O que entendemos por magia, feitiçaria, bruxaria? Estas palavras cercam-nos, no dia-a-dia, e estão ainda envolvidas em muita confusão. Já temos escrito aqui no blogue acerca do assunto, e a quem queira ler mais sobre o mesmo sugerimos que procure nas "etiquetas" referentes a "Bruxarias, Feiticeiros e Maus-Olhados".
Vamos ensaiar uma abordagem sucessiva dos conceitos de magia, feitiçaria e bruxaria. Comecemos pela Magia...
Magia - Designa, no geral, as primeiras manifestações religiosas da Humanidade. Ainda existem povos que prestam culto à Natureza, ou aos supostos deuses, que, em seu entender, regem a Natureza.
Com o advento da ideia monoteísta (um só Deus), a Natureza e as suas manifestações já não são uma causa, mas sim um efeito de um causa maior: o Deus Único.
A Magia pressupõe também que se pode interferir no curso natural dos acontecimentos, mediante rituais mágicos.
No nosso quotidiano subsistem traços de comportamentos mágicos. O uso de amuletos ou talismãs para "proteger e dar sorte", é um deles. Não é raro, nos dias de hoje, encontrarmos quem pendure uma ferradura atrás da porta para "espantar o mal". Ou quem transporte uma pata de coelho "para dar sorte".
É considerado "bom augúrio", por exemplo, encontrar-se um trevo de quatro folhas, ou na debulha do milho, encontrar-se uma massaroca de milho encarnado, ou "milho-rei".
Nas sociedades Antigas, e ainda hoje, entre os povos cuja forma religiosa é a Magia, o mago é uma espécie de sacerdote, que supostamente atrai a protecção dos deuses e afasta os males causados pelos maus espíritos.
Nas sociedades tribais acredita-se geralmente que todos os seres da natureza têm uma alma.
Diviniza-se a Natureza como uma causa em si, e não como efeito ou manifestação de um Criador Único. Chama-se Animismo, a essa crença.
Acredita-se também que os infortúnios e as alegrias do dia-a-dia são causados por forças ou seres ocultos, sejam eles os espíritos da floresta, as fadas, os gnomos, ou outros quaisquer. Não é raro que o mago seja também um xamã, palavra de origem russa que designa alguém com a capacidade de comunicar espiritualmente com outros xamãs, com os "espíritos da natureza", com seres míticos e com os falecidos.
Animismo e Xamanismo andam frequentemente a par da Magia. São formas religiosas primordiais que ainda hoje encontramos entre muitos povos.
Os povos nativos norte-americanos, por exemplo, professam a Magia como forma religiosa. Possuem a crença animista, porque divinizam a Natureza e crêem que em todo o animal, vegetal ou mineral existe uma alma. E praticam também o Xamanismo, pois contam-se entre eles pessoas especializadas em contactar o que podemos genericamente designar como mundo espiritual.
A imagem popular do mago é mais ou menos a que se reproduz na imagem. Velho, sábio, bondoso, sempre pronto a interceder junto das forças ocultas da Natureza para proteger o seu povo.
O mago é aquele que capta os favores dos deuses para proporcionar boas colheitas ou para fazer chover. É que prepara os homens para a caça e para a guerra através de rituais de homenagem aos deuses. É o que contacta os Espíritos da natureza ou dos antepassados.
Para o Espiritismo, todos os "prodígios" operados pelos magos têm a sua explicação científica. Como, aliás, todos os fenómenos da natureza. Fora das leis divinas que regem o mundo espiritual e material nada ocorre. Existem leis precisas, estudadas pela Física, pela Química, pela Biologia, etc., que são inexoráveis. Deus não as derroga, não porque não possa, mas porque as suas leis são perfeitas.
O mesmo se pode dizer em relação às leis que regem o mundo espiritual.
Por isso se diz que o Espiritismo não existem milagres nem prodígios.
No entanto, o Espiritismo respeita escrupulosamente estas crenças, que possuem sementes de uma Verdade maior - que aliás, ninguém se pode gabar de possuir totalmente. Basta que atentemos por exemplo, à Fitoterapia (estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das doenças). Largamente praticada pelos xamãs de todo o mundo desde tempos remotos, sabe-se hoje que tem legitimidade científica. A Ciência constantemente descobre mais componentes bioquímicos nas plantas e suas aplicações terapêuticas. Pode dizer-se então que os magos operam junto de alguns povos como os médicos na nossa sociedade que conhece a Ciência.


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