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Espírita é Gente?

Na época em que Kardec era director da Revue Spirite, fez publicar um artigo em que falava acerca da inutilidade de estar constantemente a dar resposta aos detractores do Espiritismo. Hoje, quase 152 anos volvidos, a superficialidade com que algumas pessoas tratam os fenómenos espíritas (já não falo da filosofia e da moral espíritas) continua a ser manifesta.

Há quem parta para qualquer discussão ou estudo deste tema com a certeza absoluta de que se trata de fraude, ou alucinação, ou qualquer outras explicação que não admitir-se que a alma é imortal e que os que morreram estão tão vivos como nós, e que o demonstram. É o sistema da negação, que Kardec aborda no início de O Livro dos Médiuns.

Este blogue não tem o mínimo interesse em convencer os que optam pelo sistema da negação, com mais ou menos boa-fé, mais ou menos ignorância, mais ou menos zombaria. Está na missão a que nos propusemos, contribuir para a informação do público e para o desfazer de equívocos associados ao Espiritismo. Por isso, quando damos conta da forma precipitada como esta filosofia é por vezes tratada nos meios de comunicação, não nos anima qualquer intenção de "converter" os incrédulos. Os que optam pelo sistema da negação, nunca acreditarão mesmo que vejam. Quando o médium de feitos físicos Daniel Douglas Home levitava, havia quem visse e afirmasse tratar-se de alucinação. e dito isto... está quase tudo dito!

Ora o que nos move é o dever moral de corrigir os erros grosseiros, para que o público possa ser bem informado.
Temos companheiros que se aborrecem com as nossas chamadas de atenção a quem profere calúnias contra o Espiritismo. Consideram que é "falta de virtude", rebater acusações grosseiras. Pouco lhes importa que essas acusações grosseiras, embora não nos atinjam, porque não nos ofendemos com elas, vão lançar milhares de pessoas no engano!

É tal qual como o caso dos médiuns comerciantes que se apresentam como "espíritas". Se reagimos, logo há companheiros cheios de virtude e gosto pelo martírio, que nos receitam o clássico "Não julgueis...".
Esquecem-se de que permitir tal apropriação, é, mais uma vez, permitir que milhares de pessoas caiam no logro? Em alguns companheiros, a virtude é tão grande que também consideram que não se deve chamar a polícia para prender um malfeitor. Permitindo assim que os cidadãos inocentes vejam as suas vidas e bens ameaçados. Será a apologia de uma Sociedade sem leis? Será um confortável "deixar nas mãos de Deus"? Ou será que espírita não é gente?

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