O rapto de pessoas é um duro sofrimento, quer para as vítimas, quer para os seus familiares e amigos, e para todos aqueles que se apiedam da dor alheia.
- Porque permite Deus tais coisas? - é a pergunta que muita gente faz nessas ocasiões de intenso padecimento.
Desde que o Homem começou a pensar, que questiona o sofrimento. Doenças físicas e mentais, guerras, solidão, malformações físicas, acidentes que matam e mutilam, mortes prematuras, fome, injustiça social, epidemias, catástrofes naturais, são alguns dos protagonistas do cortejo de misérias que marca a vida no nosso planeta.
As religiões têm os seus mitos de Criação, nos quais está presente a origem do Mal. Para as religiões Judaica, Muçulmana e Cristã, a origem do Mal situa-se no facto de Adão e Eva terem comido uma maçã de uma árvore proibida.
Então Deus, "zangado" com tamanha desobediência, terá permitido que toda Humanidade passasse a nascer "marcada" com o defeito de Adão e Eva. Nessa linha de raciocínio, uma criança nasce deficiente, um avião despenha-se e morrem todos os seus ocupantes, uma pessoa é raptada, devido ao facto de há milhares de anos um homem e uma mulher terem resolvido degustar uma saborosa maçã...
Mito decalcado das culturas Antigas, encontramo-lo, com variações, entre os Antigos Egípcios, Babilónios, Persas e tantos outros, passavam esse conceito na tradição oral e mais tarde registaram-no na escrita e na imagética.
A simples ideia de um primeiro homem e de uma primeira mulher, foram cilindradas pela Ciência, no século XIX. Para além de não fazer qualquer sentido do ponto de vista moral, que hoje Fulano morra de fome porque Adão comeu uma maçã, é hoje claro e absolutamente incontestável que a Humanidade terrena não descende de um casal primordial!
Nem a Humanidade descende de Adão e Eva, nem a Bíblia é um relato infalível ou uma repositório de verdades absolutas, nem ninguém sofre por causa de maçãs ingeridas por antepassados longínquos.


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