No post anterior desta série falámos um pouco acerca da Umbanda, uma religião nascida no Brasil, e já com uma implantação notável em outros países, nomeadamente em Portugal.
Um aspecto que frequentemente desencadeia intolerância em relação à Umbanda é a presunção de que se trata de uma religião politeísta. Ainda que o fosse, caber-lhe-ia todo o direito, é claro; mas não é. O nome que a Umbanda atribui ao Deus Único, ao Criador Universal, é Olorum ou Zambi.
Algumas Igrejas Neo-Pentecostais, para além de entenderem que se deve dizer designar o Criador do Universo por Deus, e não por Olorum ou Zambi, apontam à Umbanda o "pecado" de não ser uma religião com base bíblica. Certas linhas evangélicas consideram que tudo o que não é bíblico é demoníaco, é mau, é abominação. Nesse aspecto assemelham-se aos fundamentalistas muçulmanos, que odeiam todo aquele que não aceite o Corão como fonte única da Verdade...
Não admira, pois, que estas correntes manifestem uma barreira de incompreensão e de más interpretações em relação ao culto Umbandista. Os Orixás têm sido um verdadeiro cavalo de batalha na guerra movida à Umbanda.
Os Orixás, na Umbanda, são considerados manifestações de Deus, Espíritos evoluídos que não necessitam reencarnar, guardiões e protectores que se manifestam através dos elementos da Natureza. Foram assimilados aos santos católicos, desta forma:
Ogum - São Jorge (ou Santo António na Bahia)
Oxóssi - São Sebastião
Xangô- São Jerônimo,São João Batista, São Miguel Arcanjo
Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes
Oxum - Nossa Senhora da Conceição
Iansã - Santa Bárbara
Omolu - São Roque
Obá- Santa Rita de Cássia ,Santa Joana d'Arc
Obaluaê - São Lázaro;
Nanã- Sant'Anna
Egunitá - Santa Sara Kali
Oxalá - Divino Jesus Cristo, o Ser Cristalino
(o panteão é mais extenso, estes são apenas exemplos)
No conceito de Orixás estão expressas as influências espíritas, católicas, das religiões animistas indígenas e das africanas. Todas elas particularmente desagradáveis aos evangélicos fundamentalistas, que não vêem mais nada que não seja a sua interpretação literal da Bíblia.
O colorido das celebrações Umbandistas, a iconografia que cruza a influência católica com a africana e a indígena, são vistas por essas Igrejas como algo de diabólico.
Acresce que na Umbanda a actividade mediúnica é uma parte integrante. As Entidades que se manifestam nos Terreiros de Umbanda são por isso identificadas como "demónios", que na ideia evangélica são "anjos caídos", seres criados por Deus perfeitos, mas que se terão convertido nos piores inimigos do Bem.
Estes breves apontamentos não têm como objectivo resumir o que é a Umbanda. Estamos muito longe de conhecer essa religião satisfatoriamente. A quem queira inteirar-se da essência e das actividades da Umbanda, aconselhamos estes sites:
(Hoje em dia, com a Internet, os esclarecimentos estão à distância de um clique...).
Os evangélicos têm todo o direito de professar essa e outras crenças, mas não têm o de denegrir e atacar as crenças alheias. Os Umbandistas não atacam os evangélicos, nem verbalmente nem fisicamente!
Como explicámos no post anterior, o termo "espírita" e "espiritismo" aparece ligado à Umbanda por razões históricas e sociológicas. Em certas confissões religiosas evangélicas, sobretudo nas Neo-Pentecostais, fala-se mais do Diabo, do Inferno e do Mal, do que de Deus, do Reino dos Céus e do Bem.
Essa ideia obsessiva dos "diabos" é inculcada no crente de forma contínua, e as outras confissões religiosas são apresentadas como manifestações demoníacas. O crente Afonso Henrique, que atacou o terreiro de Umbanda, impressiona pelo fanatismo e pela ignorância, mas também pelo poder de manipulação que alguns pastores irresponsáveis possuem...
No vídeo que a seguir indicamos, um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, que se incompatibilizou com a sua Igreja, fala de Espiritismo como se fosse Umbanda, e como se a Umbanda fosse um culto maligno. É lamentável e é triste.
Para assistir ao vídeo, clique aqui, sff.


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