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Raptos e Espiritismo - Conclusão


Voltando à questão inicial - a dos raptos - e para concluir, fiquemos antes de mais com a ideia de que o raptado de hoje nem sempre é o raptor de ontem. Os mecanismos de evolução e de progressiva vivência das Leis Universais é mais subtil que o "olho por olho e dente por dente" do Antigo Testamento, a pena de talião herdada do Código de Hamurabi.

Para essa Humanidade primitiva representava um progresso que os delinquentes fossem punidos. E era igualmente uma inovação benfazeja que fossem punidos apenas na medida em que haviam transgredido.

Na lei civil de Moisés encontramos ainda exemplos de que o Código de Hamurabi não tinha sido bem entendido pelos Hebreus. Recomendações bíblicas como a de matar os filhos desobedientes à pedrada, são exemplos da mentalidade ainda rude, do fraco sentido de justiça que os homens possuíam nessas épocas, e em caso algum poderiam provir de Deus.

Um ser pode expiar erros passados submetendo-se a um programa reencarnatório que inclua o ser raptado. Nesses casos, os Bons Espíritos, agentes da vontade de Deus a que os Antigos chamavam anjos, não intervêm no curso dos acontecimentos pré-programados, como diz o Winston.

Noutros casos, a Espiritualidade pode intervir, desde que tal esteja nos desígnios de Deus. os médiuns espíritas não fazem esse tipo de trabalho, pois a mediunidade no Espiritismo serve outros objectivos, mas há médiuns que actuam em equipa com a Polícia, em países como os Estados Unidos.

Quando alguém regressa à Pátria Espiritual, pelo fenómeno natural da morte do corpo. Contempla então a sua vida terrena que finda, e faz o balanço das suas acções (o Juízo Final). Em preparação de novas encarnações pode escolher passar pela pena de talião, submetendo-se a experiências dolorosas que fez os outros sofrer. Mas também pode optar por ressarcir as suas dívidas pelo trabalho no Bem, pelo espargir de amor em boas obras.

A balança divina há-de ser forçosamente muito mais acertada que a dos tribunais terrenos, pois Deus é Infinita perfeição.

A ideia de um Deus que exige sofrimento e castigo não é consentânea com os nossos tempos, tal como Vingança não é Justiça.
Com a evolução gradual das coisas, os raptos deixarão de existir, tal como hoje já são cada vez mais raros a pena de morte, os duelos, a tortura e tantos outros costumes bárbaros que eram moeda corrente no passado.

O Espiritismo, ao clarificar o sentido da mensagem cristã, acende luzes de esperança no coração dos sofredores. Todo o sofrimento é transitório, e as dores de hoje redundarão em felicidade e equilíbrio amanhã. Caminhamos para a Harmonia e para a Paz. Quando o trabalho na edificação do Bem não consegue seduzir os nossos corações endurecidos, o sofrimento com sentido ajuda-nos a evoluir.

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