Spiga

"É Possível?" - 3 (conclusão)


Que não nos interpretem mal... Não pretendemos de forma alguma troçar da crença nos "cofres" e nas "chaves"! São tradições antigas, e modos de interpretar fenómenos tão antigos como o mundo. Só que o mundo pula e avança, e hoje já não há motivo para medos irracionais. A nossa intenção é contribuir para tranquilizar os que vivem assustados com o receio de que os Espíritos lhes entrem no corpo, ou na "morada", como também popularmente se diz.

Ver, ouvir, sentir ou falar por influência dos Espíritos, é coisa normal. É uma faculdade como ver, ouvir ou cheirar. É um sexto sentido. tem a particularidade de ser fugidio. Aparece em qualquer idade e em qualquer pessoa. E como aparece, pode desaparecer de um momento para o outro. Quando irrompe, a mediunidade pode revestir-se de aspectos desagradáveis. Não se pode provocar a mediunidade a ninguém, mas pode-se educar a mediunidade.

Como?

Essencialmente, esclarecendo a pessoa. O que tem explicação racional deixa de ser assustador.

Os Bons Espíritos são discretos. Não se impõem, não assustam. O que pode ser desagradável para quem começa a ter sintomas de mediunidade (ou, como popularmente se diz, de "cofre aberto), é a presença desagradável de maus Espíritos, ou, pelo menos, de Espíritos ainda pouco esclarecidos, que não se dão conta de que causam transtornos.

Muitas pessoas que têm sintomas de mediunidade a despontar vão ao curandeiro local para este lhes "fechar o cofre". Muitas vezes esse expediente resulta. Não por causa de palavras sacramentais, de gestos rituais ou de amuletos especiais. Os Espíritos menos esclarecidos, se o curandeiro for uma pessoa de Bem, com bom coração, vergam-se ao seu ascendente moral. O mesmo acontece com aqueles Espíritos que se vêm obrigados a retirar-se perante a autoridade moral de um padre. Se o padre tiver qualidades humanas, bondade, bom coração, é a sua autoridade moral que força os Espíritos ignorantes ou maus a retirarem-se, e não a água-benta ou o Latim.

Outro desenlace comum é os espíritos perturbadores, por serem ignorantes, se retirarem com medo da eficácia dos rituais e dos amuletos. Nesses casos, escreve-se direito por linhas tortas...

Sacerdotes, pastores evangélicos, curandeiros, magos, e todos os que agem por bem e por amor ao próximo, logram sucessos nesta área. O Amor é a força mais poderosa. É a força do Amor que faz o que muitos designam como milagres. E não é por acaso que se diz que "Deus é Amor"...

No Espiritismo, não temos a pretensão de nos apresentarmos como melhores que ninguém. Pelo contrário. Só Deus sabe quem está mais próximo do que mais conta, e que é precisamente a capacidade de amar a todos, até os inimigos.

E é nessa linha que o Espiritismo actua nestes casos: não repelindo os Espíritos endurecidos ou ignorantes, antes esclarecendo-os e acarinhando-os, pois eles são gente como nós. É precisamente por isso que no Espiritismo se contacta com os Espíritos. para esclarecer os ignorantes, para colher instrução moral com os Sábios, e partilhá-la com toda a gente. No Espiritismo não há nada de "oculto", porque não há nada escondido.

A quem se abeira do Espiritismo numa situação de despontar de mediunidade, actua-se em duas frentes:

- Por um lado, esclarece-se os Espíritos que possam estar a perturbar e assustar. Mas em trabalho privado, sem a presença da pessoa e sem espectáculos.

- Por outro lado, encoraja-se a pessoa a esclarecer-se, pois o esclarecimento e o compromisso com o Bem, são a maior garantia de paz de espírito. Em vez de se colocar chaves ao pescoço, a nossa proposta é que cada pessoa seja a "chave" dos seus problemas, sem depender de ninguém: nem do padre, nem do pastor, nem do médium comerciante, nem do curandeiro, nem do guru, nem do pai-de-santo, nem do dirigente espírita.

Não nos interessa angariar adeptos para a nossa filosofia, de todo! O nosso trabalho é gratuito, é para todos, estimamos que cada pessoa tenha as suas convicções, e, no fundo, nós, espíritas, pouco fazemos. O trabalho é de cada um e é dos Bons Espíritos. Espiritismo não é profissão, e por isso mesmo os espíritas não cobram rigorosamente nada. Os centros espíritas subsistem com as quotas dos seus associados.


É uma proposta de emancipação e de Liberdade, a nossa. Dependermos apenas da nossa vontade, e, obviamente, da vontade de Deus.


Encorajamos a independência das pessoas em relação a todos os líderes terrenos. Defendemos a sujeição apenas às Leis de Deus. As Leis de Deus são, como disse Jesus, um "jugo leve", e que nos aponta o caminho da Felicidade.


Quem vive do negócio de "fechar cofres" ou de "expulsar satanazes", obviamente não gosta desta proposta...

Partilhe este artigo:

9 comentários:

André

29.12.09

Olá Isabel,

Mais uma vez temos algo que acontece muito frequentemente, e que na nossa opinião, abona a favor da existência e da comunicação dos Espíritos: a sua filha "brincava com o bisavô que estava no Jesus". Se ela não o tinha conhecido, então estamos perante uma evidência de uma comunicação verdadeira.

O que nos parece que descarta eventuais perturbações psicológicas. Há de facto quem leia muito sbore ocultismos e afins, e a dada altura tenha episódios histéricos em que julga ver e ouvir isto e aquilo. Não é o caso.

Interessante o pormenor da oferta da Cruz de Caravaca. A tal senhora, modestamente, ficou a achar que era a cruz que afastava os Espíritos menos agradávis, mas no fundo o que mais funcionou foi o amor que a levou a socorrer o próximo como melhor achou. Envolvendo-a a si e à sua filha em amor, ela demonstrou o tal ascendente moral a que me referi nos artigos.

16 anos é excelente idade para ela iniciar o curso básico de Espiritismo, online ou de preferência numa boa associação espírita.

Aprofundando conhecimentos, ela deixará gradualmente de ter medo, tal como deixa de ter medo quem entende que a trovoada não "Deus a ralhar", mas um belo fenómeno atmosférico que Deus criou, para sanear a atmosfera.

Se ela ler O Livro dos Espíritos e fizer o Curso Básico, passará a cahar normalíssimo sentir cheiros que os outros não sentem, por exemplo. E é normalíssimo.

Talvez não seja má ideia, tamb+ém, ela ir ao passe e fazer um pedido de ajuda no atendimento privado do centro.

E como complemento, indico-lhe os seguintes artigos:

http://artigosespiritaslucas.blogspot.com/2009/12/minha-filha-ouve-vozes.html

http://artigosespiritaslucas.blogspot.com/2009/12/invasao-da-mediunidade.html

http://artigosespiritaslucas.blogspot.com/2009/12/crianca-que-nao-comia.html

Abraço amigo,

AA

André

29.12.09

Olá Isabel,

Venho fazer um mea culpa, pois o sono pregou-me uma partida e apaguei por engano o seu comentário. Fica a resposta... :(

Foi pena, que era bem interessante...

AA

Anónimo

29.12.09

Olá André,

Também eu gostava que a minha filha se dedicasse mais a perceber o que se passa com ela. Embora ela goste de ir ao centro e tb vá ao passe (nem sempre) isto só acontece nos dias que ela QUER ir e não adianta forçá-la. Fico com a sensação de que ela faz alguma resistência e tem uma atitude defensiva relativamente aquilo que se passa, fazendo de conta que nada acontece. Não faz ligação ao que lhe acontece a manifestações, e eu vou tentando elucidá-la, mas com muita calma.

No que respeita ao curso básico de espiritismo tb não é fácil convencê-la a fazê-lo. Está numa idade e numa fase em que só quer amigos, cinema e "confusão"... ;)
Creio que o facto de o centro que frequentámos não ter grupo de jovens tb não ajuda muito, embora ela seja até muito sociável quando lá vai e se sinta bastante integrada. Também estou certa que com o tempo as coisas se acentuarão mais e aí, quando o processo se tornar mais aflitivo e ela "crescer" mais um pouco é que irá procurar a verdadeira ajuda. Consola-me o facto de saber que na altura devida ela sabe onde recorrer. Aliás, são palavras dela de que o espiritismo é tudo aquilo em que ela acredita.

É curioso quando dizem que há perturbações psicológicas em pessoas que à partida têm percepções mais desenvolvidas - tenho uma familiar que é psicóloga clínica e sempre me disse que a minha filha é o género de miúda considerada que está bem com ela mesma, onde a psicologia não teria "ponta para lhe pegar".

Agradeço a indicação dos artigos do Lucas. Já os conhecia felizmente. Tb o blog dele é ponto de passagem obrigatória para mim.

Uma questão que me deixa a pensar é a seguinte: a minha bisavó que já partiu há mais de 35 anos tinha bastantes manifestações, lembro-me de na altura falarem disso e ainda hoje a minha mãe me confirma. Também a minha mãe sente presenças, cheiros e é muito sensitiva.E eu tenho a minha quota parte, embora ténue. Ou seja, tudo agrupado na mesma família. Aplica-se aqui a heriditariedade ou lei da afinidade?!

Beijinhos

Isabel

André

29.12.09

Olá Isabel,

Hoje em dia há muita oferta de divertimento, há muitas "tribos", muita vida social, muita ditadura da moda, etc.. De modo que a ideia de alguém frequentar uma associação cultural onde se fala de Deus, de Jesus, dos Evangelhos, na mentalidade vigente que é toda de materialismo, afigura-se para a maior parte das pessoas como algo de "estranho", próprio de gente "inferior e supersticiosa" :)

E se isto é assim no mundo dos adultos, no mundo dos adolescentes, é bem pior. Os adolescentes dependem muito da aprovação dos seus pares. Eles chagam a fazer ultimatos uns aos outros, do tipo "se andas com o grupo deles, deixas de andar connosco", ou "se não frequentas tal sítio", ou "se não bebes", ou "se não fumas, como nós", és excluído/a do grupo.

Um grupo juvenil espírita ajuda muito a quebrar esse tipo de preconceitos, porque, por um lado, os garotos aprendem que se alguém tenta impor os seus gostos e hábitos, não se trata de um bom amigo, porque não respeita a liberdade alheia; por outro lado eles vão verificando que os temas espíritas são interessantes, e que frequentar o centro espírita não faz de ninguém um "betinho", ou um "maluco" ou um beatinho" :)

A sua filha está ainda a dois anos da maioridade. A opinião da mãe e do pai deve prevalecer. Já não de modo tão sumário como nos 6 anos, mas com um bocadinho de "negociação" e "persuasão" :)

Acerca da questão de a mediunidade ocorrer em certas famílias com mais frequência, trata-se de hereditariedade e afinidade.

Existem clãs de Espíritos que reencarnam com laços familiares durante muito tempo. Nesses casos, sendo afins, aquando da preparação da reencarnação, no mundo espiritual faz-se a preparação do organismo físico para o despoletar dessa faculdade.

E lá vimos nós com uma glândula pineal "especial de corrida" :)

Abraço,

AA

Anónimo

30.1.10

Ola chamo me Luis, estou aqui porque diseram que eu tinha o cofre aberto ao olharem a palma da minha mao.

Na palma da minha mao encontra se umas linhas que se unem e formao uma estrela e perto dessa mesma estrela encontra se outra estrela que faz um pentagrama.

As vezes quando vou fazer alguma coisa tenho maus presentimentos, como se me disesem para eu nao ir fazer aquilo, as vezes eu nao ligo e faço o que ia a fazer e a coisa corre mal.

Também tenho sonhos estranhos, tem alturas em que fico 1 semana a sonhar com a mesma coisa mas cada dia o sonho avança mais um pouco.

E a uns tempos senti agua a pingar no meu ombro, passei a mao pelo ombro e nao tinha qualquer vestigio de agua mas eu sentia ela a cair, e também ja ouvi durante a noite uma torneira a pingar agua e todas as torneiras estavao bem fechadas eu mesmo ganhei coragem para sair da cama e as verifiquei.

Eh verdade que tenho o cofre aberto?

Respondao por favor, nao quero viver na duvida

Francisco

30.1.10

Olá Luís,

As linhas que todos temos nas mãos não dão nenhuma informação sobre futuro ou sobre o passado... e também não dão informações sobre "cofres abertos".

Mediunidade é coisa que todos temos, uns de forma ostensiva e outros não, sugerimos que não se deixe envolver em teias de imaginação... leia o Livro dos Espíritos, dessa forma ficará com uma ideia mais clara sobre o que a Doutrina Espirita defende e afasta-se de mistificações.

Grande abraço

Anónimo

31.1.10

Olá, obrigado pela vossa resposta.

Mas nao fiquei esclarecido sobre o facto de sentir água a pingar para o meu ombro e ouvir torneiras a pingar água.

O facto de sentir isso, ouvir devez em quando vozes e sentr uns cheiros faz de mim um "bruxo"?

Abraço Luis

André

31.1.10

Olá Luís,

A mediunidade, ou percepção extra-sensorial, é uma faculdade natural. Antigamente, na Idade Média, as pessoas com essa faculdade eram louvadas como "santas", ou queimadas como "bruxas".

Às vezes... as duas coisas! Veja o caso de Joana. d'Arc, que foi considerada heroína, depois queimada como "bruxa", e a seguir canonizada como santa... E tudo isso, porque, alegadamente, ouvia vozes...

Mas essas épocas de ignorância já lá vão. Hoje em dia, cada vez mais, há cientistas que estudam a mediunidade. A mediunidade deixou de ser considerada como patologia pela Organização Mundial de Saúde.

Há mais de 150 anos que a filosofia espírita estuda a mediunidade. Não imagina a quantidade de pessoas que diariamente aprecem nos centros espíritas movidas por motivos idênticos aos seus.

Está a cumprir-se a profecia: "Os vossos velhos profetizarão, os vossos jovens terão visões". A mediunidade desponta por todo o mundo. Para que todos saibam que somos mais que matéria. Que somos Espíritos imortais!

O nosso conselho é que estude Espiritismo, caso pretenda entender melhor o que se passa consigo. Pode visitar o site da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portufal (www.adeportugal.org) e inscrever-se no Curso Básico de Espiritismo.

É gratuito e sem compromissos, como todas as actividades espíritas.

Abraço amigo,

AA

Anónimo

6.2.10

Olá André Obrigado pela sua resposta.

Eu sei que tou a ser chato e insistente.

Eh o seguinte: Eu sei que so algumas pessoa podem fazer bruxarias com resultado e outras pessoas que nao possuam o dom podem nas fazer mas nao vao obter resultados.


Eu gostava de saber se sou uma dessas pessoas.

Peço desculpa por estar sempre a bater na mesma tecla, mas ainda nao consegui perceber qual o significado de ter sentindo e ouvido água.

Espero que me respondam

Abraços, Luís

Enviar um comentário