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As Três Revelações e o Papel de Kardec


Nós, espíritas, concebemos que a Humanidade terrena teve até hoje três grandes revelações de carácter espiritual:

- Moisés trouxe à Humanidade a Ideia do Deus Único, promulgou a lei do Sinai, transitória e de origem humana, e o Decálogo (os 10 Mandamentos) de origem Divina.

- Jesus de Nazaré já encontrou a Humanidade madura para conceber a ideia do Deus Infinitamente Justo, Bom e Misericordioso. Ensinou conceitos preciosos acerca da vida futura (ideia vaga ou ausente no tempo de Moisés), das penas e das recompensas divinas, da lei universal de Amor a Deus e ao Próximo.

- O conjunto de Espíritos que se manifestaram em meados do século XIX um pouco por todo o mundo, foram os autores da terceira Revelação, que Allan Kardec recolheu, compilou, comentou e divulgou. Allan Kardec nunca se assumiu como autor da Revelação Espírita, como, alías, podemos constatar no seguinte trecho de A Génese. Chamamos a atenção para a nota de rodapé, em que Kardec declina totalmente a condição de messias, assumindo-se como simples trabalhador:


A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira colectiva; aí está um carácter essencial de grande importância. Ela é colectiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio a pessoa alguma; ninguém, por consequência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi espalhada simultâneamente, por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa até a mais alta da escala, conforme esta predição registrada pelo autor dos Actos dos Apóstolos: "Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos, sonhos." (Actos, cap. II, vv. 17, 18.) Ela não proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia, a todos, de ponto de ligação. (1)



(1) O nosso papel pessoal, no grande movimento de ideias que se prepara pelo Espiritismo e que começa a operar-se, é o de um observador atento, que estuda os fatos para lhes descobrir a causa e tirar-lhes as consequências. Confrontamos todos os que nos têm sido possível reunir, comparamos e comentamos as instruções dadas pelos Espíritos em todos os pontos do globo e depois coordenamos metodicamente o conjunto; em suma, estudamos e demos ao público o fruto das nossas indagações, sem atribuirmos aos nossos trabalhos valor maior do que o de uma obra filosófica deduzida da observação e da experiência, sem nunca nos considerarmos chefe da doutrina, nem procurarmos impor as nossas ideias a quem quer que seja. Publicando-as, usamos de um direito comum e aqueles que as aceitaram o fizeram livremente. Se essas ideias acharam numerosas simpatias, é porque tiveram a vantagem de corresponder às aspirações de avultado número de criaturas, mas disso não colhemos vaidade alguma, dado que a sua origem não nos pertence. O nosso maior mérito é a perseverança e a dedicação à causa que abraçamos. Em tudo isso, fizemos o que outro qualquer poderia ter feito como nós, razão pela qual nunca tivemos a pretensão de nos julgarmos profeta ou messias, nem, ainda menos, de nos apresentarmos como tal.



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4 comentários:

filosofia espírita

27.8.09

Ótimo post. Sem dúvida este blog é referência!
Abraço!
www.filosofiaespirita.com

André

27.8.09

Obrigado pelas suas palavras de estímulo, caro amigo. O mérito deste post em especial é de Kardec :)

Simplesmente Maria

10.9.09

A explicação para toda esta embrulhada encontra-se no novo blogue do goggle espiritismoporque.
uma mentira será sempre uma mentira por muitas mentiras que lhe queiram acrescentar
Mariazinha ex-espírita

André

10.9.09

As "embrulhadas" que a Mariazinha vê, só o são para si. Quanto a ser ex-espírita, obviamente que nunca foi espírita.

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