Nos idos de 1600-1200 a. C., na território que é o actual Irão e se chamava então Pérsia, viviam os persas, provenientes de tribos que haviam migrado da Índia, o berço Civilização. Zaratustra, um filósofo e sábio persa, defendia a ideia da existência de um Deus Único, ao qual chamou Ahura Mazda.
Como modo de popularizar o culto do Deus Único, e destronar o culto politeísta entre os persas, Zaratustra instituiu o culto do fogo, não como divindade, mas como símbolo e manifestação. O fogo que está presente em outras manifestações religiosas, nomeadamente hebraicas, tal como podemos constatar no Antigo Testamento, na história do povo Hebreu, que no seu Templo oferecia sacrifícios a Javé (ou Jah, ou Jeová, o Deus Único), pelo fogo.
Zaratustra, nessa época longínqua, não tinha explicação para o facto de Ahura Mazda, o Deus Único, permitir injustiças e sofrimentos. Foi por isso beber à tradição politeísta, aos deuses de destruição, para conceber a figura de Ahriman, o opositor, o destruidor. Pela primeira vez na História da Humanidade terrena, aparece um sistema de crença que reúne num Deus Único os atributos de todos os deuses do politeísmo, mas também aparece um Opositor que reúne em si as características dos deuses de destruição do politeísmo.
Deus e o Diabo, portanto.
O Mazdeísmo foi das religiões mais avançadas e continua a sê-lo na actualidade. Tal como a generalidade das religiões, não conseguiu, contudo, resolver o contra-senso flagrante que existe entre
- a existência de um Deus Justo e Bom, mas que permite o sofrimento.
- um Deus Todo-Poderoso, mas que admite um rival, chame-se este Ahriman ou Satanás.
Nós, espíritas, consideramos que a doutrina do Diabo e das penas eternas é flagrantemente contra a Caridade cristã. Admitir que Deus possa ter um rival é negar-lhe o atributo da omnipotência. Admitir que Deus possa tolerar a existência de um ser destinado a fazer perder a Humanidade, é negar a infinita bondade de Deus.
A insuficiência de explicações para o sofrimento humano tem sido a causa da perda de Fé de milhões e milhões de pessoas. A Razão não se coaduna com a concepção de um primeiro casal humano, do "pecado original", da existência de um "Satanás" pessoal e rival de Deus, ou da necessidade do "resgate" do pecado original ( a história da maçã), através da crucificação de Jesus.
Temos Jesus em muito maior consideração que a de um mero cordeiro sacrificial. E temos Deus em consideração incomensuravelmente maior que a de um ser caprichoso que exige derramamento de sangue por causa de caprichos de macieiras.


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