Spiga

Alamar - "Diga não aos sofrimentos gratuitos"



Meu amigo e minha amiga:

Certamente este artigo não servirá directamente a você, embora eu fale em "você" o tempo todo. Mas tenho certeza, absoluta, de que você conhece alguém, talvez um ente muito querido, que esteja inserido no universo que foco aqui e que esteja precisando muito ler estas sugestões.

Escrevi a matéria "Masoquismo não evolui ninguém", teve e continua tendo uma repercussão enorme, muitas pessoas, que eu não conhecia, mas que receberam por retransmissão de algum amigo, me mandaram e-mails pedindo para acrescentar seus nomes em minha agenda, e tive uma grande alegria em verificar que a abordagem agradou a muita gente, vários amigos tiveram, inclusive a coragem de dizer: "Alamar, a carapuça serviu pra mim mesmo", uma amiga falou: "O meu marido é essa coisa que você descreveu em seu artigo, eu sempre fui uma idiota e o seu artigo me deu coragem".

Mas teve gente, também, que questionou-me, usando argumentos tipo "compreensão", "caridade", "tolerância", "será que eu não estou sendo egoísta?" e essas coisas.

É por isto que resolvi escrever, imediatamente, este novo artigo, em razão da confusão que algumas pessoas fazem acerca desses valores que, de fato, todos nós devemos ter, sem o menor critério de dosagem das coisas.

Vale deixar claro que compreensão, caridade, tolerância, amor, indulgência, etc... são valores especiais que toda pessoa deve ter, independentemente de religião, e que egoísmo é algo que deve ser combatido em nós mesmos.

Eu havia escrito um artigo, há algum tempo, acerca dos níveis de visões das pessoas. Eu falava sobre as pessoas "oito ou oitenta", aquelas de mente estreita, do tipo que depois do número 1 só conseguem visualizar o 2, porque não têm inteligência nem neurónios suficientes para enxergar os decimais, os centesimais, os milesimais... etc.

Dei aquele exemplo, quando em certa ocasião que questionei um determinado grupo sobre o porquê deles pintarem as paredes do ambiente sempre de branco e de forrarem a mesa necessariamente com toalhas brancas, quando alguém, em elevado coeficiente de imbecilidade, reagiu dizendo que eu queria que as paredes fossem pintadas de preto e que eu queria, também, que as mesas fossem forradas com toalhas pretas. Esse tipo de gente existe, aos milhões, por este mundo afora. São pessoas, cujas visões são tão estreitas, a deficiência de neurónios é tão grande, que se expressam sempre dessa forma. Creio que você conheça muita gente assim.

Mas já que estou sempre escrevendo para um nível de público mais inteligente, pessoas que têm a competência de saber que entre a cor branca a cor preta existe também o verde (em diversas tonalidades), o azul (em diversas tonalidades), o amarelo (também em diversas tonalidades), o marron, o beije, cinza, lilás... e alguns milhões de tonalidades de cores, coisa que é impossível ser enxergada pelos limitados mentais, quero aqui colocar mais alguns argumentos em cima do assunto da matéria "Masoquismo não evolui ninguém".

Relembremos outro exemplo:

O café que a gente toma, todos os dias, tem uma certa dosagem de açúcar, para ficar dentro do tolerável, não é verdade? Se a gente colocar uma colher enorme, (daquelas de tirar arroz da panela), cheia de açúcar numa chícarazinha de café, ele vai ficar intragável, doce demais, enjoativo e ninguém aguenta. Por outro lado, se colocar apenas meia colherzinha de chá, uma pitadinha só de açúcar, também, estará fora do sabor ideal que é o comum. Tem que haver a dosagem, que não admite açúcar demais nem açúcar de menos. Não estou, aqui, levando em consideração as excepções das pessoas que gostam de café sem açúcar.

Se nós temos muito amor pelos animais (há pessoas que não tem nenhum), e somos defensores da prática da tolerância e da compreensão, por causa disso nós vamos ter tolerância com um cachorro pitbull, bravo, como esse da foto, que venha a nos morder na rua?

"Morde a vontade, cachorrinho, que eu amo os animais e tenho toda tolerância do mundo com você. Não se preocupe, que depois eu tomo vacina, eu faço curativos, sem problema nenhum. Pode enfiar o seu dente na minha perna, onde você quiser, que eu sou uma pessoa compreensiva".

Se você está nas ruas do centro comercial da sua cidade, onde geralmente tem muitos mendigos. De repente um deles, todo sujo, fedorento, bêbado, fedendo a cachaça e cigarro ruim lhe pega de surpresa, lhe abraça e começa a lhe encher a cara de beijos, com aquela boba babada e fedorenta, você vai deixar que a cena permaneça, até ele resolver desgarrar-se de você, sob a alegação de que ele, coitadinho, é um simples mendigo, carente, que sofre pelo abandono imposto pela própria sociedade e pelos governantes, enche-se de piedade, caridade, tolerância em muito amor por ele, sob a argumentação de que Jesus amou aos mais necessitados?

E se você for mulher e o infeliz resolver beijar a sua boca, ainda mais optando pelo conhecido beijo de língua?
É claro que você não vai deixar, você vai empurrá-lo, vai fazer um esforço para se livrar, vai pedir ajuda das pessoas, caso não consiga de se livrar, vai se aborrecer e até vai ter um certo nojo. Vai querer chegar em casa logo, tirar aquela roupa, tomar um banho e passar alguma colónia. É ou não é verdade? Por acaso, eu estou exagerando?

É preciso que as pessoas, para alcançarem algum tipo de tranquilidade, abram mão da hipocrisia. É preciso que a sociedade pare com certas frescuras.

"Faça o bem, sem olhar a quem", é uma orientação muito bonita, que alguns confundem com "dê esmolas, sem olhar a quem". Nada tem uma coisa a ver com a outra.

Quando nós damos dinheiro a uma criança que nos aborda no sinal de trânsito, achando que estamos sendo bonzinhos, praticando a Caridade, na verdade estamos praticando um tremendo ato de irresponsabilidade, fazendo crescer um vício que cresce cada vez mais nas cidades. Não é possível que não saibamos, ainda, que aquele dinheiro não vai promover qualquer benefício àquela criança, que vai servir para o pai ou a mãe tomarem cachaça, comprar cigarros e alimentar vícios. E eu vou contribuir com isso? Vou olhar, sim, a quem eu dou o meu dinheiro, se é que estou disposto a praticar o belíssimo costume da Caridade, com responsabilidade.

Se quero ajudar, e posso ajudar, aos necessitados, a primeira coisa que devo fazer é identificar uma casa de assistência aos mendigos, aos abandonados e necessitados, DE OLHOS BEM ABERTOS, pra ver se a casa é idónea mesmo, e se não tem gente se aproveitando dos recursos que são destinados à ela. Digo isto porque existe, sim, e como existe. Eu mesmo tenho uma relação e sei de caso de instituição, enorme, onde tem gente que leva grandes vantagens e vive um vidão, às custas de super-salários, inclusive marido e mulher... bom, deixe isto pra lá.

Para a prática da Caridade, da Compreensão e da Tolerância tem que haver DOSAGEM, sim.

Quero responder a algumas pessoas, que me questionaram sobre se a minha proposta não seria uma proposta egoísta, principalmente quando falei que mulher nenhuma deve tolerar maridos bêbados, agressivos e violentos:

Egoísmo é quando você pensa SÓ em você, preocupa-se SÓ com você, quer sempre beneficiar A VOCÊ, procura levar em conta APENAS OS SEUS interesses, apenas O SEU bem estar e o de mais ninguém.

A minha proposta está muito distante disto. A mulher que eu sugiro dar um pé na bunda do marido bêbado e violento, ao dar um basta na situação, não está pensando em se beneficiar em nada, não pretende levar vantagem em coisa alguma, apenas está querendo retirar um espinho que está encravado nela, causando-lhe dores intermináveis, do mesmo jeito que qualquer um de nós procuraríamos nos livrar de um pitbull que estivesse a nos morder, colocamos insecticida ou mosquiteiros em casa, para mosquitos não nos picarem, etc...

Ela pretende, também, acabar com os sofrimentos dos filhos, que também pegam porrada dele, são machucados por ele. Há um velho ditado que diz: "Antes só, do que mal acompanhado", e todos nós devemos observá-lo atentamente.

Mas não falo só de mulher que tem marido bêbado e violento não, falo também, da mesma forma, para homens que, em vez de ter esposa e companheira em casa, tem é uma praga aproveitadora, chantagista, que faz gato e sapato dele, pessimismo a toda hora, reclamações de toda ordem, pessoa fria, sem a menor disposição para carinho, afecto e compreensão pelas dificuldades que ele tem em conseguir os recursos para levar as coisas para dentro de casa.

Do mesmo jeito que existem homens que são pragas nas vidas de muitas mulheres existem também mulheres que representam um verdadeiro inferno na vida do homem.

O meu discurso é a favor da criatura humana, para que ela não sofra de graça, achando que tem obrigação de tolerar os desajustes de determinadas pragas.

Os cachaceiros não fazem o menor esforço em deixar o vício, porque vêem acontecer em casa sempre a mesma coisa: mulher calada, sempre fazendo a sua comidinha, sempre lavando e passando suas roupas, sempre mantendo a casa limpa pra ele vomitar de novo no chão, filhos todos calados, com medo dele, mulher com medo de pegar porrada... Vai mudar, por quê? se está tudo bem pra ele, se todo mundo aceita ele como ele é, a tendência é se acomodar. Retire a "empregadinha" dele, pra ver se a coisa não começa a mudar.

A mesma coisa é a mulher exploradora, que faz do marido o que quer, e o bestão não fala nada.

Portanto, meu amigo e minha amiga: Diante de gente agressiva, chantagista, violenta, viciada e problemática que só nos causam problemas, sofrimentos e dores de cabeça, ajamos com toda energia, todo rigor e toda frieza em dizer: "BASTA, NÃO TOLERO MAIS!!". Seja marido, mulher, pai, mãe, filho... seja lá quem for.

Liberte-se dessas algemas, o mais rápido possível.

Mais uma vez o aviso que já dei, inúmeras vezes para meus amigos e amigas:

Namorar gente ciumenta É BURRICEEEEEEE!

"Ah, mas a natureza dela é assim, ela sempre foi ciumenta, desde pequena". Problema dela, que vá, ela, arcar com as consequências da sua doença, você não. Veja se tem graça, eu ter que tolerar beliscões, agressões, cenas ridículas nos ambientes, uma imbecil desequilibrada ficar questionando minhas amigas se têm algum caso comigo, porque na sua cabeça cheia de lama, eu não posso ter amizade com mulher nenhuma. Não admito mesmo!!!! Que vá cantar em outra freguesia.

Repito também que, diante de qualquer ameaça, do namorado ou amante ciumento, de que vai lhe matar, se você deixá-lo; abra a boca no mundo, bote a boca no trombone, avise a polícia, à vizinhança, aos parentes seu e dele, se possível vá naqueles programas policiais das rádios AM e abra a boca mesmo, pra ele ficar numa situação bem difícil e tomar vergonha na cara. NÃO TOLERE, NÃO CEDA, NÃO SE INTIMIDE e NÃO SE AMEDRONTE, porque é isto que ele quer.

Aí vem aqueles desajustados e inconsequentes, pra dizer:

- "Éh, Alamar, parece que você nunca amou, você não sabe o que é a força do Amor".

Amor uma droga! Chamar ciúme de amor, envolver ciúme com amor é um dos maiores equívocos do ser humano. Só mesmo gente muito masoquista, muito besta, que não tem o menor amor por si mesmo para tolerar gente ciumenta, achando que está amando. Tolerar cenas ridículas de ciumentos, que lhe causam sofrimentos, depressões e angústias, é a mesma coisa que outorgar a si mesmo um diploma de DOUTOR EM BURRICE, emitido pela Universidade dos Imbecis.

Porque você tem que tolerar uma peste dessa?

Será que você é uma pessoa tão horrorosa, assim, que não tem competência para arrumar ninguém que presta? É esta a impressão que dá, quando nos vemos diante de alguém que se apega tanto a determinadas pragas e parece que fica com medo de "perder", talvez achando que não vai conseguir ninguém, inserindo-se no universo do QMS (Qualquer merda serve). Não vai perder coisa nenhuma, vai é SE LIVRARRRRRRR!!!!! É diferente.

Namorar religioso fanático, também é burrice!!!

É uma praga. Ainda mais daquele tipo de religioso que fica querendo, o tempo todo, convencer a você de que a igreja que ele frequenta é a única certa, na face da Terra, e todas as outras opções, entre as MILHARES disponíveis, estão erradas. Aí, tudo o que acontece dentro do lar, a praga começa a dizer que a culpa é da sua crença ou da sua filosofia, embora nada tenha a ver. Se as crianças gripam, a culpa é da sua crença, se o feijão queima, é também culpa da sua crença, se a privada entope, a culpa é da sua crença.

Religioso fanático, invariavelmente, é falso moralista, sempre possuidor de alto índice de hipocrisia, com disposição para "pregar" condutas de vida e "moralidades" de fachada, apenas para OS OUTROS seguirem, eles não.

Portanto, é recomendável o não envolvimento com gente assim. Deixe que ele encontre alguma cabeça que pense conforme a dele, porque aí vai ser uma beleza, na vida dele e, mais beleza ainda, na sua, tendo se livrado. Imagine uma menina que adora colocar um biquíni e ir para a praia ou piscina, num calor desgraçado, e vem um hipócrita qualquer, que se acha seu dono, movido pela hipocrisia e pelo falso moralismo, proibir que ela se vista daquela maneira, porque a sua medíocre cabeça vê imoralidade naquilo. CAIA FORA.

"Ame ao seu próximo, COMO A SI MESMO", este é o ensinamento maior. Quem não tem disposição para amar a si mesmo, certamente não terá condições de amar ninguém, já que a lógica diz que nós só podemos dar o que temos. Jamais uma caixa d'água vazia pode dar água na torneira.

Reflictamos, portanto, nestas sugestões... Veja bem: apenas sugestões.

Abração,



Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas e Escritor

alamar@redevisao.net --- www.partidovergonhanacra.com --- www.redevisao.net --- www.alamar.biz

ORKUT "alamarregis"

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2 comentários:

Camilla

5.5.09

Gostei do seu texto e de sua forma de pensar mas.......e como fazer com as pendencias que a esposa tem com o marido bebado!! Como vc mesmo disse, tudo funciona melhor se for dosado, e nao 8 ou 80! Por isso é importante estudar, aprender, se educar para saber seu limite! É claro que uma mulher de um bebado nao vai ficar com o mesmo se haja ameaca de sua vida ou de seus filhos, mas se ela tem pendencias com ele, é atraves do sofrimento que ela vai resgatar isso!

Catsone

6.5.09

Este Alamar e uma peça, lol. Pego-me a rir várias vezes com os textos dele, mas diz as coisas que pensamos e que não transmitimos.

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