Não pensem os caros amigos que me esqueci dos prometidos comentários ao programa do RCP sobre Espiritismo, Posto de Escuta, de 11 para 12 de Junho. O vagar é que é pouco, que nós, os espíritas, temos que trabalhar nas nossas profissões, e tratar da casa e da família, como toda a gente. Nos tempos livres dedicamo-nos um bocadinho a isto. Entre outras coisas ao critério de cada um. Não há um modelo de "ser espírita". Não é um estilo de vida, muito menos um,a sociedade secreta e ainda menos uma "ciência oculta"!
A entrevista do José Lucas deverá estar disponível em breve, no site da ADEP. O que nos apeteceu comentar foram mais as duas horas de intervenções dos ouvintes, que talvez espelhem o modo como o Espiritismo ainda é visto pela maioria das pessoas no nosso país.
Um senhor telefonou a contar que:
. foi a um centro espírita em Braga
. havia uma sala com pessoas sentadas e "aquela música fúnebre"
. na mesa estavam três "videntes"
. olhou para a mesa e viu a falecida mãe
. no final perguntou aos "videntes" o porquê de ter visto a mãe
. disseram-lhe que se trata de uma faculdade que ele tem e convidaram-no a voltar
. ele não voltou
. ele já via e continuou a ver familiares falecidos, mas não liga
Ora aqui temos material para análise que nunca mais acaba :)
Vamos poupar os nossos queridos leitores. tentaremos ser breves no comentário:
- É possível que se tratasse mesmo de um centro espírita. Às vezes as pessoas vão aos mais diversos sítios (templos de diversas religiões, médiuns comerciantes, ocultistas/magos, astrólogos, tarólogos, terapeutas new-age, etc.) e referem-se superficialmente a esses lugares e pessoas como "espiritismo" talvez por confusão com "Espiritualidade".
- "Vidente" é qualquer pessoa que tem a capacidade de ver os Espíritos, de ver à distância, de ver através da matéria densa, de ver com os "olhos da alma", em suma.
Quem esse senhor viu foram palestrantes, pessoas que iam fazer uma palestra. Era sobre Espiritismo porque se tratava de um centro espírita. Se se tratasse de uma associação de filatelistas, a palestra seria sobre Filatelia.
- O senhor em questão é vidente! Se vê a mãe e outras pessoas falecidas, é um médium vidente. Não há nada de anormal ou de especial nisso. Milhões de pessoas têm essa capacidade.
- As pessoas convidaram o senhor a voltar, não por qualquer interesse pessoal, mas por pensarem que podia ser interessante e útil o senhor estudar Espiritismo. Afinal, ele foi a um centro. Ninguém o obrigou...
- A que "música fúnebre" estaria o senhor a referir-se?!... As pessoas, quando se trata de Espiritismo, vão tão cheias de preconceitos, de ideias-feitas, de receios, de confusões com coisas tétricas e assustadoras, que até a música lhes parece fúnebre!
Nunca ouvi música fúnebre num centro espírita. Suponho que a música fúnebre se toque nos funerais. E não em todos, pois há cada vez mais gente a querer música alegre!
Mesmo que a música em questão não fosse um samba de Carnaval ou o corridinho algarvio, não nos parece que fosse assim tão triste e pesada!
A título de exemplo, deixo aqui uma música que costumo ouvir no centro que frequento: Nocturno de Chopin, Opus 9, nº 2, direcção do Maestro Arthur Rubinstein (capa na imagem). Eu cá gosto...


2 comentários:
16.6.09
O que este ouvinte descreveu, como o André disse, seria provavelmente um CE. Lembro-me da primeira vez que fui a um, tinha cerca de 6-7 anos. Recebi o "passe" espírita, fui a uma palestra e cantei músicas dum "hinário" que o próprio centro editava. Eu com essa idade já conhecia a missa católica e "lutava" com os meus pais para não ir, enquanto que sempre gostei de ir ao CE.
O que mais me surpreende é o facto de as pessoas quererem perpetuar a ignorância em relação ao espiritismo. Elas preferem manter esta atitude preconceituosa em vez de investigarem e estudarem. Talvez seja o medo de gostarem e de tudo o que aprenderam sobre religião ter ido por "água abaixo".
Um abraço
19.6.09
Não é fácil desmontar o preconceito e confusão que ainda existe acerca de Espiritismo. A proibição de que foi alvo em Portugal ainda tem a sua influência no modo como esta filosofia é vista.
Abraço, CAT
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