Spiga

Lamentáveis Fraudes


Dizia-nos um amigo, a propósito desta série de textos acerca da bruxaria-magia-feitiçaria, melhor aproveitaríamos o nosso tempo estudando Espiritismo. Tem alguma razão, tanto mais que nos arriscamos a cometer imprecisões, falando do que conhecemos mal, mas recordamos que estes textos apareceram a propósito de confusões frequentes nos meios de comunicação que misturam Espiritismo com Bruxaria.

Para sermos sérios nas nossas objecções, e não fazermos o que não gostamos que nos façam - meter tudo no mesmo saco - achámos por bem delimitar o que é a Magia, o que é a Bruxaria no sentido mais tradicional do termo, e o que é a chamada Bruxaria Moderna.

Abordámos o significado dessas correntes em termos sociológicos e antropológicos, ainda que com simplicidade. Só quem se obstina na superficialidade do julgamento, ou quem gosta de se pronunciar sem conhecimento de causa insistirá que Espiritismo possa ter a ver com Magia ou Bruxaria, qualquer que seja o sentido que se dê a essas palavras.

Acresce que a Bruxaria, tal como é entendida na linguagem corrente (ver post anterior) não só não tem a ver com Espiritismo, como implica conceitos totalmente opostos à filosofia espírita e práticas frequentemente ilegais, imorais, ou, na melhor das hipóteses, ingénuas.

Exemplifiquemos, atentando aos pontos principais que definem a actividade dos "bruxos", o tipo de pessoas que se anuncia nos jornais, que promete milagres e prodígios, que se afirma detentor de faculdades especiais:

- Os auto proclamados "mestres", "professores", "bruxos", "astrólogos", "magos", "videntes", e tantos outros que se movem nesse lucrativo mercado, oferecem serviços e mercadorias.

Sobre as mercadorias:

Para o Espiritismo, não fazem qualquer tipo de sentido e representam um retorno cultural, a crença nas virtudes de velas, defumadouros, talismãs, líquidos especiais que prometem atrair a "sorte" e afastar o "azar", e outras tantas mercadorias comercializadas pelos "bruxos" como tendo qualquer espécie de efeito prático.

Não se trata de verberar crenças religiosas honestas em que se usam objectos rituais, velas, defumadouros ou banhos de ervas. Trata-se de que consideramos fraudes, vigarices grosseiras, alguém comercializar artigos como porta-chaves que dão sorte a o jogo, velas que se destinam a retirar o vício do álcool, defumadouros que garantem o afastamento dos maus Espíritos, e outras coisas que tais.

Sobre os serviços:

Consideramos igualmente grossas fraudes, descarados abusos de confiança e exploração obscena da ingenuidade alheia, alguém vender serviços tais como o de "afastar os maus Espíritos", ou "atrair a sorte e o azar", ou "retirar o mau-olhado", para citarmos apenas alguns dos serviços oferecidos por essas pessoas.

Não estamos a falar de uma frívola consulta à Madame Françoise, no parque de diversões, mai-la sua bola de cristal. Estamos a falar de pessoas que se encontram desesperadas, e que acolhem as promessas de milagres e prodígios destes comerciantes como uma última esperança. Ficam com o problema, e sem o dinheiro. Muitos empenham-se completamente. São casos de polícia, e muitos nos agradaria, a bem da protecção dos mais frágeis, que a lei agisse e punisse exemplarmente os abusos!

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3 comentários:

aprendiz de feiticeiro

3.8.09

ola, só queria escrever pra você pra dizer que nem todos os bruxos se aproveitam como vc escreve, e nem todos fazer magias "satanicas"ou rituais obscuros, bruxos tem culto a natureza aos 4 elementos, adoram deuses antigos, não tem nada haver o que vc escreveu ai, me desculpe mas antes de escrever poderia see informar um poco mais sobre o asunto, como existe 'mentirosos" em todas as religiões, concerteza na sua tbm existe, conheço varios casos do espiritismo, mas nao to aqui para brigar apenas deixar um toque, da tão errada visão da bruxaria que vcs tem. espero que reflitam oq vc escreverem.
Outra coisa é sobre "jogos" para saber do futuro, esses pessoas com esse dom, que nao inventa para ganhar dinheiro em cima de pessoas frageis, apenas é uma esperança no fim do tunel ver o que tem daqui pra frente pra essas pessoas, uma melhoria. mas tem pessoas que tem a cabeça mto fechada para acreditar em certos asuntos.
abraço e obrigado pelo espaço

André

25.8.09

Caro amigo,

Se ler a série completa dos posts dedicados a estes temas, verificará que distinguimos a seriedade e o direito de livre pensamento, da fraude descarada, do caso de polícia. Uma coisa é a crença, outra é o abuso de confiança.

Mesmo neste post, pode-se ler:

«Não se trata de verberar crenças religiosas honestas em que se usam objectos rituais, velas, defumadouros ou banhos de ervas. Trata-se de que consideramos fraudes, vigarices grosseiras, alguém comercializar artigos como porta-chaves que dão sorte a o jogo, velas que se destinam a retirar o vício do álcool, defumadouros que garantem o afastamento dos maus Espíritos, e outras coisas que tais.»

Do pouco que conhecemos da religião denominada Bruxaria, não nos parece que queiram ser metidos no mesmo saco onde estão os tratantes e os criminosos. Daí este post, para delimitar uma coisa e outra.

Creio que nos pautámos pelo respeito no tratamento deste tema.

AA

André

26.8.09

Post-Scriptum: o artigo acima mencionado contém links para a série de artigos em que se insere, e onde se distingue, com o devido respeito ao que é sério, a Bruxaria enquanto religião pagã e antiga, e a bruxaria em sentido corrente, uma designação contemporânea para práticas por vezes deliberadamente fraudulentas.

Esperamos ter dissipado a má impressão que involuntariamente causámos.

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