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O Espiritismo Afinal é Uma Religião?

Diz Allan Kardec
"(...) Se assim é, dirão, o Espiritismo então é uma religião? - Perfeitamente! sem duvida; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos ufanamos disso, porque ele é a doutrina que funda os laços de fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as leis da própria Natureza. Porque então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Por isso que só temos uma palavra para exprimir duas ideias diferentes e que na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto: revela exclusivamente uma ideia de forma, e o Espiritismo não é isso.

Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o publico só veria nele uma nova edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; o publico não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos, contra os quais sua opinião tem-se elevado tantas vezes.

Não possuindo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, o Espiritismo não poderia nem deveria ornar-se com um titulo sobre o valor do qual inevitavelmente se estabeleceria a incompreensão; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral..."
*

Perante tão categórica explicação, perguntamo-nos como é que pode alguém defender que o Espiritismo é uma religião.
A tendência dita espiritólica no Espiritismo é aquela cujos defensores sentem a falta dos aspectos exteriores do culto católico. A toalha branca sobre a mesa da palestra remete-nos para o altar. A profusão de imagens nas paredes evoca os frescos e os vitrais das igrejas. O Espiritismo,em si, as obras básicas, são relegados para segundo (terceiro, quatro quinto, inexistente) plano, em detrimento da oração decorada. Tudo num centro espiritólico se assemelha a uma igrejinha católica com padres à paisana. a autoridade "sacerdotal" é inquestionável, inquestionada, e o ciclo de isolamento dá aso a todo o tipo de práticas esdrúxulas e estranhas à doutrina dos Espíritos.

À semelhança das igrejas católicas e evangélicas, nas "igrejas espíritas" fala-se mais do "Diabo" do que de Deus. Nas "igrejas espíritas" a figura do Diabo é substituída pela dos obssessores, eis a diferença. As penitências são substituídas por versões requentadas de "paciência e resignação", que mais não são que o culto da culpa e do pecado, devidamente encapotados. O Índex católico é substituído pela lista de autores e palestrantes proibidos, de que Alamar é um habitual representante.
As hierarquias religiosas espíritas continua tão intolerantes e preocupadas com o exterior, como aquelas que levaram o Nazareno a julgamento, acusado de desafiar a ortodoxia.

Há quem, nos círculos espiritólicos, anseie discretamente por que o Espiritismo seja absorvido pela Igreja Católica. E quando aparece alguém a apontar estes factos, há quem julgue tratar-se de "novidades". Mas "novidade" é o "Espiritismo à Moda da Casa", sem qualquer tipo de embasamento doutrinário. É o Espiritismo sem Codificação, o Espiritismo igrejeiro de que fala Herculano Pires. O Espiritismo que substitui a fraternidade e a simplicidade por novos bispos, papas e cardeais - sem proveito para ninguém.

Se por via de raciocínios epistemológicos rebuscados alguém quiser dizer que afinal Kardec disse o que não disse- que o Espiritismo é religião - não vem daí o mal ao mundo. Vem algum mal à imagem do Espiritismo quando se confunde a novidade do "Espiritolicismo" com a doutrina codificada por Allan Kardec, a Doutrina dos Espíritos.

Mau serviço ao Espiritismo é prestado quando alguém chega ao que julga ser um centro espírita e depara com um centro de rezação de terço. A liberdade de cada um é inquestionável, contudo, a bem de nos entendermos, convém que se chame as coisas pelos nomes. Rezação é rezação, e Espiritismo é Espiritismo. Religião é religião, e Espiritismo é Espiritismo.

"Vamos iniciar um grupo espírita?" - pensemos nisto.



* - Citação de ALLAN KARDEC: O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos, dezembro de 1968, EDICEL, p.351-360

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5 comentários:

Anónimo

23.4.09

Olá irmão! Primeiramente gostaria de parabenizá-lo por reunir informações valiosas para o autoconhecimento e a aprendizagem. O seu blog é de muito bom gosto. Permita-me extender a discussão e tentar fazer uma distinção entre espiritismo e a parapsicologia... http://tamoporai.blogspot.com/2009/04/espiritismo-e-parapsicologia.html forte abraço!

Anónimo

29.4.09

Gostei, gostei mesmo da sua explanação. Muito rica e espirituosa.
Só me diz uma coisa: quando perguntam a você qual é a sua religião você responde o quê?

Alberto.

Anónimo

1.5.09

Olá,

Aqui André. Quando me perguntam qual a minha religião, digo que não pratico nenhuma religião. Digo que sou cristão apenas, e mais precisamente espírita.

Mas para simplificar, e consoante o entendimento do interlocutor, não tenho rebuço em responder a essa pergunta dizendo que sou espírita :)

Grato pelos vossos comentários, amigos!

A.

Anónimo

15.5.09

Penso que esta é uma discussão, e desculpem o termo, inútil. Tal como é dito no livro "Reencarnação no Mundo Espiritual", é uma discussão que não traz mais valia nenhuma. OS homens devem se preopupar com a sua conduta, "amar os outros como nós mesmos", praticar a caridade sincera e honesta.
Para quê perder tempo nesse sentido? A espiritualidade inferior aproveita-se destes pequenos detalhes para continuar a "destruir" a Doutrina, e nada melhor do que dentro dos próprios apoiantes.
Portanto vamos para o que realmente interessa, que é largar de lado os dogmas, os rituais; tudo isso que as ditas religiões convencionais ainda pregam, e vamos seguir em frente com toda literatura que existe por aí que nos ajuda a compreender um pouco melhor quem somos e para onde vamos, e comecemos a nos preocupar com o que realmente importa que é colocar cada vez mais amor no coração de cada um de nós e começar a olhar os outros como irmãos, e não deixar que este atritos destruam ou se sobreponham ao que realmente é importante.

Obrigado pela atenção.

Anónimo

13.2.10

Tenho absoluta certeza de que são defensores críticos como o senhor, que realmente zelam pela pureza doutrinária do espiritismo. Lembremos que a doutrina espírita será o que fizermos dela...isto nos impõem a todos uma grande responsabilidade, de matê-la, de defendê-la, de expandi-la, de propagá-la!
A pureza doutrinária espírita é o mais importante,o resto são vãs querelas humanas que se apagarão frente a lei doprogresso! E todos nós espíritas temos o dever de desmascarar discursos inválidos e esclarecer os deturpadores, bem ou mau intencionados...
Zelar pelo espiritismo é zelar pela lei do progresso!

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