Spiga

"Quisera que a mensagem de Jesus fosse compreendida"


Quisera que a mensagem de Jesus fosse devidamente compreendida por todos aqueles que se dizem cristãos, porém o que vemos são muitas pessoas que usam a religião para propagar posturas sectárias, preconceituosas, primitivas e intolerantes com quem se reserva ao direito de não se balizar em religião alguma, como eu.

Tentam a todo custo, autoritária e arrogantemente, como se detentores da verdade fossem, impor sua confusa noção de 'moral' e rectidão através de dogmatismos anacrónicos e que nada obstante causam muito mais conflitos em vez de ajudar a solucioná-los, assim desconhecendo e desrespeitando profundamente o ser Humano em sua riqueza existencial, que se dá através de uma profusão de experiências intrínsecas à interioridade de cada um.

Jesus Cristo não segregou ninguém, muito menos criou religião alguma. A quem já desenvolveu devidamente o autocontrole, não é necessário religião alguma para, através da imposição de medo e culpa, exercer a função de tutela de indivíduos livres. Sob um ponto de vista antropológico, filosófico, sociológico e psicológico, percebe-se claramente que esta foi a função - estritamente necessária - das religiões, notadamente as de matiz judaico-cristão.

Séculos atrás foi preciso que houvesse uma separação entre ciência e religião, para que clérigos e autoridades eclesiásticas tão influentes à época não interferissem no trabalho das mentes que tanto se esforçaram para nos ajudar através da descoberta de benesses científicas e tecnológicas das quais usufruímos até o presente momento. Lamentavelmente, ainda hoje vemos muitos destes supostos religiosos a camuflar suas importantes patologias de ordem psicológica e fomentar o sectarismo, a beligerância, a xenofobia e as várias formas de discriminação, aproveitando-se de inteligências menos afeitas ao raciocínio crítico para disseminar suas posturas completamente antagónicas aos aforismos de Jesus.

No entanto creio que está próximo o momento de compreendermos que Deus é a própria Consciência Criativa, que também está presente em todos nós, e fora da qual absolutamente nada existe. A nossa luta real é contra nosso próprio ego, ou melhor, contra a identificação que criamos com ele, que nos leva a pensar equivocadamente que nós somos ele, quando na realidade o ego existe unicamente para que actuemos no mundo material.

A visão que o cristianismo popular passou de Deus - no qual foi muito ajudado pelas descrições épicas da Bíblia - um ser punitivo e autocrático, com longas barbas e que fica localizado em algum lugar do céu, este arquétipo será, creio, o primeiro a evoluir, até mesmo porque atenta contra a Lei de Conservação da Energia, comprovada pela física newtoniana. Não existe dualidade, somos todos um, e ninguém está separado de Deus, do Universo e muito menos um do outro.

Comprovar este fato será a função da Filosofia, da Ciência e da verdadeira Religião, durante os próximos tempos.

Cesar Margatto
Livre-docente de Filosofia



O nosso agradecimento ao autor deste texto de que tanto gostámos. César Margatto é um bom amigo deste blogue e fez-nos a gentileza de nos ceder o texto para publicação. César não é espírita.

André Afonso

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1 comentários:

Denise

31.12.09

Olhem que bem que aqui tombou este texto do César Margatto! Amanhã levo-o em link para o ofertar a uma amiga querida que não simpatiza lá muito com o Nazareno ;-)

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