Campanha contra o mau caratismoA sujeira dos banqueiros americanos
Estejamos alertas para que não aconteça igual no Brasil
Se é que já não aconteceu
Em seu jornal “Direto da Redação”, que é uma das opções jornalísticas mais lidas da internet, o Eliakim Araújo, jornalista conhecido que durante muito tempo foi da Rede Globo, tendo apresentado o Jornal da Globo e o Jornal Nacional, com sua esposa Leila, também jornalista, escreveu a matéria “Banqueiros sem-vergonhas”, que nos dá conhecimento da safadeza fria, insensível e indiferente, praticada pelos banqueiros norte americanos.
Fiz um comentário sobre isto, na edição desta semana, no espaço que tenho no “Jornal Rádio Fatos”, que é retransmitido por quase 300 emissoras de rádios, AM e FM do Brasil.
Os 700 biliões de dólares que o governo repassou a eles, no finalzinho do governo Bush, com objectivos de investirem na economia, incentivar as empresas e evitar o desemprego, a fim de conter os efeitos terríveis da crise económica internacional, promovida por eles mesmo, simplesmente foram usados para eles distribuírem entre eles mesmos e os seus accionistas, como se fossem lucros de operações normais, e ainda reformarem os seus escritórios, aperfeiçoarem as mordomias, gastos com festas de finais de ano e até comprarem jatinhos novos.
A matéria do Eliakim está disposta abaixo, para o seu conhecimento.
Escrevo esta aqui como um alerta para que o povo brasileiro, pelo menos o segmento que tiver oportunidade de ler este manifesto, mantenha-se atento e de “orelha em pé”, para reagir, veementemente, caso surja qualquer notícia dando conta de alguma acção na área governamental brasileira no sentido de “socorrer” bancos por aqui.
Analisemos alguns aspectos:
Os bancos americanos não têm o privilégio de lucrar tanto, à custa de juros altos, como acontece aqui no Brasil. Mas ganham muito dinheiro e concordamos com o Eliakim, quando rotula a sua matéria com o título: “Banqueiros sem-vergonhas”.
Se fato semelhante acontece no Brasil, a sem-vergonhice é muito maior e mais calhorda, devido a altíssima lucratividade, fácil, do sistema bancário brasileiro. É muita cara de pau, gente, muito cinismo e muito mau caratismo em relação ao povo brasileiro.
Não duvidemos da possibilidade de algo semelhante acontecer por aqui. Não faz muito tempo, a imprensa mostrou o Lula indignado com os bancos, porque o nosso governo, também, liberou muito dinheiro para eles, que não repassaram a investimentos e nem sei se fizeram repasses, depois da bronca, porque nunca mais a imprensa falou nisto.
O que estamos vendo aí, a toda hora, é notícias de empresas em dificuldades, muitas fechando as portas, demissões e tudo isto.
Quem poderia cobrar do governo e da imprensa uma satisfação acerca disto? Quem é que nos pode dar notícias se o dinheiro repassado pelo governo foi realmente aplicado ou, quem sabe, não foi distribuído em “mensalão” para que ninguém falasse mais sobre o assunto?
Não é muito estranho?
Relembremos a situação privilegiadíssima dos nossos bancos:
No país que cobra as mais altas taxas de juros, do mundo, todo o montante proveniente destas altas taxas, que ultrapassa aos 30 biliões de reais, vai para eles, os bancos, e não para os cofres públicos, o que é um absurdo, haja vista que a insistência em permanência dessas altas taxas é uma “necessidade de governo”, conforme argumentam as autoridades, para evitar a inflação.
Já que é uma necessidade de governo, por que esse montante tão alto não vai para os cofres públicos? Por que os bancos ficam com essa fortuna, enquanto o governo diz que não tem dinheiro para dar aumento aos aposentados e pensionistas, pelo menos no mesmo nível do salário mínimo?
Não é muito estranho mesmo? Quem é que ganha com isto? Será que somente os bancos?
Você reparou que ninguém fala sobre isto? Por incrível que pareça, nem a imprensa faz observação a este detalhe.
Bom. Leiamos, então, a matéria do Eliakim, logo abaixo.
Abração.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas
alamar@redevisao.net
http://www.redevisao.net/
Banqueiros sem-vergonhas
Eliakim Araújo - eliakim@diretodaredacao.com
Certamente ninguém esperava que Barack Obama tivesse uma varinha de condão e com um toque mágico consertasse os erros da administração anterior, sobretudo a grave crise em que está mergulhada a economia americana. Mas muita gente esperava que a simples entrada dele na Casa Branca seria capaz de criar um efeito psicológico estimulador de negócios nos mercados financeiros e de injectar algum fôlego nas grandes corporações à beira do colapso.
Mas isso não aconteceu. Pelo contrário, passada a euforia dos primeiros dias de governo, quando Obama tomou decisões corajosas, desfazendo o entulho autoritário e beligerante da administração Bush, os norte-americanos estão convivendo com a tragédia do desemprego. Diariamente, a mídia divulga o doloroso placar das demissões e as previsões negativas para 2009.
Vale lembrar que só chegam ao conhecimento da mídia os números divulgados pelas grandes empresas, multinacionais inclusive. Na última semana, 65 mil pessoas perderam seus empregos na Ford, Toshiba, Kodak, Time Warner, Caterpillar, AOL, Pfizer, Sprint-Nextel, Boeing e Starbucks.
Não há, todavia, estatística do que acontece com milhares de pequenos negócios que estão fechando as portas e os postos de trabalho nas cidades do interior do país.
A população está assustada. Nesses doze dias do governo Obama, pelo menos três casos de "murder-suicide" foram registrados, com pais de família desesperados, sem emprego e sem dinheiro para pagar a prestação da casa, que optaram pela solução radical: exterminar mulher e filhos e matar-se, em seguida.
No meio dessa crise, descobriu-se que dirigentes de bancos e de empresas de investimento, que receberam biliões de dólares daqueles 700 bi aprovados no final do governo Bush, distribuíram nus para si mesmos, ou seja se apropriaram, de 18.4 bilhões de dólares. Executivos com salário anual de 600 mil dólares, embolsaram 50 milhões de bónus em 2008. Um verdadeiro escárnio.
Bónus, qualquer neófito sabe, é uma gratificação que as empresas conferem a seus empregados e executivos sobre os lucros, ou pelo cumprimento de determinada meta. O que é não absolutamente o caso dos bancos, financeiras, seguradoras, companhias hipotecárias, etc, que receberam dinheiro do contribuinte para taparem os buracos de sua desonestidade e/ou incompetência, e não o colocaram no mercado para gerar negócios.
Mas seus dirigentes souberam usá-lo em benefício próprio. Como no caso do Citigroup, que só não comprou um novo jatinho, por 45 milhões de dólares, porque o Secretário do Tesouro, Tim Geithner interveio e conseguiu abortar o negócio. Ou do ex-chefão da Merril Lynch que gastou um milhão e duzentos mil dólares na reforma de seu gabinete. Bem, esse pelo menos foi demitido e está sendo intimado pelo advogado-geral do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, para explicar porque a Merril distribuiu 4 bilhões de dólares a seus empregados antes de se declarar insolvente e ser adquirida pelo Bank of America.
São centenas de casos como os acima narrados. E eles não podem ficar apenas nas declarações do presidente Obama que chamou esses executivos de “irresponsáveis” e os bónus de uma ”vergonha”. Se o presidente pretende restaurar o império do respeito, da honra e da credibilidade, deve exigir, como sócio que injectou capital, que essa gente devolva o dinheiro que embolsou desonestamente.
Afinal, foram esses banqueiros e executivos que destruíram a economia e aniquilaram a vida de milhões de pessoas. Irresponsáveis e sem-vergonhas é pouco, muito pouco para eles. Eles são os verdadeiros "serial killers" da economia norte-americana e devem ser punidos por seus crimes.


1 comentários:
17.5.09
Nossa!!!... Mas que falta de respeito, hein?
O mundo está uma bagunça e os valores mudaram. Os que levantam a bandeira da ética, são vistos como ETs.
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