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Alamar - "A cultura da frieza e da indiferença"

A filosofia de vida que eu adopto, ensina-nos que o mundo evolui sempre e que nós, espíritos que somos, não regredimos nunca e, no máximo, estacionamos, do ponto de vista moral.

Todavia, diante das evidências que presenciamos neste mundo de convivência com a criatura humana, encontramos dificuldade em afirmar este ensinamento, com segurança, como sendo verdadeiro. A não ser que ele limite a afirmativa apenas em relação ao ser individual e não ao colectivo.

Pra nós aqui, em muitos aspectos eu acho que a sociedade humana involuiu, e muito.

Recebi este artigo, colocado logo abaixo, com o título “A terapia do elogio”, e respondi logo para a amiga que me enviou que eu iria escrever sobre isto, parei o que estava fazendo e aqui estou, já que este tema eu acho de relevada importância.

Que a sociedade estabelece alguns padrões de comportamento na teoria e, na prática, faz outros totalmente em contrário, isto todo mundo sabe. Ela é boazinha, apenas na postura teatralizada, para que os outros pensem que aquilo reflecte o seu íntimo.

Todo mundo quer “estar bem na fita” (expressão da moda).

Veja o que diz, no início, o autor do artigo:

“Renomados terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde nota-se que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios, não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas. As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros. Por isso, os relacionamentos de hoje não duram.”

É verdade. Infelizmente é verdade.

Impressionante a indisposição das pessoas em reconhecer os valores dos outros e, muito menos elogiarem, principalmente se esses outros forem entes familiares ou do círculo parentesco.

Rara é a criatura que diz: “Mãe, a comida hoje está deliciosa, você deu um show”, mas, em compensação, não é raro e, pelo contrário, é muito comum, as manifestações quando a comida fica ruim: “esta comida está horrível, mãe, poxaaaaaa!!!”.

Por que é tão difícil elogiar alguém? Por que a prática do elogio só acontece, quando a pessoa deseja bajular o elogiado, invariavelmente por algum interesse?

Não consigo entender porque é tão difícil dizer a alguém:

Parabéns, meu primo, pelo excelente médico que você é, sem dúvida nenhuma um dos melhores do nosso Estado”. Você sabia que isto é raro, posto que normalmente parente nunca elogia outro parente, seja qual for a profissão que ele desempenha?

“Vamos reunir toda a nossa família, todos os nossos primos, tios, sobrinhos e irmãos para fazer uma grande homenagem, de surpresa, à nossa prima, Márcia, pelo sucesso que ela está tendo como advogada, digna, no fórum da cidade, fazendo Justiça com J maiúsculo”.

“Vamos divulgar para todo o mundo saber, que o Marcelo foi deputado, por duas legislaturas, não saiu milionário da política, não se transformou em ladrão do erário, recebeu inúmeras propostas para ficar rico e teve a dignidade de dizer NÃO a todas as safadezas”.


Por que as pessoas não fazem isto?

Por que quando alguém comete um erro, todo o mundo divulga, tem gente que, mesmo estando ocupada, faz questão de pagar no telefone e espalhar, mas quando se pratica um ato elevado todo o mundo finge que não viu, se omite, esquece e não comenta para ninguém?

O que custa elogiar? O que custa sermos carinhosos, para com as pessoas, embora a necessidade de sermos duros, nas horas necessárias, é também um ato de consideração?

No campo religioso existe uma restrição que, a meu ver, é exagerada contra o elogio. Há um entendimento que diz que elogiar alguém é, necessariamente, incentivar a vaidade excessiva e o orgulho da pessoa. Certa ocasião, lá em Olinda, Pernambuco, numa das visitas que sempre eu fazia ao extraordinário e querido Dom Hélder Câmara, eu cheguei a iniciar uma pequena discussão com ele, por causa desse negócio de elogio, que ele me dizia ser um perigo e algo que deveria ser evitado.

Eu dizia para ele:

“Mas, Dom Hélder, elogiar uma pessoa fraca, insegura e que naturalmente é orgulhosa, eu creio que possa ser um perigo, porque ela é, costumeiramente, metida a besta. Mas se estamos diante de pessoas as quais sabemos equilibradas, estabilizadas emocional e moralmente, por que devemos ser omissos no carinhoso reconhecimento ao mérito delas? Eu vejo o senhor, por exemplo, em nível de Santo Agostinho”.

Ele não gostou, mas teve o cuidado de dizer que eu não estava de todo errado e que isso era conversa para muitas missas.

Entendo a visão de Dom Hélder, ele que sempre foi expressão da coerência e da autêntica humildade, bem como daqueles que querem preservar determinadas pessoas do que podemos chamar “estrelismo”, quando elogiadas, todavia questiono: Será que não estamos generalizando e, consequentemente, sendo omissos e frios no reconhecimento aos méritos dos que fazem o bem?

Se eu não me disponho a reconhecer, incentivar, estimular e aplaudir os que praticam o bem, como poderei convencer aos que fazem o mal e aos que ainda vivem na omissão de que fazer o bem vale a pena, é bom, é viável e é recomendável?

Se vejo um bom filme, que traz uma boa mensagem, eu preciso dizer às pessoas que aquele filme está passando, para que elas também o assistam; se identifico uma sorveteria que faz um delicioso sorvete, preciso divulgá-la para as outras pessoas, recomendando-a. Devo recomendar os bons restaurantes, os bons colégios, os bons supermercados e os bons tudo.

Por que tenho que ser omisso, em relação aos bons comportamentos, aos bons exemplos humanos, aos grandes realizadores e aos autênticos praticantes dos elevados valores morais e humanos?

Não quero fazer nenhum discurso religioso, porque vejo este questionamento muito acima da religião, mas quero sugerir às pessoas sobre uma revisão de conceitos acerca da necessidade de elogiar, aplaudir, reconhecer, estimular, incentivar e valorizar aqueles que fazem o bem.

Comecemos dentro de casa, isto mesmo, dentro da nossa casa, onde o adolescente vive a cultura de ver o pai apenas como um cofre ($$$) e nada mais, não se dispondo, um minuto sequer, a dirigir palavras carinhosas a ele. Hoje, quando se ouve alguma coisa da boca dos jovens para os pais, nada mais que é o “pai, eu te amo” e “mãe, eu te amo”, que nada mais é do que uma expressão decorada, sem sentimento e sem nada, do mesmo jeito que eles usam para qualquer pilantrinha que começam a namorar hoje, “fulano, eu te amo”.

Sinceramente, me responda:

Quantas vezes, na sua casa, o adolescente, filho ou filha, construiu uma manifestação, mais ou menos assim, para o pai ou a mãe:

- “Mãe, eu quero falar um pouquinho, sobre essa maravilhosa professora que você é. Já notei, nas várias vezes que vou ao seu colégio, quanto carinho você tem para com os seus alunos, como a sua didáctica é maravilhosa, o quanto você é amiga das suas outras colegas professoras, sempre com seu alto astral e o indispensável carinho. Mãe, você é, de fato, uma mulher muito especial, uma mulher de um valor extraordinária, e eu tenho muito prazer, em ter saído de você. Quero lhe dar um beijo, bem carinhoso, mas do fundo do coração mesmo, porque sei que você merece, não apenas por ser minha mãe, mas por ser uma mulher maravilhosa”.

Quando a coisa é mais ou menos assim, qualquer pai e qualquer mãe sentem o impacto positivo, sentem algo como se fosse uma poderosa dose de vitamina estimulante, porque sabem que foi algo criado, cuidadosamente e com carinho, totalmente diferente do simplesmente formal “pai, eu te amo” e “mãe, eu te amo”.

O homem que é advogado, normalmente convive com filhos e esposa que raramente sabem que ele é advogado, porque nunca se lembram disto e nunca conversam com ele acerca daquilo que faz parte da sua vida no dia-a-dia. O mesmo acontece com o homem que é médico, o que é comerciante, contador, economista, motorista, bancário, etc... valendo o mesmo exemplo, também, para a mulher.

É uma frieza terrível, dentro da maioria das casas, uma indiferença sem tamanho.

Pra começar, nos dias de hoje, a coisa mais difícil do mundo é a família almoçar toda reunida. Durante o dia ninguém vê ninguém, porque um trabalha o dia inteiro, o outro vai para a faculdade; a noite, também, ninguém vê, porque um vai para a igreja, outro vai para o cursinho, outro vai não sei pra onde... de repente, chega o final de semana.

Oba!!! no sábado e domingo não vai ter o trabalho e nem a faculdade, grande oportunidade para a família se encontrar!

Será que se encontra?

Hoje virou moda o rapaz querer sair para passar o final de semana com a namorada e a menina, também, com o namorado ou com as “colegas”.

Sair de vez em quando, tudo bem, aceitável e nada contra. Mas será que ele sai apenas de vez em quando, porque tem consciência de que alguns finais de semana devem ser dedicados a ficar com os seus pais, irmãos e entes mais próximos, a conversar com os seus pais e até a sair com eles?

Nada disto. O jovem actual simplesmente não tem tempo nenhum para os seus pais, assim como muitos pais, também, não têm tempo nenhum para os seus filhos.

A praga do “não tenho tempo” é mesmo uma praga na vida da sociedade actual. Eu falo sobre isto no meu livro “Parente, uma praga na vida da gente”.

O que espera a sociedade, tão rigorosa quanto às etiquetas e as formalidades, apenas formalidades, diante de uma realidade desta?

Será que o deixar os talheres juntos, com os cabos voltados para o lado direito, atendendo a uma etiqueta boba, é o suficiente, para atender às “boas maneiras”, é o suficiente? Que boas maneiras são essas?

Será que a cobrança para levar a mão esquerda à boca, enquanto palita os dentes com a direita, é tão suficiente assim, diante de tantas outras necessidades bem mais relevantes?

É a exigência da roupa que combina, do corte de cabelo que fica “bem”, para o formato do seu rosto, do paletó e da gravata obrigatório em determinados momentos, mesmo em calor intenso, em detrimento aos valores que atendem às necessidades do espírito.

Por que a máscara é mais valorizada que a autenticidade do ser?

Será que não estamos precisando, todos nós, de revermos determinados conceitos que se perpetuam por décadas e séculos, sem que ninguém esboce qualquer disposição para mudanças?
É preciso que a nossa consciência desperta comece a dar alguns alertas para nós:


- Ei, moço! A sua esposa é sua ESPOSA e não a sua empregada doméstica.

- Ei, minha amiga! O seu marido é o seu companheiro, e não aquela fonte inesgotável de recursos que têm que dá jeito, custe o que custar, para resolver todas as necessidades da casa.

- Ei, meu caro adolescente! O seu pai não é um cofre, onde você só recorre e dedica um pouco de atenção, quando precisa de dinheiro para alguma coisa. A sua mãe não é a sua empregada e muito menos a sua escrava, para você sair deixando ténis fedorento jogado por todos os cantos da casa, ainda se achando no direito de gritar e exigir tudo conforme as suas conveniências.

Se você, por ser jovem, se acha no direito de merecer carinho, afecto e compreensão dos pais para todas as bobagens que faz, saiba que os seus pais são também humanos, tem sentimentos e também precisam de carinho e afecto.

A necessidade de carinho, de afecto e manifestações de amor é natural de todo ser vivo, não apenas humano, e negar isto a alguém é uma das mais sérias transgressões que praticamos.

Nós colhemos tudo o que plantamos. Eu recomendo a todos os pais que hoje estão sofrendo pelas indiferenças, friezas e insensibilidades dos filhos a fazerem uma reflexãozinha, voltando no tempo, e relembrarem como eles eram em relação aos seus pais que, talvez, já morreram ou hoje estão abandonados num “depósito” de idosos (chamado casa de repouso) ou jogado no quarto de empregada da família.

A mesma recomendação faço ao adolescente frio, de hoje, para que pense duas vezes em relação ao que, COM CERTEZA, vai acontecer com o seu futuro.

Elogiar faz bem, carinho faz bem, aplaudir faz bem e incentivar faz bem, tanto ao que recebe e muito mais ao que se dispõe a praticar.

Portanto, pensemos nisto e comecemos a mudar alguma coisa, hoje mesmo, a começar de agora.


TERAPIA DO ELOGIO
Arthur Nogueira (Psicólogo)


Renomados terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde nota-se que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios, não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas. As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros. Por isso, os relacionamentos de hoje não duram.

A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias de média e alta renda. Não vemos mais homens elogiando suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos se elogiando, amigos, etc.

Só vemos pessoas fúteis valorizando artistas, cantores, pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por conseqüência são pessoas que tem a obrigação de cuidar do corpo, do rosto.

Essa ausência de elogio tem afetado muito as famílias. A falta de diálogo em seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios. Acabam com seus casamentos, acabam procurando em outras pessoas o que não conseguem dentro de casa.

Vamos começar a valorizar nossas famílias, amigos, alunos,subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza de nossos parceiros ou nossas parceiras, o comportamento de nossos filhos.

Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos, o bom amigo, a boa dona de casa, a mulher que se cuida, o homem que se cuida, enfim vivemos numa sociedade em que um precisa do outro, é impossível um homem viver sozinho, e os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa.

Quantas pessoas você poderá fazer feliz hoje elogiando de alguma forma?

Então elogie alguém hoje


Abração, Gente!

Para a sua apreciação

Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas e Escritor

alamar@redevisao.net --- www.partidovergonhanacra.com --- www.redevisao.net --- www.alamar.biz

ORKUT "alamarregis"

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1 comentários:

Anónimo

6.6.09

Nota dez para o artigo. É a realidade mais dilacerante de nosso meio de pessoas carentes de afeto e confiança em si mesmos.

As igrejas estão lotadas, porque muitos buscam fora de si o Deus que deixaram fugir.

Amor embotado, encruado, dissolvido em egoísmo, fraqueza e imediatismo compoem essa indiferença tão cruel.

Quantos que, soada a hora última, não diriam: "quanto tempo perdi ! Ah! se eu soubesse ".

Muito bom ! Parabéns !
Luiz Conti Renovato

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