melhorar as situações,rezarmos,e evitarmos conclusões precipitadas para melhor nos relacionarmos no mundo,isso também é cristianismo.

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