Quando tomam consciência de que os animais são seres em evolução, tal como nós, humanos, algumas pessoas sentem-se inclinadas para o vegetarianismo. Por motivos éticos.
E mesmo que não tenham conhecimentos de Espiritualidade, há pessoas a quem fere a sua sensibilidade a ideia de se alimentarem de uma criatura capaz de afecto. O espectáculo de uma vaquinha, no prado, a amamentar a sua cria, é terno, e provoca em muita gente a decisão de não comer carne.
É um sentimento respeitável, e talvez a evolução humana vá no sentido de, daqui a uns séculos, o espectáculo dos açougues expondo peças de carne, ser considerado costume bárbaro e ultrapassado.
Contudo, podemos observar que na Natureza existem animais predadores. Algumas pesquisas científicas defendem que o ser humano, ao tornar-se caçador, evoluiu mais depressa, e que a nossa espécie, homo-sapiens, muito deve à caça e ao consumo de carne. Nisso não temos sido diferentes dos lobos, dos leões, ou das águias.
Existem também pessoas que vêem no espectáculo cruento do predador que se lança sobre a presa, uma evidência de "imperfeições" na Criação, e precipitadamente concluem que, caso houvesse Deus, este não permitiria tal "crueldade".
Será assim?
A Ecologia diz-nos que não. Se não houvesse actividade predatória, a proliferação de espécies tornaria impossível a vida na Terra, dado que o alimento disponível não chegaria para todos.
Um exemplo disto foi a introdução de coelhos na Austrália. Sem predadores, os coelhos ameaçaram todo o ecossistema. Aqui por Portugal, temos verificado que o abate de predadores (aves de rapina, raposas, saca-rabos, lobos, serpentes, ouriços-caixeiros, linces, etc.), tem provocado pragas de ratos e surtos de mixomatose na população de coelhos.
Os predadores controlam a população de presas e evitam a propagação de doenças. Por isso as primeiras comunidades de seres humanos trataram de domesticar gatos selvagens, caso contrário as habitações e as colheitas estariam constantemente sob ameaça dos roedores.
A cadeia alimentar tem na sua base os vegetais e no seu topo os predadores.
Sob o ponto de vista espiritual, a presa que é abatida pelo predador, é tanto uma "vítima" como o predador será um dia, quando o seu corpo morrer. O princípio espiritual que anima a presa, tanto como o predador, após a morte do corpo tomarão outro corpo para nova experiência. Assim, o equilíbrio ecológico do planeta mantém-se, e este pode continuar a ser campo abençoado de reencarnações frutíferas para todos. Porque afinal de contas... a morte não existe!



1 comentários:
9.5.09
O termo caça causa em mim algum repúdio. Compreendo que a caça foi útil em tempos e que devemos parte da nossa evolução à acção de caçar. Mas, e vai-me desculpar o André porque gosto de brincar com as coisas, quando vejo um caçador vejo a humanidade a dar um passo atrás.
Brincadeiras à parte, gostei deste conjunto de textos, elucidou-me quanto a estas dúvidas que também tinha.
Bom fim-de-semana.
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