Spiga

Aparício e o Precipício


Suspenso no precipício

Gritava o Zé Aparício:

Ó meu Deus, vem-me salvar!

Prometo não mais pecar

Se tu me salvares destas

Vou ser pessoa honesta

Prometo não intrujar

Todos os dias rezar

Ir à missa e comungar!


Passou ali um amigo

Que logo o salvou do perigo

O Aparício se ergueu

E graças a Deus rendeu


Mas passada a aflição

Desenha-se situação

De pagar o que a Deus deve

E logo se esqueceu

Daquilo que prometeu

Só pensou muito ao de leve:

“Deus me há-de perdoar…”


Aparício, Aparício…

Vale bem o sacrifício

De cumprires o que prometes

Vê lá se tal artifício

Não é maior precipício

Em que agora tu te metes…




Psicografia 22 de Julho de 2008, por MEC, sem assinatura
Caldas da Rainha

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2 comentários:

VS

19.12.09

Olá

As quadras a puxar ao popular, lembram-me o António Aleixo, e a inteligência e a perspicácia das mesmas também.

Com quadras simples, se ensinam coisas profundas e importantes.

Será que o Poeta Alegre poderá ser o António Aleixo desencarnado?

Calma! perguntar não ofende...

É só uma hipótese remota...Afinal em Portugal houve muitos poetas populares inteligentes, decerto. E quem sabe se era encarnado na terra? Ou como português? E quem sabe se era um poeta popular?

Já estou confuso, vou-me embora!

bem hajam



bem hajam

André

19.12.09

Olá VS,

Desconhecemos a identidade do autor espiritual. Quem sabe se não é uma parceria? Estou a imaginar, um Espírito dita um bocadinho, o outro dita outro, como no fado à desgarrada :)

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