Olá me chamo Andréa fui casada por 21 anos e me separei a 02, ainda não entramos com o pedido de divorcio, porém nossa separação foi de comum acordo sem briga sem ressentimentos, sem traição, só percebemos que não dava mais e como temos 3 filhos, conversamos e explicamos o que estava acontecendo, mais com muito respeito sem os envolver em nossos problemas conjugais. Continuamos amigos e cuidamos um do outro mesmo morando em casas separadas e os nosso filhos nos admiram, pois nunca falamos mau um do outro para nenhum deles, pois a nossa conversa foi explicar que nós deixaríamos de ser marido e mulher, porém continuarímos sendo seus pais. Gostaria de saber sob sua visão o que o espiritismo acha dessa situação
Convém que assentemos ideias, antes de mais, numa coisa:
Ninguém se divorcia por diversão ou capricho.
A não ser que se trate de alguém com problemas mentais, a decisão de uma separação é sempre dolorosa, angustiante e muito exigente em termos de discernimento e senso moral. Há quem declare ser "contra o divórcio". Mas quem é que não é "contra o divórcio"? O divórcio é de evitar a todo o custo, e só é defensável quando se destina a evitar um mal maior.
Um mal maior pode ser, por exemplo, um dos cônjuges correr perigo, pelo facto de outro se ter tornado violento. Isso acontece, por temperamento, por causa de álcool ou de drogas, por causa de obsessões.
Um mal maior pode ser um dos cônjuges ter enveredado pelo caminho do crime. Ou da conduta moral dissoluta.
Um mal maior pode ser um dos cônjuges ter-se tornado dependente de algum vício, como as drogas ou o jogo, que ponham em perigo a subsistência da família, com destaque para as crianças, se as tiverem.
Um mal maior pode ser um casamento precipitado, ou por arrebatamento passional ou por imaturidade, e que a convivência dos cônjuges se torne impraticável, quando chegados a uma idade em que começam a saber "quem são e o que querem"...
Não é preciso ser-se cristão, tão pouco é preciso ser-se espírita, para se considerar que tudo o que é possível deve ser feito para evitar um divórcio, e mais ainda se existirem crianças. Mas é também pelas crianças que o divórcio pode ser a solução menos má, se se verificarem problemas como os que acima exemplificámos, e caso se mostre impossível resolvê-los.
A prece, o diálogo, o aconselhamento matrimonial, tudo deve ser feito. Mas se não houver outra solução, o divórcio deve ser encarado sem complexos de culpa, que nos foram inculcados sobretudo por algumas religiões, e para os quais não há motivos racionais.
Quando encaramos qualquer problema, e depois de ouvirmos todos os conselhos, a decisão cabe-nos a nós - no caso de nos guiarmos pela nossa consciência! Por vezes, aderir a um estilo de vida, a uma filosofia ou a uma religião que ditem condutas de forma absoluta e inapelável, é uma maneira de fugirmos à responsabilidade de usarmos a nossa consciência.
Jesus disse: "Não separeis o que Deus uniu"
Esta afirmação costuma ser entendida pelas religiões como uma proibição do divórcio. Para nós, espíritas, como para outras pessoas não espíritas, esta frase é entendida no sentido conselheiro e não autoritário que caracteriza toda a mensagem e a postura de Jesus de Nazaré. Jesus não proíbe que se separem duas pessoas que já estão separadas no coração, que apenas coabitam por razões económicas, por medo de represálias, por receio da reprovação social, ou por qualquer outro motivo lastimável.
Jesus reprova que alguém separe duas pessoas que se amam. Ainda hoje, 2o séculos volvidos, há quem cultive preconceitos e tente impedir a união de quem se ama. Há quem seja contra dado casamento porque os apaixonados não são da mesma "condição social", porque provêm de culturas diferentes, porque há disparidade económica entre ambos, porque alguém acha que Fulano/a é "mal empregado" em Fulana/o!
Bom senso, maturidade, sentido de responsabilidade, coragem, amor pelos filhos, demonstram pessoas como a Andréa e o seu ex-companheiro, que por motivos que só a eles dizem respeito se separaram, mas que continuam amigos, cooperantes, e, sobretudo, bons pais.


6 comentários:
31.12.09
E quando se mantém o casamento por causa dos filhos, mesmo que nesse casamento já não exista amor?
E quando nem se casou por amor nem qualquer tipo de sentimento, mas apenas sabe-se lá porquê e um cônjuge tornou-se dependente do outro? E quando se está casado mas com a cabeça noutra pessoa que por sua vez também corresponde a sentimentos que sente que devem ser calados e até teme estar a desviar o outro com ondas mentais que não consegue controlar?
31.12.09
A pergunta é: qual a responsabilidade desse terceiro elemento? Não está a separar o que DEUS não uniu, mas está a interferir e a cometer adultério por pensamento ou a desviar a atenção da pessoa para longe da sua família
5.1.10
Sobre o assunto tenho um exemplo de meus pais.
Eles foram casados por mais de 30 anos, se separam mais estão sempre juntos, uma amizade e um carinho que acho lindo.
Realmente Deus não separou o que uniu, eles continuam sendo companheiros um do outro, e o amor entre eles é ainda maior agora.
Meu pai se casou novamente, mais minha mãe continua com o mesmo carinho e afeto por ele, e ainda a nova esposa dele se da muito bem com minha mãe.
Apesar de não serem mais marido e mulher, o laço que os unem, além dos filhos, é a amizade, o carinho e o respeito.
É uma lição de amor.
Abraços!
23.4.10
ola, por favor preciso de um esclarecimento,eu era funcionaria de uma empresa e me apaixonei pelo gerente que era casado, quando ele percebeu meu enteresse por ele, me confessou que estava num casamento fracassado, onde passava a maior parte do tempo com a esposa bebado, ou discutindo, fazia de tudo para ficar longe de casa para nao ficar perto dela, entao uma paixao foi se construindo entre agente, foi uma loucura, nao nos controlavamos, eu tambem era comprometida, mas terminei um namoro de 10 anos, tambem falido...ele nao quis separar enquanto nao terminasse uma casa nova para a esposa, entao, com muito sofrimento para ambos, eu fui amante dele por 2 anos, ate ele se separar e hoje estamos namorando, mas temos muita pena dela, as vezes remorso, culpa pelo sofrimento dela, e nos amamos, quero saber se vamos pagar todo esse sofrimento ocorrido, nunca desejamos mal a ela, sentimos que nosso amor e verdadeiro, ele ama as filhas dele, e da muita atencao, ela ainda o ama, e me odeia e muito por isso, uma vez ela disse que eu ia pagar por todo o sofrimento dela, eu me arrependo de tela feito sofrer, mas ele sempre me disse que se separou por falta de amor a ela, e nao por causa de mim, vamos ser punidos por isso em outras encarnacoes? eu penso na ex esposa dele diariamente, sempre com do, o que eu faco?
23.4.10
e quando duas pessoas comprometidas se apaixonam, se separam de seus conjuges,e sentem uma profunda dor em fazer isso com eles,mas mesmo assim se amam e tentam ser felizes juntos, serao castigados numa proxima encarnacao? mesmo sem sentimentos ruins dentro de nos, ainda assim pagaremos por nao amarmos mas alguem?
26.8.10
E quando o casamento esta no fim mas não se tem coragem de colocar o ponto final para não causar sofrimento aos filhos sendo que este casamneto começou errado com o pedido de abortamneto do marido que não foi aceito, o que fazer quando se tem um grande amor e se tem que sufocar este amor que é fruto de um encontro de uma vida anterior, eu achei esta pessoas e acabamos nos perdendo, casei com outro e ele também, mas continuamos a sentir um grande amor mesmo depois de 20 anos.
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