Estive presente e gostei.
Ao contrário do que o preconceito possa fabular, valeu a pena o dia reservado, assim como os quilómetros percorridos para o efeito. Efectivamente, o seminário, dinamizado por Antero Ricardo e Carlos Ferreira, comprovou, uma vez mais que Espiritismo é cultura.
Realizado no Centro de Cultura Espírita, em Caldas da Rainha, o evento contou com a presença de meia centena de participantes, a maioria proveniente da região Oeste, uma parte de Viseu e esta algarvia marafada. O ambiente primou pela boa-disposição e pelo interesse genuíno dos participantes que tiveram oportunidade de levantar questões e, também, de confraternizar.
A primeira parte da manhã foi dedicada à conceituação de astronomia, à apresentação do sistema solar, à explicação do universo em expansão. Falou-se do Sol, dos planetas, do cinturão de Kuiper, da Heliopausa, da Nuvem de Oort, da estrela Alpha Centauri. Foram mostradas escalas, distâncias medidas à velocidade da luz, as principais luas do sistema solar. Explicou-se como são efectuadas as investigações astronómicas. Referiu-se o Efeito Doppler, a classificação espectral das estrelas, o Diagrama Hertzprung-Russel, a classificação de Morgan Keenan, o cálculo do tempo de vida das estrelas.
Seguiu-se a apresentação de Camille Flammarion, cidadão francês do séc. XIX. Astrónomo. Espírita também. Detentor de mediunidade, escreveu o livro cujo título inspirou o nome do seminário, A Pluralidade dos Mundos Habitados , e que expandiu o caminho da Doutrina relativamente à existência de vida física para além da existente no planeta Terra.
Investigações académicas posteriores têm vindo a corroborar os postulados espíritas oitocentistas: David Lloyd, Norman Murray, Tibor Ganti, Francis Chapelle são alguns dos cientistas que defendem a possibilidade da existência de vida noutros lugares do Universo, baseando-se em evidências por eles demoradamente analisadas. Uma delas reside na observação do microcosmos terrestre - a sobrevivência de seres vivos em lugares absolutamente inóspitos: Pyrococcus Furiosus, Deinococcus Radiodurans, Bacilus Subtillis, Streptococcus Mitis, Criptoendolito e outros extremófilos.
Assim, a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec há 150 anos, mantém-se, também nestes assuntos, vertical e incorruptível. N’ O Livro de Espíritos, as respostas à pergunta 55 e seguintes são esclarecedoras.
Têm sido efectuados verdadeiros esforços na busca de planetas onde a vida possa existir. Parte-se do princípio que as condições sine quibus non passam pela existência de água e condições semelhantes às do planeta Terra, onde se inclui a distância do Sol em termos proporcionais. Tendo em conta a possibilidade da existência de matéria diferente à que os nossos sentidos e as nossas sondas têm a capacidade de perceber, resta perguntar se se estará a utilizar a bitola adequada.
Compreender o tamanho da Terra comparativamente aos planetas do Sistema Solar e ao próprio sol, compreender, depois, o tamanho do nosso Sol em relação a outras estrelas da nossa galáxia, situar o nosso sistema solar no mapa da Via Láctea, colocar a nossa galáxia num ponto do Universo e deixarmo-nos levar pela contagiante sensação de infinito recentra-nos. Recoloca-nos. Relativiza-nos. Somos um mundo, mas há um universo.
No encerramento dos trabalhos, Antero Ricardo lançou aos presente o convite formulado no subtítulo do seminário. De olhos cerrados, esta que aqui vos escreve, reconheceu o tum-tum irrequieto a bailar-lhe, alegre, no peito e descobriu que o seu universo, imenso, começa ali, na força do seu coração.






2 comentários:
27.10.09
É um assunto que nos leva a refletir.
Quantas vezes nos sentimos o centro do mundo e esquecíamos do universo de irmãos que estão a nossa volta.
Existe sim um mundo a nossa volta que necessita da nossa atenção.
Um grande abraço
Julimar
27.10.09
Oi
Que sorte a vossa! Como eu gostaria que eventos desses decorressem um pouco por todo o país!
Passem lá por casa. Há um presentinho de amizade para o vosso blog.
Um abraço
Joana
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