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Alamar - "A excelência do um presidente sensato e competente" - 2

Por que divulgar o espiritismo é fundamental?


Eu não vou citar a recomendação de Kardec, no livro "Obras Póstumas", porque já percebi que os espíritas não dão a menor bola para este livro, ele praticamente não é citado em centro espírita nenhum, raro é o artigo onde alguém faz referências a ele e sabemos que 92% dos espíritas (inclusive dirigentes) não o conhecem, a não ser a sua capa, já que está exposto em alguma raras livrarias. Não vou procurar convencer ninguém, também, com a recomendação do Emmanuel que sugere que "a maior Caridade que podemos fazer, em relação ao Espiritismo, é a sua divulgação". Vou convidar a raciocinar.

Muitos espíritas, além de omissos em relação a divulgação da doutrina, não fazem a menor questão de divulgar, porque acham que isto não é prioridade, não dão apoio nenhum a quem o faz e, muito pelo contrário, se puderem dificultar, dificultam. Em suas cabeças, as quatro paredes dos centros espíritas é o suficiente para que o mundo tome conhecimento da Doutrina, e nada mais é preciso.

Os protestantes, sem muita disposição para o raciocínio, costumam afirmar que só serão salvas aquelas pessoas que "aceitaram" Jesus, em uma das suas igrejas, o que implica, pela lógica, que todas aquelas que não fizeram esta aceitação estarão condenadas ao tal fogo eterno do inferno, no dia do tal juízo final.

Diante desse conceito, a lógica nos faz concluir que:

1) Todas as pessoas que viveram de 2000 anos para trás, ou seja, as que viveram antes de Jesus, estarão condenadas ao tal fogo eterno, porque elas nunca o conheceram, já que ele não existia.

2) Biliões de pessoas que viveram e as que continuam a viver, mesmo depois de Jesus, na Índia, na China, no mundo islâmico, certamente estarão condenadas ao tal fogo, porque não o conheceram.

Você vê lógica, então, nesta afirmativa? Não quero que concordem com o Alamar, quero que tirem conclusão própria com a sua capacidade de discernir.

Partindo da argumentação desses espíritas, que se dizem entendidos na doutrina, e afirmam que as quatro paredes dos centros espíritas é o suficiente, eu pergunto:

E as pessoas que moram em cidades que não tem centros espíritas?

E aquelas que não tem um centro em seus bairros e nem próximos às suas casas, que enfrentam muita dificuldade em deslocamento a um centro?

E aquelas que gostariam de ir a um centro espírita, mas os disponíveis na cidade só abrem a noite, em horário que elas estão no colégio ou na faculdade?

E as que são idosas, não tem carro e nem tem que as leve?

Vejam, agora, este questionamento:

Quem é espírita, isto é, quem estudou e entendeu a doutrina espírita, jamais pratica o suicídio, o aborto ou assassina alguém. Claro, né?

Não é que deixe de fazer estas coisas por medo ou por obediência às leis humanas; não faz porque tem consciência das consequências que, inevitavelmente, advirão.

Eu sei destas coisas, você também sabe. Nós sabemos que a reencarnação é um fato e não apenas cremos que ela existe, nós sabemos que não somos limitados apenas ao corpo carnal, que o sobrevivemos, que continuaremos a nosso tarefa, normalmente, por milénios e milénios e não temos como esconder nada, porque tudo é revelado no mundo espiritual, que é o nosso verdadeiro mundo.

Que tipo de coerência teríamos nós, conhecedores do Espiritismo, em omitir estes conhecimentos para o grande público, sabendo que eles aliviam, acalmam, enxugam lágrimas, evitam angústias e depressões, promovem esclarecimentos e reforma moral, consequentemente levam as pessoas a evitarem a prática do mal para si e para o seu próximo?

Diante destes argumentos, com toda segurança, eu afirmo que o Espírita que não divulga o Espiritismo é um egoísta, omisso, inconsequentemente e indiferente para com o sofrimento do seu próximo. Quem quiser ficar com raiva, que fique, quem quiser dizer que o Alamar quer que todo mundo pense igual a ele, que diga, mas isto não é só conversa do Alamar não, é fato que a sua consciência, mais cedo ou mais tarde, vai lhe cobrar.

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3 comentários:

Anónimo

29.6.09

Caro Alamar,

Creio que o Espiriitismo pode ser conhecido e, sobretudo, praticado, de diversas formas. Em algumas situações, o silencioso respeito e nossos atos são a melhor forma de divulgação. Vim de uma família profundamente católica... mnha avó, um dia, me disse uma única vez: meu filho, sei que você é Espírita. Rezei muito para que você voltasse, ao que eu considero, a fé verdadeira. Porém se o seu modo de ser é pautado por sua fé, então só posso concluir que o Espiritismo e uma coisa muito boa, e que portanto também vem de Deus.

Minha avó morreu católica e reconfortada na sua crença. Nunca falei a ela do Espiritismo em respeito à fé profunda que ela professava na igreja e seus santos. Contudo, acima das convicções dela, e das minhas, sabíamos que paiarava o amor e o respeito mútuo, que considero ainda estar acima de qualquer confissão religiosa ou filosófica. Não sei se a consciência, algum dia, irá me "cobrar" pelo silêncio consentido... se assim for, terei a satisfação e honra de me acertar com alguém que, por seu lado, nunca tentou me impor suas crenças.

"Egoísta, omisso, inconsequente e indiferente ao sofrimento alheio..." talvez você tenha razão, em que pese as duras palavras. Porém, quando algumas vezes penso que nesta encarnação estamos a ponto de fracassar, relembro de um velho filme de Charles Chaplin que diz "não sois máquinas... homens é que sois".

André

29.6.09

Olá Anónimo,

Entre os dois extremos - o fanático que tenta impor as suas crenças, e o "escondidinho", que guarda a luz só para si - há o que Jesus aconselhou: colocar a candeia em cima do alqueire.

Nunca o Alamar (pelo contrário, veja a crónica "Quando o fanatismo envolve espíritas") defendeu que se andasse a impingir Espiritismo.

Ora leia o que Allan Kardec escreveu, sff:

“Uma publicidade, numa larga escala,
feita nos órgãos mais divulgados,
levaria ao mundo inteiro,
e até aos lugares mais recuados, o conhecimento
das idéias espíritas,
faria nascer o desejo de aprofundá-las,
e multiplicando os adeptos,
imporia silêncio aos detratores que logo
deveriam ceder diante do ascendente da opinião.!”
Palavras de Allan Kardec, Obras Póstumas, Projeto 1868

Grupos de discussão, sites, jornais, revistas, programas de rádio, de televisão, são bem-vindos desde que tenham qualidade.

E cada um é livre de ler ou não, e de sintonizar ou não. O Anónimo acha que só os materialistas, os ateístas, os católicos, os budistas, os evangélicos, os cristãos esotéricos, etc., têm direito a divulgar a sua mensagem, a sua visão das coisas?

Como pode depreender das palavras de Alamar, que os espíritas passem a querer forçar as suas avós a tornarem-se espíritas?

Cordialmente,

André Afonso

Anónimo

1.7.09

Olá André,

Uma vez, lendo um dos livros de Allan Kardec, me deparei com um comenário que, na época não entendi. Ele afirmava que ao orarmos, em uma reunião espírita, o fizessemos em silêncio. Assim deveriam também fazê-lo os eventuais budistas, musulmanos, católicos, etc, que porventura estivessem presentes à reunião. Cada um se dirigiria ao seu "Deus" como mais lhe agradasse, porém em silêncio em sinal de respeitp para com os outros. Evidentemente, que na prática diária de uma reunão espírita pública não é bem isso que acontece. Quero crer a leitura do comentário é outra. Muito provavelmente Allan Kardec estava se referindo a prática da tolerância tendo em vista a diversidade cultural/religiosa de muitos que olhariam com interesse para o Espiritismo.

A crônica incentiva a difusão do Espiritismo, no que acredito estamos todos de acordo, porém avança por questões éticas que, na minha opinião, me parecem inconsequentes. O cronista afirma, "com toda segurança", que o Espírita que não divulga o Espiritismo é um "egoista, omisso, indiferente... para com o sofrimento de seu próximo". Honestamente não compreendi a relação de uma coisa com a outra. Devemos entender, portanto, que apenas o Espiritismo (e o Espírita) é capaz de aliviar o sofrimento humano?

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