Spiga

A Voz do Cidadão: eu também vi


Ao contrário deste daqui, confesso que estava um 'cadinho nervosa relativamente ao programa que ao Espiritismo foi dedicado. Sei da idoneidade dos espíritas entrevistados, mas temia o tratamento dos dados obtidos pela equipa de reportagem, a possível subversão dos mesmos, os comentários difamatórios de algum anti-espírita, um eventual sarcasmo do próprio Provedor à semelhança de Mário Bettencourt de Resendes, do Diário de Notícias.

Temi mal. Foram quinze minutos não perfeitos mas muitíssimo bem conseguidos.

O Sr. Provedor, digno, correcto, directo, demonstrou a força da sua honestidade intelectual, reconhecendo que
o referido programa, no passado dia 24 de Junho, ao apresentar o Bruxo de Fafe como ligado ao exorcismo, espiritismo e feitiçaria, lança uma confusão sobre os telespectadores e projecta uma informação errada e com falta de rigor sobre a Doutrina Espírita.

Foi dada a palavra a alguns espíritas portugueses.

José Lucas enfatizou que uma associação espírita é uma associação cultural, sublinhou a confusão que geralmente se faz entre "médium" e "espírita", explicou que as actividades de intercâmbio com o mundo espiritual obedecem a regras e servem o propósito do estudo, da orientação e da investigação experimental, não o da crendice;
O nosso Mário distinguiu sumariamente "bruxaria" de "Espiritismo", destacando a importância de se estabelecer a correcta relação entre significado e significante, ou seja, de se utilizar com clareza a linguagem, de se aplicar os conceitos sem margem para quaisquer dubiedades;
António Teixeira, reforçando as ideias do Mário, especificou que Espiritismo não é religião;
O Toni, assegurando que nada temos contra a divulgação de bruxos, adivinhos e outras filosofias, pois que é pelo conhecimento das coisas que se pode efectuar uma escolha livre e consciente, realçou a importância de um serviço público onde as pessoas possam ser devidamente esclarecidas;
Amélia Reis esclareceu que no, centro espírita, se aposta, com força, na formação do ser humano e lembrou que o termo "Espiritismo" é um neologismo criado por Kardec em 1857 para nomear, concretamente, a doutrina então codificada.

Moisés Espírito Santo, sociólogo das religiões, cometeu deslizes significativos, mas, lamentando nunca ter visto a presença de um espírita nos debates promovidos pela televisão do estado e reconhecendo que a Doutrina Espírita é uma filosofia que nada tem a ver com práticas de bruxaria, lançou o repto: fazer uma entrevista ao dirigente da FEP para que ele informe um pouco os telespectadores sobre o que é a essência do Espiritismo.

Paquete de Oliveira, o provedor, concluiu que pessoas como o Bruxo de Fafe e as suas práticas deviam ser devidamente contextualizadas, pois que, num espaço de informação pública, deverá haver todo o cuidado em não contribuir para propagar práticas que abusam da ignorância ou das credulidades das pessoas. E concluiu ser, este, um tema com a discussão em aberto.

Sabemos que sim.

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1 comentários:

Catsone

20.7.09

Infelizmente não vi, na íntegra, este programa. Tenho pena que a ignorância ainda nos "obrigue" a fazer a destrinça entre o que é espiritismo e a astrologia, cartomancia e afins. Como a Denise escreveu, não somos contra estas últimas "artes", o que queremos é informar as pessoas para que não confundam a Doutrina com actos menos claros de alguns "médiuns".
Gostei da proposta da entrevista ao dirigente da FEP. No entanto, provavelmente, seria enfiada num fim de noite, dum fim-de-semana, da RTP2...
É a sociedade que temos ;)

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