Spiga

Nobody Expects The Spiritist Inquisition!

Pictures at an Exibition

ou

Fujam, que vem aí a ASAE Espírita!

ou

Nobody Expects The Spiritist Inquisition!

por A.A. (Autor Anónimo)

Nas primeiras jornadas espíritas em cuja organização colaborei, estive um mês a dormir quatro horas por noite. Palmilhei quilómetros a colar cartazes. Cambaleava ao computador até altas horas a fornecer informações e a formalizar inscrições. As reuniões de trabalho eram trissemanais. Pelo meio, todo os outros trabalhos espíritas seguiam o seu curso normal.

Comprar e cortar as ripas para elevar a bancada, aparafusá-las, e preparar mais um bocadinho da comunicação a apresentar. Varrer a sala, lavar o chão, compor mais um bocadinho do power-point. Tratar da exposição estática, conceber os desdobráveis, analisar e sugerir alterações para os cartazes e os slides de ambiente. Fazer a lista dos restaurantes, tratar das dormidas, fazer o levantamento dos alojamentos para os que vêm de longe.

Como eu, os outros companheiros "davam o litro". Um deles disse que se nós e todos os portugueses trabalhássemos assim todos os dias nas nossas profissões, o país registaria uma prosperidade inédita!... E as actividades espíritas continuavam. E os chatos do costume, de bloco na mão, compareciam a palestras esporádicas. Chegam sempre tarde, perdem o enquadramento inicial, e no debate apresentam sempre uma extensa lista de críticas típicas de quem chegou tarde, mais as habituais lições de moral.

Os chato-sábios espíritas gabam-se de percorrer o país inteiro e o Estrangeiro, sempre na tarefa árdua e denodada de avaliar centros, médiuns e palestrantes. São uma espécie de globe-trotters da restauração, que atribuem estrelas ao cardápio e fazem a sua crítica implacável ao repasto. Palatos apurados, rejeitam o que não sejam as melhores iguarias...

Chegada a noite de abertura das Jornadas, um dos palestrantes da noite abdicara de estar no auditório a gozar um pouco do fruto do seu trabalho, para estar à porta, dando as boas-vindas e explicando amavelmente que a sala estava lotada e que agora, só se quisessem sentar-se no chão.

Atrasado meia hora, como de costume, o grupo chato-sábio chega, com convidados, e desata a expelir impropérios:

- "Como é possível que não haja lugares sentados? Não sabiam arranjar uma sala com mais lugares? Trouxe eu estes convidados todos e agora deixam-me ficar mal! Conheço centros espíritas em todo o mundo, ouviu? Vocês deixam-me sempre ficar mal! Amadores!".

O meu estimado companheiro fez notar delicadamente que os espíritas são, de facto, todos, amadores. E com a mesma delicadeza sugeriu que se ao grupo e ao seu líder o trabalho do centro desgostava tanto, pois o grupo de entendidos ofendidos tinha todo o direito de não frequentar mais as nossas modestas actividades. Não é ser mal educado ou descaridoso. É ser prático.

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1 comentários:

Bruno

4.5.09

Isto também acontece no Brasil. Tem gente que briga com os porteiros quando estes lhes falam que a hora dos passes terminou... é uma pena. Abraço para vocês.

Bruno SL

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