Estamos a duas horitas da transmissão do Programa A Voz do Cidadão. Não estou nervoso ou apreensivo. Não sou pessoa de me preocupar, e muito menos com o que não posso mudar. Os companheiros espíritas que foram entrevistados, as imagens que foram recolhidas nos centros espíritas, mostraram, com toda a certeza, um mundo totalmente diferente do mundo dos "bruxos", que se anunciam espalhafatosamente nos jornais, que se declaram escolhidos de Deus e plenos de dons especiais, que se arrogam o direito de cobrar os rituais mágicos que realizam e os produtos que vendem e de que afirmam a eficácia (velas, defumadouros, etc.).
Não acalento esperanças de que quem não quer ser esclarecido venha a esclarecer-se. Os materialistas ferrenhos verão sempre em quem se atreve a crer em Deus e na imortalidade da alma, uma curiosidade antropológica, um vestígio de atraso cultural, um medo primário da morte.
Os religiosos intolerantes verão sempre o Diabo, a agir sob múltiplos disfarces, pois para os religiosos intolerantes, Deus só mora nas suas igrejas, e quem não for lá receber a salvação, vai direitinho para o Inferno.
Conheço pessoas, publicações, sites da Internet, que há anos e anos se obstinam em combater o Espiritismo, sem nunca se terem dignado ler uma linha que seja acerca do mesmo, ou visitar um centro e assistir in loco a que lá se passa.
Foi em intenção desses que escrevi "Eu, espírita, me confesso", capítulos 1,2, 3 e 4. Quem for anti-espírita, mas tiver uma réstia de curiosidade, aliada a honestidade intelectual, poderá confirmar.
Haverá também quem hoje venha a ficar desiludido, com pena de que os espíritas que falaram não o tenham feito com mais eloquência, não tenham esclarecido melhor este e aquele ponto. Pode-se sempre fazer melhor, mas ninguém é profissional do Espiritismo, e cada um fez o seu melhor.
Também haverá, por esse país fora, uns milhares de chicos-espertos tipicamente portugueses que darão a sua sentença: "Pois, os gajos falam bem, mas querem é apanhar o dinheiro às pessoas!". Há anos que desafio os jornalistas sérios a fazerem um trabalho de investigação sério nos centros espíritas. Apresentem-se com tal ou tal questão, peçam ajuda, e verifiquem se em algum lado alguém que seja espírita lhes pedirá dinheiro, prendas ou favores de qualquer espécie.
Não temos por hábito alardear o Bem que se faz nos centros espíritas - até porque não são os espíritas que fazem, mas sim os Espíritos e as pessoas que se resolvem a empreender uma reforma íntima e a viver de forma cristã. Mas o que achamos injusto é que nos metam no mesmo saco desses tais charlatães que montam banca e auferem proventos explorando supostas faculdades que afirmam possuir e alardeando a sua "infalibilidade".
Espiritismo é cultura, não é religião, nem comércio, nem Ocultismo, nem espectáculo.
Na imagem: foto que ilustra um artigo do Jornal das Caldas, sobre as Jornadas de Cultura Espírita da ADEP.


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