Acerca da questão do "cofre-aberto", que abordámos no post anterior respondendo a uma leitora, abordemos agora a parte do "cofre".
Desde sempre que houve pessoas com mediunidade, ou percepção extra-sensorial. Certos tipos de mediunidade permitam que quem possui essa característica capte a presença dos Espíritos, que os ouça, ou que os sinta, ou que os veja, ou todas essas impressões juntas.
Todos somos médiuns, mas geralmente designam-se por esse nome aqueles de nós que têm a faculdade mais desenvolvida. A mediunidade é uma característica do organismo. Não se "ensina" ninguém a ter mediunidade. Nem há garantias de quem tem mediunidade a tenha sempre, ou que quem não a tenha não venha a tê-la.
Tais pessoas, muito mais comuns do que se julga, podem experimentar boas sensações, más sensações, ou sensações nem boas nem más, consoante o tipo de Espírito cuja presença captam.
Antigamente, chamava-se aos Bons Espíritos, anjos. E chamava-se aos Espíritos perversos ou sofredores, demónios.
Uma das sensações menos agradáveis que podem ter os que sentem a presença dos Espíritos, é o conhecido "aperto no coração". Daí que a imaginação popular tenha criado o mito de que temos no peito como que um "cofre", que quando está "aberto" deve ser "fechado", para não permitir a "entrada" dos Espíritos.
Na Antiguidade, acreditava-se na Magia. A Magia, nesta acepção do termo, é a crença de que com rituais se consegue alterar o curso da Natureza. Ainda hoje há quem creia na Magia e use amuletos, ou use substâncias ou gestos rituais destinados a atrair a sorte, ou a espantar o azar...
No caso do chamado "cofre-aberto", ainda se encontram curandeiros e magos que se propõem "fechar o cofre". Dizem orações, fazem gestos rituais, às vezes usam uma chave enorme aplicada na cabeça ou no peito da pessoa, e não é raro vermos quem use uma chave ao pescoço, para manter o suposto "cofre" bem fechadinho...
Estas expedientes nasceram da necessidade de solucionar o que para muita gente é um problema. A mediunidade em si não é um problema. O que é um problema é a ignorância do que se trata, a ideia errada de que os Espíritos "entram no corpo" das pessoas. De se ignorar o mecanismo do fenómeno, nasce o medo, e o problema é o medo. Não é a mediunidade.


2 comentários:
28.12.09
Olá André
O teu post é muito interessante e esclarecedor, amigo. Delimita de forma muito elegante e clara a fronteira entre a superstição e a espiritualidade.
Mas fica ainda uma questão para resolver:
- Há alguém deste mundo que nos possa fechar à influência dos espíritos perturbados?
Podem ajudar-nos e, sobretudo, esclarecer-nos, mas os verdadeiros "médicos" das nossas almas somos nós.
Será quase o mesmo que perguntar quem nos afasta das pessoas perturbadas aqui da terra?
Alguém disse, com muita visão:
- Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Se, ao contrário, nos questionarmos:
- Quem sou?
Talvez encontremos uma das razões para explicar quem são os espíritos que andam connosco, e como podemos melhorar-nos para evitar isso no futuro.
Nota:
- Não falo dos médiuns trabalhadores das associações espiritas, mas das pessoas que têm o sexto sentido menos apurado.
Os médiuns trabalhadores, sendo mais sensíveis e tendo por missão ajudar os espiritos perturbados, têm que os receber, durante os trabalhos(mas há um ambiente seguro, e há bons espíritos a controlar e a dirigir a situação, do lado de lá, tanto quanto me foi dado aprender, porque não sou médium).
bem hajam
28.12.09
A ilustração que tenho aqui em reserava para a continuação deste tema do "cofre" é justamente um dístico que enconteri casualmente na Internet, onde se pode ler:
"A chave é você".
Vai ao encontro das tuas pertinentes observações, pois passamos a vida a procurar soluções fora de nós, quando é mais fácil mudarmos :)
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