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Magia - Sementes de Verdade


Pensemos durante um instante na quantidade de montanhas, vales, rios, lagos, planaltos, cumes, e outros acidentes geográficos considerados sagrados. Os primeiros seres humanos, provavelmente tão fascinados pelas belezas naturais como nós, viam nesses locais maravilhosos a manifestação de uma Sabedoria e harmonia superiores, e adoravam-nos como divindades.

Hoje em dia, as pessoas que crêem em Deus, comungam desse encanto e respeito pela Natureza, mas vêem-na como obra sublime do Criador.

Dentro dos primeiros seres humanos que caminharam sobre a Terra, existia já um sentido de busca, uma vaga noção do Transcendente, a ideia vaga que o mundo tem um Autor. A essas manifestações de espiritualidade alguns estudiosos chamam a Fase Mágica da Humanidade.

Caracterizou-se essa fase, como vimos no post anterior, pelo politeísmo (crença em mais que um Deus); pelo animismo (crença de que não só o Homem, mas também os animais, as plantas e os minerais têm uma alma) e pelo xamanismo (suposta comunicação ritual com seres míticos, animais, pessoas vivas e mortas).

Os Antigos que assim pensavam, possuíam já lampejos de Verdade. Vimos o exemplo do uso medicinal das plantas, que eles dominavam, e que herdámos. Mas em muitos outros aspectos, a Magia pressentia já muitas coisas hoje estudadas pela Ciência e pela Filosofia.

A reverência perante a Natureza e o sentimento de pertença a esta, encontram eco em muitas teorias filosóficas posteriores. É difícil não acharmos paralelos, por exemplo, entre a filosofia transcendentalista de Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) e o pensamento mágico tal como o definimos aqui. Ou semelhanças com a filosofia panteísta, que, basicamente, identifica o Universo com Deus.

No contacto dos magos e xamãs com entidades espirituais, podemos também encontrar paralelo com experiências mediúnicas posteriores, registadas em todo o mundo e em todas as épocas. A Bíblia dos cristãos (entre os quais os espíritas se incluem) está cheia de relatos de encontros de homens com "anjos", de expulsões de "demónios" (ver etiquetas "Anjos" e "Demónios"). E encontramos na Bíblia relatos como o da conversa de Jesus com Moisés e Elias, no alto do Tabor, episódio conhecido como o da Transfiguração de Jesus.

Para reflexão dos nossos leitores, citamos esta passagem do artigo da Wikipédia sobre Magia:

"Há registos de práticas mágicas em diversas épocas e civilizações. Supõe-se que o caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna antevendo o sucesso da caça. Adquiriu o ritual de enterrar os mortos. Nomeou as forças da natureza que (provisoriamente) desconhecia, dando origem à primeira tentativa de compreensão da realidade, o que chamamos de mito.

Segundo o Novo Testamento bíblico, por exemplo, são três magos os primeiros a dar as boas vindas ao Messias recém-nascido. No Velho Testamento, há a disputa mágica entre Moisés e os Magos Egípcios. Nos Vedas, no Bhagavad Gita, no Alcorão, nos diversos textos sagrados existem relatos similares.
Praticamente todas as religiões preservaram suas actividades mágicas ritualísticas, que se confundem com a própria prática religiosa - a celebração da Comunhão pelos católicos, a prece diária do muçulmano voltado para Meca ou ainda o sigilo (símbolo) do caboclo riscado no chão pelo umbandista."

Escusado será dizer que a filosofia espírita não se revê de forma alguma na Magia. Parafraseando este texto da Wikipédia, a tentativa de compreensão da realidade, no Espiritismo, faz-se através da Razão e da Ciência.

Voltaire (1694-1778), o célebre filósofo francês, dizia que "para chegar a Deus não se precisa ir à igreja, mas à razão". Ainda que defendamos solenemente o direito de toda a gente frequentar, ou não frequentar, as congregações religiosas que entender, a posição espírita é de não acreditar em nada que contrarie a Razão e a Ciência, mesmo que esta ou aquela autoridades religiosas o determinem.

O Espiritismo defende a fé raciocinada. Uma das razões pela qual o Espiritismo não pode ser considerado uma religião, é precisamente a de que não se apoia em dogmas inquestionáveis nem possui hierarquias ou sacerdócio, que produzam doutrina a administrar aos simpatizantes. O Espiritismo é, por isso, uma doutrina filosófica de consequências morais.

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2 comentários:

Meri Pellens

1.7.09

Aqui vc vai pensar q sou sempre do contra, não é isso. Concordo com seu texto, porém a reencarnação para muitos tbm é vista como dogma. E a água fluidificada já me disseram q é um remédio, e q se assemelha à comunhão católica, e os passes à benzimento. De certa forma pode-se dizer, q mesmo sutilmente, o espírita tbm tem seus rituais. Já li muito sobre magia... e qto mais leio sobre tudo, vejo q tudo é a mesma coisa, só q vista de modo diferente, praticada mais ou menos sutilmente.
Porq será q isso acontece? Cada qual sempre afirma ser a própria fé mais coerente... Mas sabemos q a verdade não precisa ser provada, ela simplismente existe, e mais cedo ou mais tarde vai se manifestando. Gosto muito de refletir sobre essas coisas e cuidar p não ter apenas uma opinião conformada. Por isso simpatizo com o Espiritismo, porq ele nos leva a pensar... Abraço.

André

1.7.09

Olá Meri,

Ter sentido crítico não é ser do contra :)

O passe a a água fluidificada têm uma acção comprovada científicamente, uma razão de ser.

Ficam agendados uns posts acerca do assunto.

Há espíritas que dizem essas coisas por desconhecimento. No Espiritismo, bem entendido e bem praticado, ou seja, segundo as directrizes constantes nas obras básicas (as de Allan Kardec), não há lugar a qualquer tipo de rituais.

Haverá quem queira "reinventar" o Espiritismo. Haverá os "espiritólicos", que praticam uma espécie de "Espiritismo de inspiração católica", mas isso, obviamente, já não é Espiritismo, é um equívoco. É como um vegetariano que coma salsichas :)

A Verdade a Deus pertence. Nestes posts acerca dos diversos sentido do termo "Magia", tentámos abordar o assunto de forma racional e moderada, sem a histeria que este provoca em algumas religiões, que teimam em ver o Diabo em todo o lado. Nós, espíritas, nem acreditamos no Diabo...

Abraço, e mande sempre

André

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